Na manhã de terça‑feira, enquanto o plenário do Supremo Tribunal Federal analisava a possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, mais de vinte manifestantes chegaram aos arredores da Corte, na Praça dos Três Poderes, em Brasília. O grupo, reunido após um ato convocado por Romeu Zema e Bia Kicis, expressou forte indignação e exigiu mudanças simbólicas no espaço da Justiça. O protesto ocorreu em um momento de tensão entre Moraes e o ministro André Mendonça, que tem sido marcada por trocas de farpas no próprio plenário.
Contexto da manifestação
O encontro dos manifestantes coincidiu com a sessão mais delicada da história recente do STF, na qual se discute a conduta do próprio magistrado. A investigação, ainda em fase preliminar, tem gerado debates acalorados entre juristas, políticos e a sociedade civil. A presença de Romeu Zema, governador de Minas Gerais, e da deputada Bia Kicis, conhecida por suas posições conservadoras, reforçou a carga política do ato.
Segundo relatos de participantes, a decisão de se deslocar até o entorno da Corte foi estratégica: “Queremos estar perto do centro da decisão, mas também queremos mostrar que a população acompanha cada passo”. O grupo chegou por volta das 10h30, horário local, e rapidamente se organizou em torno de um pódio improvisado.
O clima no local era de expectativa. Enquanto alguns manifestantes seguravam cartazes, outros gravavam vídeos para as redes sociais, tentando ampliar o alcance da mensagem. A segurança do STF, porém, manteve as portas principais fechadas, impedindo a aproximação direta ao edifício.
Reações dos manifestantes
Os manifestantes foram categóricos ao afirmar que a Praça dos Três Poderes deveria ser renomeada para “Praça do Moraes”, em referência ao magistrado que, segundo eles, tem exercido poder absoluto sobre o espaço. “Ele faz e acontece com esse espaço quando e como bem entende”, declarou um dos participantes, enfatizando a percepção de autoritarismo.
Além da proposta de renomeação, o grupo destacou a necessidade de maior transparência nas decisões do STF. Em declarações coletivas, eles citaram a falta de acesso a informações claras sobre o processo investigativo, o que alimenta desconfiança entre a população.
Os manifestantes também criticaram a postura de alguns ministros que, em seu entender, teriam adotado uma postura de “alfinetada” contra Moraes, dificultando um ambiente de diálogo institucional. “Precisamos de respeito mútuo entre os membros do Tribunal, e não de ataques pessoais”, afirmou outro participante.
Demandas e propostas
Durante o protesto, foram apresentadas quatro demandas principais, que foram organizadas em lista para facilitar a compreensão do público e dos órgãos responsáveis:
- Renomeação da praça: mudar o nome da Praça dos Três Poderes para “Praça do Moraes”, simbolizando a influência do ministro.
- Transparência nas investigações: publicação de relatórios parciais sobre o andamento da investigação contra o magistrado.
- Revisão de procedimentos internos: criação de um comitê independente para avaliar possíveis abusos de poder dentro do STF.
- Diálogo entre poderes: realização de encontros regulares entre representantes do Legislativo, Executivo e Judiciário para reduzir tensões.
Os organizadores ressaltaram que a lista não é exaustiva, mas representa os pontos que consideram essenciais para restaurar a confiança da população nas instituições. Cada demanda foi acompanhada de argumentos baseados em princípios constitucionais, como a separação dos poderes e o direito à informação.
Impacto político e perspectivas
Analistas políticos apontam que o protesto, embora pequeno em número, pode ter repercussões significativas. A presença de figuras como Romeu Zema e Bia Kicis indica que o tema está sendo usado como ferramenta de mobilização eleitoral, sobretudo nas próximas eleições municipais e estaduais.
Além disso, o episódio pode pressionar o plenário do STF a acelerar a tramitação da investigação, já que a imagem de um Tribunal isolado dos cidadãos pode ser prejudicial. “A pressão popular, mesmo que limitada, tem o poder de influenciar a agenda dos ministros”, afirma a professora de Direito Constitucional da Universidade de Brasília.
Por outro lado, críticos do protesto argumentam que a proposta de renomear a praça pode ser vista como uma tentativa de idolatria a um magistrado que ainda não foi condenado. Eles alertam para os riscos de transformar símbolos públicos em homenagens a figuras controversas.
O futuro da demanda ainda depende de decisões legislativas e da própria autonomia do STF. Enquanto isso, a população de Brasília continua atenta, acompanhando as transmissões ao vivo e os debates nas redes sociais, que já ultrapassaram a marca de 200 mil interações.
Em síntese, o protesto demonstra a complexa relação entre poder judiciário, política partidária e sociedade civil, revelando que, mesmo em tempos de alta institucional, a voz dos cidadãos ainda busca espaço nos corredores da justiça.








