Na manhã desta segunda‑feira, 12 de outubro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu à decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, que havia determinado a suspensão do canal “Exército do Lula” no WhatsApp. A declaração foi feita durante a missa de Nossa Senhora Aparecida, realizada no Palácio da Alvorada, em Brasília. Lula enfatizou que a chefia da Corte Eleitoral não pode assumir posicionamento político durante a campanha eleitoral.
Decisão do TSE e fundamentos apresentados
Kassio Nunes Marques justificou a medida alegando que o canal se transformou em um vetor de disseminação nacional de informações que a própria Justiça Eleitoral já reconheceu como desprovidas de lastro mínimo. Segundo o magistrado, não se trata de simples mobilização de apoiadores ou crítica política, mas da utilização de uma estrutura de transmissão que atinge milhões de pessoas sob comando único.
Ele destacou que o conteúdo compartilhado continha instruções para contornar as salvaguardas adotadas pelos provedores de serviço, o que poderia comprometer a integridade do processo eleitoral. A decisão foi baseada em três pilares principais:
- Identificação de informações comprovadamente inverídicas pela Corte.
- Uso de um canal único para replicar essas informações em escala nacional.
- Possibilidade de violar as medidas de segurança adotadas pelos provedores de internet e aplicativos.
Horas depois, o corregedor‑geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu a ordem de Nunes Marques e reabilitou o canal, que é coordenado por André Janones. O corregedor solicitou que o caso fosse analisado em plenário de forma urgente, preferencialmente em até 24 horas.
Reação de Lula e defesa da neutralidade institucional
Em sua fala, Lula ressaltou que o presidente do TSE deve manter o “lado da igualdade de comportamento, de procedimento”, garantindo que todos os candidatos tenham os mesmos direitos diante da Justiça Eleitoral. “O que não pode é o presidente da Corte Eleitoral ter lado na política”, afirmou o mandatário, reforçando que a função da instituição é garantir a lisura do pleito, não favorecer ou prejudicar nenhum candidato.
O presidente ainda apontou que, caso haja necessidade de cortar algum conteúdo, a decisão deve ser fundamentada em ilegalidade comprovada, e não em conveniência política. “Ele tem que mostrar qual é a ilegalidade que tem. O lado dele tem que ser o lado da igualdade”, reiterou Lula, sem mencionar diretamente o título da notícia original.
Além da questão do canal no WhatsApp, Lula aproveitou o momento para defender a liberdade religiosa, ao comentar a ofensa a Nossa Senhora Aparecida feita por alguns religiosos. Ele destacou que o respeito à fé de cada pessoa é essencial, sobretudo em um período de campanha onde a religião tem sido usada como ferramenta de debate.
Contexto político, repercussões nas redes e impacto eleitoral
Nos últimos dias, a figura de Nossa Senhora Aparecida tornou‑se centro de um intenso debate eleitoral. Publicações circulavam nas redes sociais alegando que o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à presidência, pretendia retirar o título de Padroeira do Brasil da santa. A informação foi negada pelo próprio filho de Jair Bolsonaro, mas gerou reações de adversários, da CNBB e até de setores da justiça.
O tema foi rapidamente explorado por apoiadores de Lula, que utilizaram o assunto para atacar o adversário e pressionar o TSE a intervir. Em resposta, o Tribunal liberou publicações na web sobre o tema, desde que não associassem a proposta ao candidato do PL ou ao comando do Palácio do Planalto.
Esse embate ilustra como as redes sociais, especialmente o WhatsApp, têm sido palco de disputas de narrativas. A capacidade de disseminar mensagens para milhões de usuários em poucos minutos torna a plataforma um alvo estratégico para campanhas, mas também suscita dúvidas sobre a veracidade e a responsabilidade das informações compartilhadas.
Analistas políticos apontam que a decisão do TSE, a suspensão e posterior reativação do canal, e a reação de Lula podem influenciar a percepção dos eleitores sobre a imparcialidade das instituições. A neutralidade da Justiça Eleitoral é vista como elemento crucial para a confiança no processo democrático, sobretudo a poucos dias do primeiro turno.
Com a campanha entrando em sua fase decisiva, a disputa por narrativas nas redes, o uso de símbolos religiosos e a vigilância sobre possíveis abusos de poder permanecem como fatores determinantes. O desfecho das discussões no plenário do TSE, previsto para ser analisado em até 24 horas, será observado de perto por partidos, candidatos e eleitores, que aguardam garantias de que a disputa será conduzida em um campo de jogo equilibrado.








