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Japão ultrapassa 100 mil centenários e enfrenta crise demográfica

O Ministério da Saúde do Japão divulgou, nesta terça‑feira, 15 de setembro, que o número de pessoas com 100 anos ou mais ultrapassou a marca histórica de 100 mil. O levantamento apontou 107.677 centenários no país, sendo quase nove em cada dez mulheres. Esse marco evidencia o avanço da longevidade em uma nação que já enfrenta um envelhecimento acelerado.

Crescimento dos centenários no Japão

Os dados revelam que, em 1º de setembro, o Japão contabilizou 107.677 pessoas com idade igual ou superior a um século, número que representa um aumento contínuo nos últimos 56 anos. Esse crescimento não é apenas numérico, mas também simbólico, pois demonstra a eficácia de políticas de saúde pública e o acesso a cuidados médicos avançados. Contudo, a predominância feminina – cerca de 90% dos centenários – levanta questões sobre diferenças de expectativa de vida entre os gêneros.

O perfil das centenárias japonesas costuma incluir hábitos alimentares saudáveis, rotinas de atividade física moderada e fortes laços comunitários. Estudos apontam que a dieta baseada em peixe, soja e vegetais, combinada com um estilo de vida menos estressante, contribui para a longevidade. Além disso, o sistema de saúde universal garante acompanhamento regular, o que reduz a incidência de doenças crônicas.

Alguns marcos históricos ajudam a contextualizar esse fenômeno:

  • 1990: 20 mil centenários;
  • 2000: 35 mil centenários;
  • 2010: 55 mil centenários;
  • 2020: 78 mil centenários;
  • 2024: 107,7 mil centenários.

Impactos da longevidade na economia e na previdência

A explosão do número de centenários traz desafios imediatos para o sistema de Previdência Social japonês, que já lida com custos crescentes de pensões e assistência médica. Cada novo centenário representa um aumento nos desembolsos anuais, pressionando o orçamento público e exigindo ajustes nas alíquotas tributárias.

Além do peso financeiro, a escassez de trabalhadores ativos intensifica o desequilíbrio entre contribuintes e beneficiários. A força‑laboral está encolhendo, enquanto a base tributária diminui, comprometendo a capacidade de financiar serviços essenciais. Esse cenário pode gerar um círculo vicioso de menor investimento em infraestrutura e menor atratividade para investimentos estrangeiros.

Para ilustrar as principais consequências econômicas, veja a lista abaixo:

  • Elevação dos gastos públicos com saúde e aposentadoria;
  • Redução da arrecadação de impostos devido ao envelhecimento da população ativa;
  • Aumento da dependência de importações de mão‑de‑obra qualificada;
  • Pressão sobre os salários, que podem subir para atrair trabalhadores escassos.

Crise demográfica e queda da população

Os números do censo quinquenal apontam que a população total do Japão caiu para cerca de 123 milhões, uma diminuição de aproximadamente 3 milhões em relação a 2020. Essa retração reflete a combinação de baixa taxa de natalidade – que atingiu o menor nível histórico no último ano – e a alta expectativa de vida.

Em junho, o governo registrou que a taxa de fertilidade despencou para 1,31 filho por mulher, muito abaixo da taxa de reposição de 2,1. A falta de crianças tem implicações profundas: escolas fecham, cidades rurais se esvaziam e a demanda por serviços de creche diminui.

O declínio populacional também afeta a competitividade internacional. Com menos consumidores internos, empresas enfrentam mercados domésticos estagnados, o que pode limitar a inovação e a expansão de setores estratégicos como tecnologia e manufatura.

Debates sobre imigração e políticas migratórias

Especialistas apontam a imigração como uma solução potencial para mitigar o déficit demográfico, mas a questão permanece politicamente sensível. O governo tentou abrir brechas com vistos para nômades digitais e programas de treinamento para trabalhadores estrangeiros, mas essas iniciativas ainda são consideradas tímidas.

Em 2025, a primeira‑ministra Sanae Takaichi venceu as eleições prometendo políticas migratórias mais rigorosas. Seu discurso enfatiza a necessidade de proteger a cultura nacional, ao mesmo tempo em que reconhece a urgência de mão‑de‑obra estrangeira para setores como saúde, construção e tecnologia.

Recentemente, o parlamento aprovou um projeto de lei que aumenta as taxas de vistos em até 30 vezes, elevando o custo de 10 mil ienes (cerca de R$317) para até 300 mil ienes (aproximadamente R$9.532). Essa medida gerou protestos de grupos de direitos humanos, que argumentam que o aumento pode desencorajar a entrada de profissionais qualificados.

O futuro da política migratória japonesa ainda é incerto, mas a pressão social e econômica tende a impulsionar um debate mais amplo sobre como equilibrar a preservação cultural com a necessidade de revitalizar a força‑laboral.

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