Neste sábado, 17 de novembro, milhares de manifestantes se reuniram em diversas cidades dos Estados Unidos para incentivar o voto antecipado antes da eleição de meio de mandato marcada para 3 de novembro. O movimento, organizado pelo grupo No Kings, promoveu atos em Nova Iorque, Washington, Atlanta, Kentucky e outras localidades, com o objetivo de levar eleitores às urnas mais cedo.
Mobilização nas cidades americanas
Em Nova Iorque, centenas de pessoas se concentraram em frente ao Lincoln Memorial, onde uma banda local tocou mesmo com o frio intenso. Entre os cartazes, surgiram frases como “vote cedo” e “tirem as mãos do meu voto”, reforçando a mensagem central do protesto.
Em Washington, o grupo No Kings coordenou uma série de comícios simultâneos, destacando a importância de registrar o voto antes da data oficial. O vereador de Atlanta, Michael Julian Bond, subiu ao palco e pediu que os participantes convencessem familiares e vizinhos a votar antecipadamente, usando a analogia do voto como um “poder de super‑herói”.
No Kentucky, o presidente Donald Trump realizou um discurso voltado ao eleitorado republicano, prometendo investimentos e benefícios caso os republicanos controlassem o Congresso. A plateia, dividida, reagiu com aplausos parciais e silêncio, demonstrando a polarização presente nos eventos.
Discursos de Trump e promessas controversas
Durante o comício no Kentucky, Trump afirmou que a guerra com o Irã terminaria em breve e que o preço da gasolina cairia. Além disso, reiterou a promessa de que, se os republicanos conquistassem a Câmara e o Senado, cada adulto americano receberia US$ 5 mil – medida que, segundo a Associated Press, custaria mais de US$ 1 trilhão e exigiria aprovação do Congresso.
Ele também fez uma promessa específica para o estado, dizendo que o Departamento de Defesa investiria na revitalização de uma fábrica de medicamentos local, caso os republicanos vencessem. Em seguida, alertou que o país entraria em depressão econômica se os democratas assumissem o poder, acusando o Partido Democrata de querer extinguir o Senado e a Suprema Corte – alegações sem fundamento nas plataformas oficiais.
- Promessa de US$ 5 mil por adulto – custo estimado em mais de US$ 1 trilhão.
- Investimento em fábrica de medicamentos no Kentucky.
- Fim da guerra com o Irã e queda dos preços da gasolina.
Trump ainda criticou o deputado Thomas Massie, que havia defendido a divulgação dos arquivos de Jeffrey Epstein e se oposto à guerra com o Irã. O presidente chamou Massie de “idiota” e “perdedor”, apresentando Ed Gallrein como seu substituto mais leal. A reação do público foi dividida, com metade aplaudindo e a outra metade permanecendo em silêncio.
Desafios legais e reação dos eleitores
Na quinta‑feira, 15 de novembro, o governo federal entrou com uma ação contra autoridades eleitorais da Califórnia, pedindo que um juiz impeça a contagem de votos por correio de pessoas que o governo identificou como “provavelmente” não cidadãs, até que sua situação imigratória seja confirmada. Na sexta‑feira, o Departamento de Justiça alertou que funcionários locais que processam esses votos correm risco de investigação criminal.
Essas medidas reforçam a longa campanha de Trump contra o voto pelo correio, alegando, sem provas, que fraudes eleitorais lhe custaram a vitória em 2020. A estratégia de pressionar o voto antecipado nas ruas parece, portanto, parte de um esforço mais amplo para mudar as regras eleitorais antes da eleição de meio de mandato.
Os senadores democratas Alex Padilla (Califórnia), Sheldon Whitehouse (Rhode Island) e Dick Durbin (Illinois) criticaram as ações do governo, defendendo a integridade do processo eleitoral e a inclusão de todos os eleitores, independentemente de seu status migratório, desde que cumpram as exigências legais.
Enquanto isso, o movimento No Kings continua a organizar atos em outras cidades, mantendo a pressão sobre eleitores e autoridades. A expectativa é que, nos próximos dias, mais protestos ocorram, reforçando a mensagem de que cada voto conta e que a participação antecipada pode ser decisiva para o resultado final das eleições.








