Em declarações feitas no sábado, 31 de outubro, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o governo americano não participou diretamente da saída de Flávio Bolsonaro, senador do PL, do território brasileiro. O senador deixou o país após a derrota nas eleições presidenciais, enquanto enfrentava um pedido de apreensão de passaporte apresentado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Contexto político e judicial
Flávio Bolsonaro foi alvo de um pedido de restrição de passaporte emitido pelo Supremo Tribunal Federal, que buscava impedir sua saída do país enquanto investigações eram conduzidas. A medida foi motivada por suspeitas de envolvimento em supostos esquemas de fraude e lavagem de dinheiro ligados ao seu nome.
Apesar da ordem judicial, o senador conseguiu embarcar em um avião particular que o levou até a fronteira com a Argentina, onde recebeu apoio de autoridades locais para atravessar o território. O episódio gerou intenso debate no Brasil, com críticas de opositores que acusam tentativa de fuga e elogios de apoiadores que defendem o direito de livre circulação.
A imprensa internacional também cobriu o caso, apontando possíveis ligações entre membros da antiga administração Trump e o governo argentino de Javier Milei. Essas reportagens alimentaram teorias de que haveria um acordo clandestino para facilitar a viagem do senador.
Declarações de Marco Rubio
Em entrevista coletiva, o secretário de Estado dos EUA deixou claro que as autoridades americanas não participaram de nenhuma negociação ou preparação para a viagem de Flávio Bolsonaro. “Não estávamos envolvidos em nenhum dos acordos ou preparativos que ele fez para deixar o país. Pelo menos, o governo dos Estados Unidos não participou diretamente de nenhuma das ações realizadas”, afirmou Rubio.
No entanto, o diplomata confirmou que o ex‑presidente Donald Trump teria sinalizado disposição para conceder ao senador uma autorização condicional de permanência nos EUA, conhecida como “parole”. Segundo Rubio, Flávio recebeu essa autorização ao se apresentar em um posto oficial de imigração americano.
Rubio também anunciou que pretende se encontrar com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, durante o fórum do G7, que será realizado na França. O encontro tem como objetivo discutir a cooperação bilateral em questões de segurança e migração, embora não tenha sido especificado se o caso de Flávio Bolsonaro será abordado diretamente.
Detalhes da logística da fuga
Investigações do Wall Street Journal revelaram que Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, teria ajudado a viabilizar o avião particular utilizado na operação. A aeronave pertencia à empresa de fretamento Baires Fly e foi preparada para transportar o senador, sua família e equipe de apoio.
Segundo o jornal, após cruzar a fronteira brasileira com a Argentina, Flávio Bolsonaro foi acompanhado por agentes da polícia aeroportuária argentina até o controle migratório do Aeroporto Internacional das Cataratas do Iguaçu. Lá, ele teria sido recebido por representantes da empresa de fretamento e por colaboradores de Milei.
Um dos principais auxiliares do presidente argentino, Santiago Caputo, teria mantido contato constante com Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que reside nos Estados Unidos desde 2023. O objetivo era coordenar detalhes como horário de partida, rotas de voo e documentos necessários para a entrada nos EUA.
- Jason Miller – assessor da Casa Branca, responsável por organizar o voo.
- Santiago Caputo – colaborador de Milei, facilitou a comunicação entre Eduardo Bolsonaro e a equipe de logística.
- Baires Fly – empresa de fretamento que forneceu a aeronave.
- Polícia aeroportuária argentina – acompanhou o senador até o controle migratório.
Esses elementos sugerem uma rede de apoio que envolveu atores de três países diferentes, embora nenhum documento oficial tenha confirmado a existência de um acordo formal entre os governos.
Repercussões internacionais
A negação de envolvimento direto dos EUA por parte de Marco Rubio não impediu que o caso gerasse tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos. O governo brasileiro ainda não se pronunciou oficialmente sobre as alegações de apoio de Trump à permanência de Flávio Bolsonaro nos EUA.
Especialistas em direito internacional apontam que a concessão de “parole” pode ser considerada um ato discricionário do Departamento de Segurança Interna dos EUA, que não requer aprovação do presidente, mas costuma ser coordenada com outras agências.
Por outro lado, críticos da política externa americana argumentam que a postura de silêncio pode ser interpretada como uma forma de legitimação de fugas de políticos sob investigação, o que poderia comprometer a imagem dos EUA como defensor do Estado de Direito.
O caso ainda será analisado nas próximas semanas, especialmente durante o encontro do G7, onde a cooperação em matéria de segurança e justiça será pauta central. Observadores esperam que o debate sobre a fuga de Flávio Bolsonaro sirva de ponto de partida para discutir protocolos de cooperação judicial entre nações.








