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Itamaraty destaca que há mulheres qualificadas para liderar a ONU após desistência de Michelle Bachelet

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) afirmou que a região conta com mulheres à altura para comandar a Organização das Nações Unidas, após a desistência da ex‑presidenta chilena Michelle Bachelet. A declaração foi feita em 19 de setembro de 2024, logo depois de Bachelet anunciar, em vídeo nas redes sociais, que não seguirá na corrida ao cargo de secretário‑geral da ONU. O posicionamento oficial veio do Itamaraty, que reiterou o apoio ao multilateralismo e à igualdade de gênero nas instâncias internacionais.

Desistência de Michelle Bachelet e repercussões imediatas

Michelle Bachelet, 74 anos, comunicou sua retirada da disputa em um vídeo publicado nas redes sociais, encerrando uma campanha que enfrentava dificuldades de apoio entre os membros do Conselho de Segurança. A ex‑chefe de direitos humanos da ONU havia sido endossada inicialmente pelo Brasil, Chile e México, mas viu o governo chileno retirar o apoio em março, sob a liderança do presidente José Antonio Kast.

A decisão de Bachelet chegou um dia após a terceira sondagem informal realizada pelo Conselho de Segurança, que colocou a costarriquenha Rebeca Grynspan à frente com nove votos de encorajamento, superando a embaixadora da Guiana, Carolyn Rodrigues‑Birkett, que obteve oito votos. Essas sondagens são consultas informais e não substituem a votação oficial que decidirá o próximo secretário‑geral.

A saída da chilena deixa a corrida ainda mais aberta, com sete candidatos permanecendo na disputa. A notícia foi recebida com surpresa pelos analistas, que apontam que a candidatura de Bachelet trazia forte ênfase ao multilateralismo e à defesa dos direitos humanos, pilares que podem ter sido decisivos para alguns membros do Conselho.

O posicionamento do Itamaraty e a história da liderança feminina na ONU

Em nota oficial, o Itamaraty ressaltou que, embora a ONU nunca tenha tido uma mulher à frente, a região latino‑americana possui líderes com experiência suficiente para assumir o cargo. O texto destacou o currículo de Bachelet – duas vezes chefe de Estado, ex‑ministra da Saúde e da Defesa, primeira diretora da ONU Mulheres e ex‑Alta Comissária para os Direitos Humanos – como prova de que a América Latina conta com mulheres à altura do desafio.

O comunicado também enfatizou que a ONU ainda não teve uma mulher secretária‑geral, mas que a presença feminina em posições de destaque tem crescido nos últimos anos. O Itamaraty apontou que a própria história da organização demonstra a necessidade de diversificar a liderança, reforçando o compromisso do Brasil com a igualdade de gênero nas decisões globais.

Além de elogiar o percurso de Bachelet, o Ministério destacou que o Brasil continuará apoiando candidatas qualificadas, independentemente da nacionalidade, desde que elas compartilhem os valores da Carta das Nações Unidas e promovam o diálogo entre os Estados‑Membros.

Cenário atual da corrida ao secretário‑geral

Com a saída de Bachelet, a lista de candidatos ainda inclui figuras de destaque de diferentes regiões. Entre eles, Rebeca Grynspan, ex‑vice‑presidente da Costa Rica e atual secretária‑geral da UNCTAD; Carolyn Rodrigues‑Birkett, embaixadora da Guiana na ONU; Rafael Mariano Grossi, diretor‑geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), indicado pela Argentina; e Macky Sall, ex‑presidente do Senegal, indicado pelo Burundi.

Outros nomes que permanecem na disputa são María Fernanda Espinosa Garcés, ex‑presidente da Assembleia Geral da ONU e ex‑ministra do Equador; Ivonne A‑Baki, diplomata equatoriana indicada por Tonga; e Olara Otunnu, ex‑subsecretário‑geral da ONU, indicado por Uganda. Cada candidato traz uma bagagem distinta, refletindo a pluralidade de interesses e prioridades que o Conselho de Segurança deve equilibrar.

A corrida se intensifica à medida que se aproxima a abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, programada para o dia 22 de setembro. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva fará o discurso de abertura, mantendo a tradição de que o Brasil fala primeiro desde 1955.

O discurso de Lula deve abordar, entre outros temas, a importância do multilateralismo, a necessidade de reforçar o papel das mulheres nas decisões internacionais e o apoio a uma candidatura que una experiência diplomática e compromisso com os direitos humanos.

Especialistas apontam que a decisão de Bachelet pode abrir espaço para outras candidatas femininas, como Rebeca Grynspan, que tem forte apoio de países da América Latina e do Caribe. A presença de uma mulher na liderança da ONU seria um marco histórico e poderia inspirar novas políticas de igualdade de gênero nas Nações Unidas.

Enquanto isso, o Conselho de Segurança continua realizando sondagens informais para medir o apoio dos seus 15 membros. Essas consultas ajudam a identificar tendências, mas a votação final ainda dependerá de um consenso mais amplo entre os Estados‑Membros, incluindo a necessidade de aprovação da Assembleia Geral.

Em resumo, a desistência de Michelle Bachelet trouxe novas dinâmicas à disputa, reforçando a mensagem do Itamaraty de que a região tem mulheres qualificadas para assumir a chefia da ONU. O futuro da candidatura feminina dependerá agora do apoio consolidado entre os membros do Conselho e da capacidade de mobilizar alianças estratégicas.

  • Rebeca Grynspan – Costa Rica (UNCTAD)
  • Carolyn Rodrigues‑Birkett – Guiana (Embaixadora)
  • Rafael Mariano Grossi – Argentina (AIEA)
  • Macky Sall – Burundi (ex‑Presidente do Senegal)
  • María Fernanda Espinosa Garcés – Equador (ex‑Presidente da Assembleia Geral da ONU)
  • Ivonne A‑Baki – Tonga (Diplomata equatoriana)
  • Olara Otunnu – Uganda (ex‑Subsecretário‑geral da ONU)

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