A Meta revelou nesta quarta‑feira (23) um novo modelo de óculos inteligentes sem câmera, durante a sua conferência anual de desenvolvedores, em São Francisco. O dispositivo, chamado Ray‑Ban Meta Audio, chega como resposta às críticas sobre gravações não consentidas. Além de oferecer áudio de alta qualidade, ele traz integração com o agente de IA Muse, ampliando as possibilidades de uso no dia a dia.
Design, conforto e autonomia da bateria
Os Ray‑Ban Meta Audio estão disponíveis em duas armações distintas: a Clubmaster, que remete ao estilo retrô dos anos 60, e a Burbank, com linhas retangulares mais contemporâneas. Cada modelo oferece 23 combinações de cores e tipos de lente, permitindo que o usuário escolha a estética que melhor combina com seu guarda‑roupa.
Com peso de apenas 43 gramas, os óculos são leves o suficiente para serem usados por longos períodos sem causar desconforto. A autonomia da bateria foi ampliada para até 12 horas de uso contínuo, o que representa um ganho significativo em relação às versões anteriores.
Funcionalidades de áudio e integração com IA
O principal diferencial do Ray‑Ban Meta Audio é a capacidade de captar a voz do usuário com clareza superior à de fones de ouvido convencionais. Isso facilita chamadas telefônicas, videoconferências e interações com assistentes virtuais.
O dispositivo também permite a reprodução de música, podcasts e audiolivros, tudo controlado por comandos de voz ou gestos simples. A integração nativa com o agente de IA Muse abre um leque de funcionalidades adicionais, como:
- Orientações personalizadas para treinos físicos;
- Registro automático de refeições e cálculo de calorias;
- Pesquisa de informações na internet sem precisar abrir o celular;
- Organização de agenda e lembretes;
- Compra de produtos com apenas um comando de voz.
Essas funções são executadas em tempo real, graças ao processamento local e à conexão estável com a nuvem da Meta.
Privacidade em foco: a ausência de câmera
Ao contrário da terceira geração do Ray‑Ban Meta, que inclui uma câmera de 12 megapixels capaz de gravar vídeos em 3K Ultra HD, o modelo Audio não possui nenhum sensor de captura visual. A decisão foi tomada após uma série de reclamações de usuários e organizações de direitos digitais, que temiam gravações ocultas em ambientes públicos.
Para sinalizar que o usuário está utilizando um dispositivo de áudio, o óculos acende uma luz discreta na lateral da armação sempre que o microfone está ativo. Essa medida visa garantir transparência e evitar situações de espionagem inadvertida.
Outras empresas já adotaram a mesma estratégia. A Even Realities lançou, em 2024, um óculos inteligente sem câmera, destacando que a ausência do recurso reduz o receio de gravações encobertas. A Snap, por sua vez, continua a oferecer modelos com câmera, mas com alertas visuais ainda mais robustos.
Preços, disponibilidade e perspectivas de mercado
No mercado norte‑americano, o Ray‑Ban Meta Audio tem preço inicial de US$ 349, o que corresponde a aproximadamente R$ 1.800 na cotação direta. A Meta informou que o produto será lançado no Brasil nos próximos meses, porém ainda não divulgou o valor local.
A terceira geração do Ray‑Ban Meta, que mantém a câmera, será comercializada a partir de US$ 449 (cerca de R$ 2.300). Essa versão traz 27 combinações de cores e lentes, além de nove horas de bateria com carga única – um aumento de uma hora em relação às versões anteriores.
Além dos óculos de áudio, a Meta aproveitou a conferência para apresentar os Meta VR Glasses, destinados a experiências imersivas de cinema e jogos, e o Muse Charm, um pequeno dispositivo que incorpora o agente de IA Muse em formato de “tamagotchi” virtual.
O lançamento desses produtos reforça a estratégia da Meta de diversificar seu portfólio de hardware vestível, competindo diretamente com players como Apple, Google e Samsung, que também investem em smart glasses.
No Reino Unido, estabelecimentos como restaurantes, pubs e teatros já começaram a restringir o uso de óculos inteligentes com câmera, citando preocupações de privacidade dos clientes. Nos Estados Unidos, a empresa enfrenta uma ação coletiva na Califórnia que a acusa de coletar imagens capturadas pelos dispositivos para treinar sistemas de IA, incluindo fotos de pessoas em situações íntimas ou vulneráveis.
A Meta nega as acusações e afirma que os dados são anonimizados e utilizados apenas para melhorar a qualidade dos serviços. Enquanto o processo segue em julgamento, a empresa tem reforçado suas políticas de transparência e oferecido opções de exclusão de dados para os usuários.
Especialistas de mercado apontam que a adoção de óculos inteligentes ainda está em fase inicial, mas que a tendência de integração entre áudio, IA e realidade aumentada deve acelerar nos próximos anos. A ausência de câmera nos modelos Audio pode ser um diferencial competitivo para consumidores que priorizam a privacidade.
Em resumo, a Meta aposta em um ecossistema de dispositivos vestíveis que combinam estilo, funcionalidade e respeito à privacidade, buscando reconquistar a confiança dos usuários enquanto expande sua presença no segmento de tecnologia portátil.








