Na manhã de ontem, em Porto Alegre, a ex‑deputada Manuela D’Ávila (Psol‑RS) acusou publicamente o candidato a vice‑presidente, deputado Alfredo Gaspar (PL‑AL), de ter cometido estupro. A fala foi feita durante o ato “Bora Virar”, que reuniu apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O episódio ganhou grande repercussão nas redes sociais, principalmente entre perfis bolsonaristas.
Acusações e contexto político
Manuela D’Ávila utilizou o microfone do evento para afirmar que não se pode permitir que um homem que teria estuprado uma menina da idade de sua filha ocupe a vice‑presidência. Ela repetiu a acusação duas vezes, pedindo que o público se mobilizasse contra a candidatura de Gaspar. Não foram apresentadas provas documentais ou testemunhais que sustentem a alegação durante a manifestação.
O deputado Alfredo Gaspar, relator da CPMI do INSS, integra a chapa de Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) para a disputa presidencial. As pesquisas recentes colocam a aliança Bolsonaro‑Gaspar à frente de Lula, que busca a reeleição. A acusação de Manuela surge em um momento de alta tensão entre os dois blocos, com o clima de campanha se intensificando nas semanas que antecedem o segundo turno.
Reações das autoridades e do candidato
O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, no dia 7 de outubro, determinou o arquivamento do pedido da Polícia Federal para abrir inquérito contra Gaspar por estupro. A decisão seguiu a manifestação da Procuradoria‑Geral da República, que concluiu que não havia indícios concretos que justificassem a investigação.
O pedido de investigação havia sido apresentado pelos deputados Lindbergh Farias (PT‑RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (Podemos‑MS). Ambos não apresentaram provas que corroborassem a acusação, o que reforçou a conclusão das autoridades de que não havia fundamento legal para prosseguir.
A defesa de Flávio Bolsonaro divulgou que tomará medidas judiciais contra Manuela D’Ávila, alegando que ela “insistiu em atribuir falsamente a prática de um crime infame”. O comunicado citou precedentes do Tribunal Superior Eleitoral que classificam esse tipo de declaração como fake news e alertou para possíveis responsabilizações criminais.
Alfredo Gaspar, por sua vez, demonstrou irritação ao ser questionado. Em entrevista à imprensa, ele afirmou que “o jurídico está acionando quem pratica crime contra a minha honra” e descreveu Manuela como “fracassada e criminosa”.
Implicações para a campanha eleitoral
As acusações de Manuela D’Ávila podem influenciar a percepção dos eleitores indecisos, sobretudo aqueles que ainda não definiram seu voto entre Lula e Bolsonaro. O uso de alegações graves sem comprovação pode reforçar a narrativa de que a campanha está se tornando um “vale‑tudo”, como alertou a defesa de Gaspar.
Especialistas em comunicação política apontam que a disseminação de informações não verificadas tende a gerar desconfiança nas instituições. Eles recomendam que os partidos adotem estratégias de verificação de fatos para evitar que notícias falsas comprometam a credibilidade dos candidatos.
- Partido Liberal (PL) – candidato à vice‑presidência
- Partido Socialista (PSOL) – Manuela D’Ávila
- Partido dos Trabalhadores (PT) – presidente Lula
- Podemos – senadora Soraya Thronicke
Enquanto isso, a campanha de Lula continua focada na defesa de seu legado e na proposta de continuidade de políticas sociais. Por outro lado, a aliança Bolsonaro‑Gaspar tem buscado destacar temas de segurança pública e combate à corrupção, tentando neutralizar o impacto de possíveis escândalos.
O cenário eleitoral de 2026 ainda está em formação, e episódios como o protagonizado por Manuela D’Ávila mostram que a disputa pode se intensificar ainda mais nas próximas semanas. Observadores internacionais já sinalizaram que o Brasil viverá um dos processos eleitorais mais polarizados da história recente.








