Uma juíza federal dos Estados Unidos negou neste domingo (1º) a solicitação do governo de Donald Trump que pretendia impedir a certificação da derrota do senador republicano Dan Sullivan nas eleições de meio de mandato no Alasca. A decisão foi proferida em Anchorage e tem implicações diretas sobre a disputa senatorial que ocorrerá na próxima terça‑feira. O caso ganha destaque porque o governo federal tentou, pela primeira vez, interferir no processo de apuração de um estado.
Contexto da disputa senatorial no Alasca
Nas primárias realizadas em agosto, a ex‑deputada federal democrata Mary Peltola liderou a corrida com 49,5% dos votos, seguida pelo incumbente Dan Sullivan, que obteve 41,4%. Um terceiro candidato, Daniel J. Sullivan Jr., recebeu 2,5% dos votos, o equivalente a 4.107 eleitores. De acordo com a legislação eleitoral do Alasca, os quatro candidatos mais votados avançam para a eleição geral, o que significa que os dois Sullivan apareceram na mesma cédula para a vaga no Senado.
Daniel J. Sullivan Jr. é professor aposentado que reside em uma comunidade pesqueira do norte do estado. Em entrevistas concedidas a veículos de imprensa, ele afirmou que sua candidatura não teve a intenção de confundir eleitores nem de desviar votos do senador republicano, mas sim de exercer seu direito democrático.
Ação judicial e decisão da juíza
O governo de Trump, por meio da Casa Branca, entrou com um pedido de medida cautelar alegando que a presença de um candidato com nome semelhante poderia alterar o resultado final da eleição. A juíza federal Sharon Gleason, responsável pela corte em Anchorage, analisou documentos, mensagens de texto e depoimentos que indicavam uma estratégia coordenada para recrutar eleitores com o mesmo nome.
Gleason concluiu que não havia fundamento jurídico suficiente para suspender a certificação dos resultados da primária, ressaltando que a Constituição dos EUA delega aos estados a administração das eleições. A decisão representa mais um revés nas tentativas de Trump de expandir a intervenção federal nos processos eleitorais estaduais.
- Rejeição da medida cautelar;
- Manutenção da certificação dos votos;
- Reforço da autonomia estadual sobre eleições.
A decisão foi divulgada no final da tarde de domingo e rapidamente repercutiu nos corredores do poder em Washington, onde aliados de Trump já sinalizam novos recursos legais.
Implicações políticas e críticas ao governo federal
A disputa entre Dan Sullivan e Mary Peltola pode definir se os republicanos, apoiados por Trump, manterão o controle da câmara alta nas eleições de meio de mandato. Analistas apontam que a vitória de Peltola representaria uma vitória simbólica para os democratas em um estado historicamente conservador.
O governo Trump tem adotado uma postura cada vez mais agressiva na supervisão das eleições, exigindo que os estados entreguem dados de registro de eleitores e argumentando que medidas mais rígidas são necessárias para garantir a confiança do público. Críticos, entre eles autoridades eleitorais democratas e alguns republicanos moderados, classificam essas ações como uma intromissão excessiva que ameaça a soberania dos estados.
Investigações publicadas pelo New York Times revelaram que a estratégia de recrutar candidatos com nomes semelhantes começou em meados de 2025. Segundo o relatório, membros da campanha de Peltola receberam instruções para localizar eleitores chamados Dan Sullivan e convencê‑los a concorrer, criando assim uma confusão potencial nas cédulas.
Documentos obtidos pela reportagem incluem mensagens de texto, e‑mails e memorandos internos do Comitê de Campanhas Democratas para o Senado (DSCC), que detalham a coordenação entre advogados, estrategistas políticos e voluntários de base. Embora a prática seja legal, ela levanta questões éticas sobre a manipulação de nomes para influenciar o voto.
Para os republicanos, a derrota de Dan Sullivan representaria um golpe significativo, pois o senador tem sido um aliado próximo de Trump em questões de defesa, energia e políticas de fronteira. Já os democratas celebram a possibilidade de ampliar sua presença no Senado, o que poderia facilitar a aprovação de projetos de infraestrutura e de combate às mudanças climáticas.
Em resumo, a rejeição da ação judicial reforça a autonomia dos estados na condução de suas eleições e evidencia a crescente polarização entre os poderes federais e estaduais. O desfecho da corrida senatorial no Alasca será observado de perto como um termômetro das estratégias eleitorais adotadas por ambos os lados nas próximas disputas nacionais.








