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Ministério da Saúde avalia inclusão de canetas emagrecedoras no SUS, mas aprovação depende de estudo e verba

O Ministério da Saúde está analisando a possibilidade de solicitar à Conitec a incorporação de canetas emagrecedoras ao SUS, promessa feita pelo presidente Luiz Inácio Lula durante a campanha eleitoral. A decisão deve ser tomada ainda antes das eleições de outubro, mas ainda não há definição sobre o momento exato da apresentação. O debate ocorre em nível nacional, envolvendo estados, municípios e a própria comunidade médica.

Contexto político e institucional

A proposta ganhou força após a visita de Lula a Montes Claros (MG), onde o presidente afirmou que a “canetinha” seria utilizada gratuitamente para quem tem obesidade. Essa declaração transformou o tema em um dos pilares da campanha, gerando pressão sobre o Ministério da Saúde para avançar rapidamente.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que o governo já trabalha no assunto desde o ano passado, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou que medicamentos como os agonistas de GLP‑1 façam parte da oferta integral de controle da obesidade. Ainda assim, Padilha destacou que o processo não pode ser “eleitoreiro” e deve seguir as normas técnicas.

A Conitec, responsável por avaliar tecnologias para o SUS, tem prazo de 180 dias para emitir parecer, podendo ser prorrogado por mais 90 dias. Caso o parecer seja favorável, o Ministério precisará formalizar protocolos de uso e definir a forma de financiamento junto a estados e municípios.

Análise dos estudos e impactos financeiros

Um estudo conduzido pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, acompanhou 250 pacientes com obesidade grave que tinham indicação para cirurgia bariátrica. Os resultados preliminares apontam melhora significativa no controle glicêmico e redução de peso, fatores que podem diminuir a necessidade de intervenções cirúrgicas mais caras.

Além desse estudo, a farmacêutica Novo Nordisk enviou, em maio, um pedido para incluir o Wegovy – medicamento à base de semaglutida – no SUS, direcionado a pacientes obesos que já sofreram infarto. A empresa estima que cerca de 38.598 pacientes poderiam ser beneficiados, com custos anuais entre R$ 500 milhões e R$ 650 milhões.

Em 2025, a Conitec rejeitou um pedido semelhante da Novo Nordisk que visava um público mais amplo, argumentando que a incorporação poderia gerar um impacto de até R$ 8 bilhões nos cofres públicos. Essa decisão evidencia a preocupação com a sustentabilidade financeira do sistema.

  • Medicamentos disponíveis: Ozempic e Wegovy (Novo Nordisk), Ozivy (EMS), Mounjaro (Eli Lilly) e gerações anteriores como liraglutida.
  • Benefícios clínicos: redução de peso, melhora da saciedade e controle da glicemia.
  • Desafios econômicos: alto custo unitário, necessidade de negociação de preços e definição de critérios de elegibilidade.

Um levantamento da Interfarma, divulgado em junho, mostrou que mais da metade dos medicamentos solicitados por pacientes em ações judiciais já havia recebido recomendação favorável ou deveria estar disponível no SUS, indicando que a burocracia ainda impede o acesso rápido.

Desafios na implementação e perspectivas

Mesmo com aprovação regulatória, a distribuição dos fármacos pode ser lenta. A logística de fornecimento, a capacitação de profissionais de saúde e a definição de protocolos claros são obstáculos que precisam ser superados para que o paciente receba o tratamento em tempo hábil.

Além das questões técnicas, há um intenso debate sobre o uso off‑label dos agonistas de GLP‑1 para fins estéticos. A popularização de versões manipuladas e a importação de medicamentos do Paraguai geram preocupações nas associações médicas, que temem riscos à saúde e aumento dos custos com monitoramento.

Para enfrentar esses desafios, especialistas sugerem a criação de um programa piloto em alguns estados, permitindo avaliar o impacto real na saúde da população e nos gastos públicos antes de uma expansão nacional.

  1. Definir critérios de elegibilidade baseados em risco cardiovascular e índice de massa corporal.
  2. Negociar preços com as farmacêuticas, possivelmente através de compras em bloco.
  3. Estabelecer parcerias com hospitais universitários para monitoramento e coleta de dados.
  4. Divulgar informações claras ao público, evitando o uso inadequado.

Se bem estruturado, o programa pode reduzir a demanda por cirurgias bariátricas, diminuir complicações relacionadas à obesidade e gerar economia a longo prazo, compensando o investimento inicial.

O futuro das canetas emagrecedoras no SUS ainda depende de decisões técnicas, aprovação orçamentária e da capacidade de articular diferentes esferas de governo. Enquanto isso, a população observa atentamente, aguardando respostas que conciliem saúde pública, sustentabilidade financeira e promessas de campanha.

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