Kbrum lançou seu terceiro álbum solo, Raggaleluia, na sexta‑feira, 9 de outubro de 2024, disponibilizando as 14 faixas em todas as plataformas de streaming. O trabalho chega ao público após a participação marcante do artista no single de Anitta, presente no álbum Equilibrium II. O lançamento ocorre no Complexo de Mangueirinha, em Duque de Caxias, reforçando a conexão do cantor com suas raízes da Baixada Fluminense.
O contexto do lançamento
O álbum surge num momento de maior visibilidade para Kbrum, que ganhou destaque nacional ao integrar a faixa “Sal grosso” de Anitta. Essa colaboração funcionou como ponte entre o público pop e a cena underground de ragga, ampliando o alcance da sua música. O sucesso do feat gerou expectativa e criou um ambiente propício para a divulgação de Raggaleluia.
Além disso, o projeto foi preparado sob a direção musical de Warmando, com produção de Áfricanoise e Carlo, profissionais reconhecidos no cenário do dancehall brasileiro. A combinação de talentos técnicos e artísticos garantiu um som coerente com a proposta espiritual que o cantor deseja transmitir.
A identidade sonora de “Raggaleluia”
Com 14 faixas, o álbum explora diferentes vertentes musicais sem perder o foco no ragga e no reggae. Cada música foi construída para evocar sentimentos de celebração, resistência e gratidão, como indica o próprio nome, fruto da fusão entre “ragga” e “aleluia”.
Os arranjos variam entre batidas intensas de dancehall, melodias suaves de reggae e momentos de experimentação que incluem samba, rock, e até influências do amapiano. Essa diversidade reflete a riqueza cultural da Baixada Fluminense, berço de artistas como Cidade Negra.
Um destaque especial é o interlúdio “Na cabeça”, que incorpora elementos de samba, trazendo uma ponte entre a tradição brasileira e a energia caribenha. Já a faixa “Bye bye bye” apresenta guitarras de rock que reforçam a atitude de despedida de relações tóxicas.
Na sequência “Fora da lei”, o ritmo jamaicano de dancehall domina, enquanto “Manipula” traz a cadência do amapiano, demonstrando a versatilidade de Kbrum como compositor e intérprete.
Colaborações e influências
Para enriquecer ainda mais o álbum, Kbrum convidou diversos artistas da cena nacional e internacional. Cada participação traz uma cor distinta ao conjunto, reforçando a ideia de comunidade e troca cultural.
- Bruno Kroz – voz e produção em “Ritmo da Rua”
- Clara Ribeiro – duetos vocais em “Alma Livre”
- Chediak – arranjos de teclados em “Luz do Sol”
- Gugs – percussão afro‑brasileira em “Pulsar”
- Ludom – samples eletrônicos em “Vibração”
- Mascotte – rap em “Rua Sem Saída”
- Maui – coros em “Coração Aberto”
Essas colaborações foram pensadas para criar um diálogo entre diferentes estilos, reforçando a mensagem de unidade que permeia todo o projeto. Kbrum enfatiza que o reggae foi um salvador espiritual, e cada convidado ajuda a traduzir essa experiência em som.
O artista também menciona a influência de bandas históricas da região, como Cidade Negra, e de ícones do reggae jamaicano, que inspiraram a escrita das letras e a escolha dos acordes. A combinação dessas referências cria uma sonoridade única, que dialoga com o público jovem e com os admiradores mais velhos da cultura reggae.
A arte da capa e a mensagem espiritual
A capa de Raggaleluia foi pintada por Rafael Simba e apresenta um Cristo alado, envolto em um manto com as cores da bandeira jamaicana. O artista segurando uma espada e uma balança simboliza justiça e proteção contra as forças negativas.
Essa imagem visual reforça a ideia de que o álbum funciona como um ato de louvor, semelhante a um hino gospel, mas com a energia do ragga. Kbrum descreve o trabalho como um “canto de gratidão” que busca apaziguar a alma dos ouvintes.
Em entrevista, o cantor explicou que, embora tenha sido criado em um lar evangélico, hoje ele se identifica com religiões de matriz africana, o que se reflete tanto nas letras quanto na estética visual do disco. Essa fusão de crenças cria um espaço de inclusão espiritual para todos os públicos.
O lançamento também inclui um vídeo clipe oficial para a faixa “Alma Livre”, que mistura imagens de comunidades periféricas com cenas de natureza tropical, reforçando a conexão entre o urbano e o natural que o reggae costuma celebrar.
Com a divulgação do álbum, Kbrum planeja uma turnê nacional que passará por cidades da Baixada Fluminense, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, buscando levar a mensagem de esperança e resistência a diferentes públicos.
Os ingressos já estão à venda e a expectativa é de shows que combinem música ao vivo com intervenções de dança e artes visuais, criando uma experiência imersiva que reflita a proposta do álbum.
Em resumo, Raggaleluia representa um marco na carreira de Kbrum, consolidando sua posição como um dos principais divulgadores do ragga e do reggae na periferia carioca, ao mesmo tempo em que amplia seu alcance graças à parceria com Anitta. O álbum promete ser um referencial para quem busca sons que curam, inspiram e celebram a vida.








