Na última semana que antecede o segundo turno das eleições, as redes sociais revelaram quem está dominando o debate digital. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve a pauta do fim da escala 6×1 como o assunto de maior alcance, enquanto o senador Flávio Bolsonaro registrou seu pico de audiência ao divulgar um trecho da sabatina do rival na TV Globo. Os números, analisados pela Ativaweb DataLab, mostram diferenças marcantes nas estratégias de comunicação dos dois candidatos.
Desempenho de Lula nas plataformas digitais
Lula consolidou uma presença constante e volumosa no Instagram, publicando 107 posts em sete dias. Quatro desses conteúdos, focados no encerramento da escala 6×1, acumularam 61,1 milhões de visualizações, sendo que o vídeo mais assistido chegou a 40,5 milhões de visualizações. Essa estratégia de frequência e de temas ligados ao cotidiano dos trabalhadores parece ter reforçado a imagem do petista como defensor direto das demandas populares.
Além das visualizações, o presidente também avançou na conquista de seguidores. No sábado, dia 17, ele contava com 17,5 milhões de seguidores, número que supera em 3,3 milhões o de Flávio Bolsonaro, a maior diferença registrada desde a primeira votação. Desde o primeiro turno, Lula ganhou 1,73 milhão de novos seguidores, ultrapassando o acréscimo de 1,5 milhão do senador.
O engajamento por publicação, porém, ficou abaixo do registrado pelo adversário. Cada post de Lula gerou, em média, 8,7 mil novos seguidores, enquanto Flávio chegou a 35,5 mil por conteúdo. Ainda assim, a soma total de seguidores conquistados por Lula na última semana foi de 934,6 mil, um número expressivo que reforça a eficácia da estratégia de volume.
Flávio Bolsonaro e a tática de alto impacto
Flávio Bolsonaro adotou uma abordagem diferente, concentrando-se em poucos, mas potentes, conteúdos. Seu vídeo mais visto, com 7,1 milhões de visualizações, reproduziu um trecho da sabatina de Lula, no qual o presidente admitiu desconhecer que o Bolsa Família não havia sido reajustado. Essa escolha de explorar a entrevista do adversário gerou maior alcance do que os próprios trechos de sua própria sabatina.
Em termos de engajamento, o senador superou o presidente. A taxa de engajamento de Flávio subiu para 7,5 %, contra 4,09 % de Lula. A média de curtidas por publicação também foi superior, ultrapassando um milhão de likes em cada post, enquanto Lula registrou cerca de 616 mil curtidas por publicação.
Embora tenha publicado apenas 16 vezes na mesma semana, Flávio manteve uma taxa de retorno proporcional muito alta. Cada postagem atraiu, em média, 35,5 mil novos seguidores, um número quatro vezes maior que o de Lula. Essa estratégia de “qualidade sobre quantidade” parece ter sido pensada para maximizar o impacto de cada mensagem.
Comparativo de métricas e alcance
- Visualizações totais: Lula – 61,1 milhões (pauta 6×1); Flávio – 7,1 milhões (vídeo da sabatina).
- Seguidores novos (última semana): Lula – 934,6 mil; Flávio – 568,3 mil.
- Taxa de engajamento: Lula – 4,09 %; Flávio – 7,5 %.
- Média de curtidas por post: Lula – 616 mil; Flávio – mais de 1 milhão.
- Média de novos seguidores por post: Lula – 8,7 mil; Flávio – 35,5 mil.
Esses indicadores revelam duas linhas de ação distintas. Enquanto Lula aposta na constância e na agenda de pautas que afetam diretamente a vida dos eleitores, Flávio busca gerar picos de atenção ao explorar momentos de maior repercussão, como a própria entrevista do rival.
O número de comentários também demonstra diferenças de comportamento da base. Lula lidera com cerca de 102 mil comentários por post, em contraste com 66 mil de Flávio. Isso indica que, apesar de menor taxa de engajamento, o presidente tem um público mais propenso a interagir por escrito, possivelmente refletindo debates mais aprofundados.
Implicações para a reta final da campanha
Na corrida eleitoral, a presença digital pode ser decisiva para mobilizar eleitores, especialmente em um cenário de alta polarização. A estratégia de Lula, ao manter uma agenda de publicações diárias, garante que sua mensagem esteja sempre presente na timeline dos seguidores, reforçando a narrativa de um governo atento às necessidades do povo.
Por outro lado, a tática de Flávio de concentrar esforços em conteúdos de grande repercussão pode ser vista como uma tentativa de criar momentos de virada, capturando a atenção de eleitores indecisos ou de quem ainda não tem uma preferência clara. O uso de trechos da sabatina de Lula, por exemplo, serve tanto para criticar o adversário quanto para gerar discussões virais.
Os dados sugerem que, apesar de menor volume de publicações, Flávio conseguiu transformar cada postagem em um evento de alto impacto, refletido nas métricas de engajamento e de crescimento de seguidores por publicação. Essa abordagem pode ser particularmente eficaz nos últimos dias de campanha, quando cada ponto de atenção pode influenciar a decisão do eleitor.
Entretanto, a diferença de alcance total ainda favorece Lula, que acumulou mais de 60 milhões de visualizações apenas com a pauta da escala 6×1. Esse número demonstra que a mensagem de encerramento da reforma trabalhista tem repercutido amplamente, possivelmente mobilizando eleitores que se sentem diretamente afetados.
Em síntese, a análise da Ativaweb DataLab evidencia que duas estratégias podem coexistir e gerar resultados positivos: a frequência e a consistência de Lula versus a concentração e o alto impacto de Flávio. O que determinará o vencedor será a capacidade de transformar esses números digitais em votos reais nas urnas.
Para os analistas políticos, esses indicadores digitais são mais do que simples métricas de popularidade; eles funcionam como termômetros da opinião pública, apontando quais mensagens estão resonando e quais segmentos da população estão mais engajados. Assim, a campanha que souber alinhar sua presença online com ações de campo terá maior chance de converter o engajamento virtual em apoio nas urnas.
Observadores internacionais também acompanham de perto esses indicadores, pois a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro reflete tendências mais amplas de como candidatos utilizam as redes sociais para moldar narrativas eleitorais. A capacidade de gerar conteúdo viral, ao mesmo tempo em que mantém um fluxo constante de mensagens, pode ser um diferencial decisivo em eleições futuras.
Por fim, resta aguardar o desfecho da corrida. Enquanto Lula continua a ampliar sua base de seguidores e a consolidar sua agenda de pautas populares, Flávio Bolsonaro demonstra que, mesmo com menos publicações, pode alcançar níveis elevados de engajamento e gerar picos de atenção que podem mudar o rumo da disputa. O próximo fim de semana será crucial para observar como essas estratégias se traduzirão em apoio nas urnas.








