Friedrich Merz, chanceler da Alemanha, enfrenta uma nova onda de pressões após as eleições regionais realizadas na noite de domingo, 20 de setembro, que resultaram em derrotas históricas para a CDU em várias regiões. As urnas de Mecklemburgo‑Pomerânia Ocidental, Berlim e Saxônia‑Anhalt mostraram um avanço expressivo da extrema‑direita e da esquerda radical, colocando o governo de Merz em uma posição delicada.
Desempenho nas Eleições Regionais
Na região nordeste de Mecklemburgo‑Pomerânia Ocidental, a CDU não conseguiu nem alcançar o limiar de 5% dos votos, ficando fora da assembleia regional. O partido anti‑imigração Alternativa para a Alemanha (AfD) liderou com 38% dos votos, enquanto uma aliança de esquerda parece estar mais bem posicionada para formar governo.
Em Berlim, a esquerda radical Die Linke chegou ao topo com 25% dos votos, superando a CDU, que obteve apenas 20%. A AfD também registrou um desempenho forte, conquistando 15% do total.
Esses resultados somam‑se à derrota sofrida em 6 de setembro na Saxônia‑Anhalt, onde a AfD venceu novamente, ampliando o debate sobre a viabilidade de Merz permanecer no cargo.
- Mecklemburgo‑Pomerânia Ocidental: AfD 38%, CDU <5%
- Berlim: Die Linke 25%, CDU 20%, AfD 15%
- Saxônia‑Anhalt: AfD vencedor
Reação de Merz e Estratégia Política
Na madrugada de segunda‑feira, Merz subiu ao ar na televisão pública alemã para afirmar que continua como presidente da CDU e como chanceler, tentando encerrar as especulações sobre sua saída. Ele reiterou seu compromisso com a agenda de reformas econômicas, apontando a necessidade de inovar, enfrentar a concorrência chinesa e conter a alta dos preços de energia provocada pelos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio.
O discurso, segundo o cientista político Oliver Lembcke, foi uma tentativa de “governar na defensiva” e impedir que o debate se concentre na sua pessoa. Merz descreveu suas reformas como “antídoto contra o veneno do autoritarismo”, referindo‑se à AfD e às acusações de conivência com grupos neonazistas.
Apesar da retórica otimista, a implementação das reformas está travada por divergências com o parceiro de coalizão, o Partido Social‑Democrata (SPD), e por disputas internas dentro da própria CDU.
Desafios Internos e da Coalizão
A CDU enfrenta uma rejeição de 90% nas pesquisas recentes, refletindo o descontentamento dos eleitores com a condução do governo. Dentro do partido, há críticas sobre a liderança de Merz e sobre a falta de resultados concretos nas áreas de migração e economia.
O SPD, por sua vez, também registra baixos índices de popularidade, o que complica ainda mais o casamento de conveniência formado após as eleições legislativas de 2025. As negociações para definir uma agenda de trabalho conjunta têm sido marcadas por impasses e pela necessidade de concessões que podem enfraquecer ainda mais a posição da coalizão.
A presença da AfD, que lidera as pesquisas nacionais com cerca de 30% das intenções de voto – aproximadamente 10 pontos à frente da CDU – dificulta a formação de alianças estáveis. A recusa de outros partidos em colaborar com a AfD, devido ao seu alinhamento com figuras como Donald Trump e Vladimir Putin, cria um cenário de fragmentação política.
Perspectivas para o Futuro da CDU e da Alemanha
Merz tem 70 anos e está no poder há apenas 16 meses. Sua capacidade de reverter a maré de rejeição dependerá de duas frentes: reconquistar a confiança dos eleitores e encontrar um consenso viável com o SPD. A estratégia de enfatizar sucessos na política migratória pode não ser suficiente, já que os eleitores que migraram para a AfD não retornaram à CDU.
Analistas apontam que a CDU precisará repensar sua mensagem, investir em propostas claras de crescimento econômico e demonstrar resultados tangíveis nos setores de energia e inovação tecnológica. Sem isso, o risco de um novo cenário de instabilidade política aumenta, potencialmente levando a eleições antecipadas ou a um novo governo de coalizão.
Enquanto isso, a AfD continua a consolidar sua presença nas urnas regionais, reforçando a necessidade de a CDU enfrentar não apenas a crise interna, mas também a crescente polarização do espectro político alemão.
O futuro imediato de Merz ainda está em aberto, mas a pressão para que ele apresente um plano de ação concreto e reconquiste a confiança do eleitorado é evidente. Os próximos dias serão decisivos para definir se a CDU conseguirá se reerguer ou se a crise se aprofundará, alterando o panorama político da Alemanha nos próximos anos.








