Giorgia Meloni, primeira‑ministra da Itália, celebrou nesta sexta‑feira, 4 de julho, o marco de ser a chefe de governo mais longeva desde o fim da Segunda Guerra Mundial. O evento aconteceu à beira do mar Adriático, na cidade de Bari, região da Apúlia, e serviu também para anunciar a estratégia da coalizão para as eleições legislativas de 2027.
Um recorde que simboliza estabilidade política
Com 1.413 dias consecutivos no cargo, Meloni ultrapassou o recorde de Silvio Berlusconi, que governou em mandatos não consecutivos. A celebração reuniu milhares de apoiadores, que assistiram a discursos, apresentações culturais e a entrega de um livreto de 30 páginas detalhando as conquistas do governo.
O livreto destaca, entre outros indicadores, a queda do desemprego para 5,8 % em julho, a redução de 21 bilhões de euros em impostos para pessoas físicas e a diminuição de 80 % na chegada de imigrantes irregulares. Esses números foram apresentados como prova de que a estabilidade traz resultados concretos.
Conquistas econômicas e sociais apontadas pelo governo
Além dos indicadores citados, o governo de Meloni enfatizou a melhoria das contas públicas e a redução do custo do endividamento nos mercados internacionais. Segundo o La Repubblica, a dívida pública apresentou leve queda nos últimos quatro anos, o que reforça a credibilidade fiscal do país.
Para tornar a informação mais acessível, o livreto inclui a seguinte lista de realizações:
- Desemprego em 5,8 % – menor nível registrado nos últimos anos.
- Redução de 21 bilhões de euros em tributos sobre a renda das pessoas físicas.
- Queda de 80 % na entrada de imigrantes irregulares.
- Mais de 300 leis e decretos‑leis aprovados, com foco em segurança e controle migratório.
- Estabilização das contas públicas e diminuição do custo da dívida.
Essas medidas foram justificadas como parte de um plano de longo prazo para garantir crescimento sustentável e segurança nacional.
Críticas e questionamentos sobre a estratégia de longo prazo
Especialistas apontam que a estabilidade, embora importante, não pode ser o único objetivo de um governo. Veronica De Santis, professora de Economia da Universidade Luiss, alertou que o país ainda carece de uma estratégia econômica robusta, sobretudo diante de um crescimento projetado de apenas 0,6 % para o ano corrente.
De Santis também criticou a falta de políticas de inovação e investimento em infraestrutura, áreas que, segundo ela, são essenciais para elevar a produtividade e gerar empregos de qualidade.
Outros analistas ressaltam que a ênfase excessiva em medidas de segurança e controle migratório pode limitar a capacidade do país de atrair talentos estrangeiros, fator decisivo para a competitividade europeia.
O cenário político e as próximas eleições
A coalizão governista, formada por Irmãos da Itália, Força Itália e a Liga de Matteo Salvini, tem mantido uma agenda centrada na segurança, imigração e apoio à Ucrânia. Enquanto o La Stampa e o Corriere della Sera elogiam a postura firme de Meloni em relação ao conflito ucraniano, críticos apontam que a falta de consenso interno pode gerar atritos nas próximas campanhas.
Flavia Perina, colunista do La Stampa, enfatizou que Meloni precisará explicar como pretende transformar a estabilidade política em crescimento econômico nos últimos dois anos antes das eleições de 2027. Alessandra Sardoni, da La7, acusou a primeira‑ministra de usar o “realismo” como álibi para um possível imobilismo legislativo.
Com 68 governos nos últimos 80 anos, a Itália tem um histórico de instabilidade que Meloni conseguiu romper. No entanto, a pergunta que permanece é se essa estabilidade será suficiente para garantir um futuro próspero e inovador para o país.
Em seu discurso, Meloni afirmou que o recorde é “um marco recebido com gratidão e forte senso de responsabilidade”. Ela reforçou que a confiança dos italianos não é “carta branca”, mas um convite a avançar com propostas concretas para os próximos anos.
O próximo passo da liderança será definir o programa eleitoral que será apresentado em 2027, buscando consolidar a base de apoio enquanto tenta atrair eleitores indecisos que demandam crescimento econômico e oportunidades de emprego.








