Na manhã da quarta‑feira, 9 de setembro, a Guarda Revolucionária Islâmica lançou uma série de ataques coordenados contra uma base militar americana na Jordânia e contra quase vinte embarcações que navegavam no Golfo Pérsico. Os bombardeios foram anunciados como retaliação pelos cinco petroleiros iranianos abatidos em um ataque dos Estados Unidos na ilha de Kharg, na véspera.
Retaliação iraniana e alvos estratégicos
A operação, segundo a agência estatal IRNA, visou instalações de manutenção, áreas de preparação e pistas de decolagem de caças F‑35, F‑16 e F‑15. A força revolucionária declarou que os danos infligidos foram “graves” e que a ação tinha como objetivo punir o agressor.
O Exército da Jordânia relatou a intercepção de 18 dos 20 mísseis lançados, enquanto os dois restantes caíram em regiões desabitadas, evitando maiores vítimas civis.
Incidentes marítimos no Estreito de Ormuz
Horas depois, a IRNA divulgou que dois navios americanos, oito petroleiros e outros dez navios comerciais foram alvos de ataques ao tentarem atravessar o estreito de Ormuz. A mensagem de alerta foi clara: “todos os petroleiros nos portos do Kuwait e do Bahrein devem abandonar suas embarcações, pois serão atacados”.
A agência britânica UKMTO confirmou que vários navios mercantes no norte do Golfo Árabe e no Golfo de Omã foram atingidos, ficando inoperantes. Um navio a 44 km a noroeste de Port Rashid, nos Emirados Árabes Unidos, chegou a naufragar.
Impacto nos preços do petróleo
O aumento da tensão elevou o preço do barril de Brent, que chegou a US$ 100,19 por alguns minutos, ultrapassando a marca dos US$ 100 pela primeira vez em semanas.
Analistas apontam que a retomada dos confrontos, iniciada em 28 de fevereiro com bombardeios dos EUA e Israel sobre o Irã, tem potencial de desestabilizar ainda mais o mercado global de energia.
Contexto político e militar
Em abril, um acordo de cessar‑fogo foi anunciado, mas não impediu novas hostilidades no Golfo. Um segundo pacto, firmado em junho, também se mostrou frágil, durando apenas algumas semanas antes da nova escalada.
O comando Centcom dos EUA ordenou que as tripulações abandonassem as embarcações antes dos ataques, tentando minimizar perdas humanas.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acusou o Irã de “continuar tentando atacar navios da Marinha americana” e advertiu que cada ataque resultaria em retaliações adicionais. O comandante iraniano, general Ali Abdolahi, respondeu que “qualquer ataque contra petroleiros iranianos provocará bombardeios das Forças Armadas da república islâmica contra bases americanas na região”.
Incidentes adicionais e bloqueio do estreito
Na terça‑feira, a Guarda Revolucionária anunciou a captura de um submarino americano não tripulado no Estreito de Ormuz, que Teerã mantém bloqueado desde o início da guerra. Washington minimizou o incidente, alegando que um drone aquático antigo sofreu pane.
O estreito, responsável por cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo e gás natural liquefeito antes do conflito, permanece praticamente paralizado, afetando cadeias de suprimento globais.
- Quase vinte navios foram atacados;
- 18 mísseis interceptados pela Jordânia;
- Preços do petróleo ultrapassaram US$ 100 o barril;
- Bloqueio quase total do Estreito de Ormuz;
- Relações diplomáticas entre EUA, Irã e aliados em tensão máxima.
O cenário permanece volátil, e especialistas alertam que novos episódios de violência podem surgir a qualquer momento, mantendo o mercado de energia em estado de alerta constante.








