O rapper baiano João Merín lança seu quarto álbum, “Meninos brincando na lua”, no dia 27 de setembro, coincidindo com a festa de Cosme & Damião. A obra chega às plataformas digitais em parceria com o selo Curruíra. O disco traz dez faixas autorais que mesclam rap, música erudita e sons afro‑baianos.
A proposta sonora do novo álbum
Desde o início da carreira, Merín tem buscado romper as fronteiras do hip‑hop, trazendo para o rap elementos de música clássica, como cordas e sopros, além de batidas inspiradas no afrobeats. Essa ambição criativa se reflete em cada faixa, onde o ritmo de caixa‑clara convive com acordes de piano que lembram um concerto de câmara.
Salvador, sua terra natal, fornece o pano de fundo cultural que alimenta a sonoridade. A cidade, berço de ijexá, samba‑reggae e axé, oferece um repertório rítmico que o artista transforma em loops eletrônicos, criando pontes entre o tradicional e o contemporâneo. Essa fusão cria um universo auditivo onde o passado e o futuro dialogam.
Os produtores Yaan e Yky Castilho, co‑autores das letras, desempenham papel crucial na construção desse mosaico sonoro. Eles combinam técnicas de produção digital com gravações ao vivo, garantindo que cada camada – do baixo pulsante ao violino delicado – encontre seu espaço na mixagem final. O resultado é uma textura rica, que convida o ouvinte a explorar detalhes a cada repetição.
Instrumentos acústicos aparecem como protagonistas inesperados. Na faixa “Ensaio para o adeus”, por exemplo, o sopro da flauta de Vinicius Chagas cria uma atmosfera introspectiva que contrasta com a batida pesada do rap. Essa escolha demonstra a intenção de Merín de usar a música erudita como elemento narrativo, reforçando emoções que o verso por si só não alcançaria.
Colaborações de peso e destaque nas faixas
O álbum ganha ainda mais força com a presença de artistas reconhecidos da cena nacional. Thalma de Freitas, vencedora de múltiplos prêmios, compartilha o microfone em “Sinfonia dos reis”, onde sua voz suave se entrelaça ao flow de Merín, criando um dueto que parece um diálogo entre duas gerações.
Rincon Sapiência, conhecido por suas letras politizadas, co‑escreve e interpreta “Viramar”. A parceria traz uma abordagem poética sobre a migração e a busca por novos horizontes, reforçada por batidas que lembram as ondas do mar, símbolo da travessia.
Max B.O. e Carol Mathias aparecem juntos na música “Onde o céu desaba”, acompanhados por Yky Castilho. Essa combinação une o rap agressivo de Max B.O. com a melodia melancólica de Carol, resultando em um contraste que enriquece a narrativa do álbum.
- Thalma de Freitas – feat em “Sinfonia dos reis”
- Rincon Sapiência – co‑autor e vocal em “Viramar”
- Max B.O. – verso em “Onde o céu desaba”
- Carol Mathias – vocal em “Onde o céu desaba”
Além das colaborações, outras faixas destacam a versatilidade de Merín. “Amoras” traz um refrão melódico que remete ao pop indie, enquanto “O que sobrou de nois” explora a temática da perda e da reconstrução pessoal, usando amostras de corais antigos como fundo.
Essas músicas demonstram que o álbum não se limita a um único estilo, mas sim a um caleidoscópio de influências que refletem a pluralidade cultural do Brasil contemporâneo.
Expectativas, lançamento e trajetória de João Merín
Antes de “Meninos brincando na lua”, Merín já havia lançado três projetos solo: “Yat” (2019), “Os últimos filhos de Sião” (2020) e “Galo, a ciência do tambor” (2022). Cada um deles consolidou sua reputação como um artista experimental, disposto a desafiar convenções do rap nacional.
O single “Céu de setembro”, divulgado em 9 de setembro, serviu como pré‑via do novo trabalho. A canção recebeu críticas positivas, destacando a capacidade do rapper de combinar lirismo profundo com produção sofisticada. Essa recepção antecipada aumentou a expectativa dos fãs e da imprensa.
A escolha do dia 27 de setembro para o lançamento tem um simbolismo especial. Cosme & Damião são celebrados como protetores dos caminhos e das viagens, um paralelo adequado para um álbum que explora novas rotas sonoras. O selo Curruíra reforçou essa conexão ao promover eventos online que destacam a jornada criativa do artista.
Além das plataformas de streaming, a campanha de divulgação inclui newsletters diárias enviadas por e‑mail, permitindo que os assinantes recebam atualizações exclusivas, entrevistas e bastidores da produção. Essa estratégia reforça o vínculo direto entre o artista e seu público.
Com mais de sete anos de carreira, João Merín demonstra que a busca por inovação permanece no centro de sua obra. “Meninos brincando na lua” não é apenas um álbum, mas um manifesto que celebra a diversidade musical brasileira, ao mesmo tempo em que aponta para novas possibilidades de fusão entre rap e música erudita.
O futuro parece promissor para o rapper, que já sinaliza planos de turnê nacional e colaborações internacionais. Enquanto isso, o álbum está disponível nas principais plataformas, pronto para ser descoberto por quem busca sonoridades que ultrapassam fronteiras.








