Lula foi reeleito para um quarto mandato com 51,79% dos votos no domingo, 25 de outubro, e proferiu seu primeiro discurso como presidente eleito em um hotel de São Paulo, logo após a confirmação oficial do Tribunal Superior Eleitoral. O presidente agradeceu aos eleitores idosos que compareceram às urnas e aos jovens que organizaram manifestações nas ruas, destacando a importância da mobilização popular para a vitória.
Prioridades para os próximos quatro anos
O mandatário listou as áreas que serão foco central de sua gestão: regulação das grandes plataformas digitais, reforço da segurança pública, ampliação da educação em tempo integral e construção de uma relação colaborativa com o Congresso Nacional.
- Regulação das big techs: combate à intromissão nas eleições e garantia de transparência nas redes sociais.
- Segurança: aprovação da PEC da Segurança e recriação do Ministério da Segurança Pública.
- Educação: universalização das escolas de tempo integral até o ensino médio e criação do programa Pé-de-Meia para universitários.
- Congresso: diálogo com parlamentares, mesmo diante do crescimento da oposição.
Regulação das plataformas digitais e combate à intromissão
Lula denunciou a “intromissão das plataformas digitais” durante a campanha, alegando que empresas como a Meta tentaram influenciar o pleito em favor de candidatos adversários. Ele ressaltou que, a partir de agora, o governo trabalhará para criar normas que evitem a manipulação de conteúdo e a retirada de anúncios políticos sem justificativa.
A equipe de campanha do presidente apresentou um relatório da Secretaria Nacional de Comunicação do PT, que apontou que a página do senador Flávio Bolsonaro gerou mais engajamento que a de Lula, apesar de ter menos seguidores. Esse fato, segundo a equipe, evidencia um viés nas ferramentas de distribuição de conteúdo.
Para enfrentar o problema, o governo pretende:
- Estabelecer critérios claros para a moderação de conteúdo político.
- Obrigar as plataformas a divulgar relatórios de transparência sobre anúncios eleitorais.
- Criar um órgão regulador independente para monitorar a atuação das big techs no Brasil.
Segurança pública e a PEC da Segurança
O presidente reiterou seu compromisso com a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança, que prevê a criação do Ministério da Segurança Pública com atribuições ampliadas. Segundo Lula, a medida permitirá uma atuação mais coordenada entre as forças federais, estaduais e municipais para combater a criminalidade.
Ele afirmou que, para os criminosos, a nova legislação trará “prisão” e reforçou a necessidade de políticas preventivas, como investimentos em tecnologia de monitoramento e programas de reintegração social.
Além da PEC, o governo pretende:
- Ampliar o efetivo das polícias civis e militares.
- Implementar sistemas de inteligência artificial para análise de dados criminais.
- Investir em programas de prevenção nas escolas, focando em violência doméstica e uso de drogas.
Educação, juventude e programas de apoio
Lula anunciou a universalização das escolas de tempo integral, que deverão estar disponíveis em todas as cidades brasileiras até o final do ensino médio. O objetivo é proporcionar um ambiente de aprendizado mais completo, com reforço em matemática, engenharia e ciências.
O programa “Pé-de-Meia” será criado para oferecer bolsas de estudo e apoio financeiro a estudantes universitários em situação de vulnerabilidade, garantindo acesso a cursos de graduação e pós-graduação.
O presidente também destacou a importância de fortalecer o ensino de matemática e engenharia nas escolas, argumentando que essas áreas são fundamentais para transformar o Brasil de um país em desenvolvimento para uma nação desenvolvida.
Em suas palavras, o Brasil deve deixar de ser “um país periférico” e tornar‑se “central nas decisões políticas, econômicas e na busca pela paz”.
Relação com o Congresso e o cenário político
Lula reconheceu o crescimento da oposição no Parlamento, especialmente com a presença de parlamentares que apoiaram Flávio Bolsonaro. No entanto, ele enfatizou que não escolheu o Congresso e que governará em parceria com todos os legisladores, respeitando a Constituição.
Ele declarou que não tem mais adversários pessoais, pois seu dever é governar para os 215 milhões de brasileiros e para todas as cidades do país. “Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos”, afirmou.
O presidente também ressaltou que a comunicação digital ganhará ainda mais espaço no próximo mandato, aprendendo com as lições das eleições recentes e prometendo mudar a forma de governar o país.
Ao final do discurso, Lula agradeceu a mobilização do deputado André Janones, que coordenou o canal “Exército do Lula” no WhatsApp, reconhecendo o papel das redes sociais como ferramenta de engajamento popular, mas ao mesmo tempo sublinhando a necessidade de regulamentá‑las para evitar abusos.








