Na noite de quarta‑feira, 7 de outubro, o corpo do juiz Gustavo de Castro Campos foi localizado dentro de um carro em chamas na zona rural de São João da Boa Vista, interior de São Paulo. A descoberta ocorreu por volta das 22h, quando moradores da região avistaram fumaça densa e acionaram as autoridades. O caso foi registrado como morte suspeita e está sob investigação da Polícia Civil local.
Detalhes da tragédia
Segundo o boletim policial, o veículo foi encontrado abandonado próximo a uma estrada de terra, com sinais evidentes de combustão que dificultaram a identificação imediata da vítima. Equipes de bombeiros atuaram no local para conter as chamas, enquanto peritos da perícia criminal recolheram vestígios que possam esclarecer as circunstâncias do incêndio.
As primeiras análises apontam que o carro apresentava sinais de violação, porém ainda não há confirmação sobre a presença de terceiros no momento do incidente. A perícia ainda vai analisar o registro de chamadas de emergência, imagens de câmeras de segurança da região e possíveis rastros de substâncias inflamáveis.
Até o momento, a polícia não descartou nenhuma hipótese, incluindo a possibilidade de crime premeditado, acidente ou suicídio. A investigação está em fase inicial, e as autoridades pedem que qualquer pessoa que tenha presenciado algo na noite do ocorrido entre em contato com a delegacia responsável.
Carreira e trajetória do magistrado
Gustavo de Castro Campos nasceu em Mogi das Cruzes, em 1981, e formou‑se em Direito pelo Centro Universitário Braz Cubas. Antes de ingressar na magistratura, atuou como delegado da Polícia Civil do Espírito Santo, acumulando experiência no combate ao crime organizado.
Em 2014, foi aprovado no concurso da magistratura paulista, assumindo o cargo de juiz substituto na 14ª Circunscrição Judiciária, com sede em Barretos. Ao longo da sua trajetória, passou por diferentes comarcas, consolidando uma reputação de rigor e comprometimento.
- 2014 – Nomeação como juiz substituto na 14ª Circunscrição Judiciária (Barretos).
- 2016 – Transferência para a comarca de Tambaú, onde atuou em processos de família e cíveis.
- 2018 – Nomeação como titular da 2ª Vara da Comarca de Mococa, responsável por casos criminais de maior complexidade.
- Antes da magistratura – Década como delegado da Polícia Civil do Espírito Santo, com destaque em operações contra tráfico de drogas.
- Formação acadêmica – Direito pelo Centro Universitário Braz Cubas, concluído em 2004.
Durante sua passagem por Mococa, o juiz foi reconhecido por decisões que reforçaram a segurança pública e por iniciativas de mediação comunitária. Colegas relataram que ele mantinha uma postura acessível, incentivando o diálogo entre as partes envolvidas nos processos.
Repercussões e investigação
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ‑SP) emitiu nota oficial lamentando a perda do magistrado e destacando sua dedicação ao serviço público. A nota também ressaltou o comprometimento do juiz com a justiça e a ética profissional, além de expressar solidariedade aos familiares.
Na esfera investigativa, a Polícia Civil abriu um inquérito para apurar a causa da morte. Os peritos vão analisar amostras de combustível, vestígios de explosão e possíveis impressões digitais no interior do veículo. Também será verificado se há registros de ameaças ou processos judiciais que possam estar relacionados ao magistrado.
Especialistas em segurança jurídica apontam que a morte de um juiz em circunstâncias suspeitas pode gerar impactos significativos na percepção de segurança dos operadores do direito. Eles recomendam que as instituições reforcem protocolos de proteção e que haja maior comunicação entre o poder judiciário e as forças de segurança.
Reações da comunidade jurídica
Advogados, promotores e servidores do judiciário de diversas regiões expressaram pesar nas redes sociais e em declarações públicas. Muitos destacaram a importância do trabalho de Campos na região de Mococa, especialmente no combate à criminalidade rural.
Associações de magistrados solicitaram que o caso receba prioridade nas investigações, a fim de garantir clareza e justiça. Elas também enfatizaram a necessidade de apoio psicológico aos colegas que convivem diariamente com situações de risco.
Enquanto a comunidade jurídica aguarda respostas definitivas, a família do juiz permanece em luto, recebendo o apoio de amigos e instituições. O funeral foi marcado para o início da próxima semana, com cerimônia privada e homenagem oficial no plenário do TJ‑SP.








