Em 5 de outubro de 2026, após o primeiro turno das eleições presidenciais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou sobre a “promiscuidade” que, segundo ele, estaria instalada no Supremo Tribunal Federal. Em reunião com a equipe de campanha, o petista destacou a necessidade de enfrentar esse desafio nos próximos 20 dias que antecedem o segundo turno.
Desafios e críticas ao STF
Lula afirmou que seu grupo carrega “uma coisa muito grave”, referindo‑se à suposta mistura de interesses que, em sua visão, compromete a imparcialidade da Corte. Para o presidente, a confiança da população na Suprema Corte está em baixa, o que pode influenciar a percepção dos eleitores sobre todo o processo democrático.
Durante o discurso, o mandatário ressaltou que ninguém está acima da lei, inclusive os ministros do STF. Essa frase, repetida em várias ocasiões, tem como objetivo reforçar a ideia de igualdade perante a justiça, independentemente da posição ocupada.
Ao citar a “promiscuidade” estabelecida, Lula não detalhou casos específicos, mas apontou para um padrão de decisões que, segundo ele, favorecem grupos de poder. Essa crítica se insere em um debate mais amplo sobre a independência do Judiciário no Brasil.
O presidente também mencionou que a situação exige uma discussão aberta na sociedade civil, envolvendo juristas, parlamentares e cidadãos. Ele sugeriu que o tema deve ser colocado na agenda pública antes da campanha intensificar.
Reforma do Judiciário como prioridade
Em resposta à percepção de fragilidade institucional, Lula propôs uma nova reforma do Judiciário. Entre as mudanças sugeridas, está a revisão dos critérios de escolha dos ministros indicados pelo presidente e aprovados pelo Senado.
O petista defendeu ainda a possibilidade de estabelecer mandato limitado para os ministros do STF, ideia que tem ganhado força em alguns círculos acadêmicos. Segundo ele, um mandato fixo poderia reduzir a influência de interesses externos ao longo do tempo.
Para tornar a proposta mais concreta, Lula enumerou quatro pontos principais que deveriam ser debatidos:
- Transparência nos processos de indicação e aprovação.
- Critérios de meritocracia e experiência jurídica comprovada.
- Limitação de mandato de dois ou três mandatos de oito anos.
- Participação de representantes da sociedade civil na avaliação dos candidatos.
Essas sugestões foram apresentadas como parte de um plano mais amplo de fortalecimento institucional, que visa restaurar a confiança da população nas decisões judiciais.
Lula destacou que a reforma não deve ser vista como um ataque ao Judiciário, mas como um ajuste necessário para garantir sua legitimidade. Ele enfatizou que a mudança precisa ser feita dentro dos marcos constitucionais vigentes.
Estratégia de campanha para o segundo turno
Com a meta de reconquistar eleitores que abstiveram no primeiro turno, Lula pediu à sua base que investigue as razões da baixa comparecência de cerca de 30 milhões de cidadãos. O presidente considerou essencial transformar essa ausência em oportunidade de mobilização.
Para isso, a equipe de campanha planeja uma série de ações intensivas, incluindo entrevistas em rádio, visitas a cidades estratégicas, passeatas e presença marcante nas ruas. Cada atividade será coordenada para alcançar eleitores indecisos nas últimas duas semanas.
Além das ações presenciais, Lula ressaltou a importância dos debates televisivos, que ganharão ainda mais relevância no cenário de um confronto direto entre os dois candidatos. “Agora é um contra um”, declarou o presidente, reforçando a necessidade de clareza nas propostas.
O candidato também propôs a comparação detalhada entre as trajetórias e os programas de governo, buscando evidenciar diferenças substanciais nas políticas públicas. Ele classificou o adversário como alguém que chegou ao poder com discurso antissistema, mas que, segundo Lula, representa “a cara do sistema”.
Para manter a coesão interna, Lula pediu que os aliados não responsabilizem os eleitores pelos resultados do primeiro turno. Ele lembrou derrotas passadas como lições e incentivou a busca de melhorias nos pontos fracos da campanha.
Os 20 dias que antecedem o segundo turno serão, segundo o presidente, marcados por uma campanha mais rápida e eficiente. Cada minuto será dedicado a reforçar a mensagem de continuidade dos projetos sociais e econômicos já implementados.
Entre as táticas de comunicação, a equipe pretende usar listas de prioridades para facilitar o entendimento do eleitorado. Por exemplo, os tópicos que serão destacados nas próximas entrevistas incluem:
- Combate à fome e ampliação do Bolsa Família.
- Investimento em infraestrutura verde e energia renovável.
- Fortalecimento da educação pública e universidades federais.
- Reforma tributária que alivie a carga sobre a classe média.
- Políticas de segurança pública baseadas em prevenção e integração social.
Essas prioridades foram escolhidas com base em pesquisas de opinião que indicam maior preocupação dos eleitores com questões sociais e econômicas.
O discurso de Lula também enfatizou que a vitória no segundo turno depende da capacidade de mobilizar o eleitorado que ficou em casa. Ele prometeu que a campanha será “um retorno ao interesse de participar do processo eleitoral”.
Em síntese, a estratégia combina pressão institucional sobre o STF, proposta de reforma judicial e um plano de campanha agressivo nas ruas e nos meios de comunicação. O objetivo é transformar críticas em oportunidades e consolidar a vitória nas urnas.
Ao final da reunião, Lula reforçou que a luta será travada nos próximos 20 dias, com foco em mensagens claras, ações presenciais e debates televisivos. Ele concluiu que o futuro da democracia brasileira depende da capacidade de unir diferentes setores da sociedade em torno de um projeto comum.








