Na segunda‑feira, 14 de maio de 2024, o Irã afirmou que não tem nenhum envolvimento direto no embate entre os rebeldes houthis, o governo iemenita e a Arábia Saudita. A declaração foi feita em Teerã, por meio do porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, que enfatizou a independência das decisões dos houthis.
Contexto do conflito
Os houthis, grupo militante xiita que controla grande parte do norte do Iêmen, intensificaram suas operações contra a Arábia Saudita desde julho de 2023, quando anunciaram um bloqueio naval ao reino. O bloqueio tem como alvo navios comerciais que cruzam o Mar Vermelho, afetando rotas de energia e de mercadorias globais.
Ao mesmo tempo, o governo iemenita, apoiado por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita, tenta retomar áreas estratégicas que foram ocupadas pelos rebeldes. O impasse gerou milhares de deslocados internos e agravou a crise humanitária, que já afeta mais de 20 milhões de pessoas no país.
- Houthis controlam cidades importantes como Saada e Hodeida.
- Arábia Saudita mantém bases militares em Khamis Mushait e outras localidades do sul.
- O Iêmen permanece fragmentado entre forças governamentais, rebeldes e milícias locais.
Avanço dos houthis no Estreito de Bab el‑Mandeb
Na sexta‑feira, 11 de maio, os rebeldes ocuparam a cidade portuária de Dhubab e a ilha de Perim, ambas situadas na entrada sudoeste do Estreito de Bab el‑Mandeb. Essa conquista representa o avanço mais significativo dos houthis em direção ao estreito, que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Aden.
Controlar Dhubab e Perim permite ao grupo influenciar uma das rotas marítimas mais movimentadas do planeta, responsável por cerca de 10% do comércio global de petróleo. Apesar da ocupação, os houthis garantiram que o tráfego marítimo permanecesse “seguro e ininterrupto”, segundo comunicado oficial.
Na quinta‑feira anterior, os rebeldes haviam tomado a cidade de Moca, consolidando sua presença ao longo da costa sul do Iêmen. Essa sequência de conquistas eleva o risco de interrupções no comércio internacional, especialmente para países que dependem do transporte de energia através do estreito.
Reações internacionais e declarações do Irã
Em resposta aos movimentos dos houthis, a Defesa Civil da Arábia Saudita emitiu alertas de perigo em quatro cidades do sul, incluindo Khamis Mushait, onde a Base Aérea Rei Khalid foi alvo de ataques recentes. O objetivo, segundo o porta‑voz militar dos houthis, foi atingir infraestruturas estratégicas.
Paralelamente, o Irã protestou contra a decisão da Áustria de impedir a participação de Mohamad Eslami, chefe do programa nuclear iraniano, em uma conferência da Agência Internacional de Energia Atômica em Viena. Baqaei qualificou a medida como “totalmente injustificável” e atribuiu a pressão aos Estados Unidos.
Especialistas em política do Oriente Médio apontam que, embora o Irã negue envolvimento direto, há indícios de apoio logístico e financeiro aos houthis. No entanto, o governo iraniano insiste que os rebeldes agem de forma autônoma, guiados por seus próprios interesses estratégicos.
Organizações humanitárias alertam que a escalada dos combates pode forçar ainda mais deslocamentos internos. Dados da ONU indicam que cerca de 46 mil iemenitas já abandonaram suas casas nos últimos meses devido à intensificação dos confrontos.
O cenário permanece volátil, com a comunidade internacional monitorando de perto as repercussões econômicas e humanitárias. Enquanto isso, o Irã continua a reforçar sua posição diplomática, buscando dissociar sua imagem de qualquer ação militar direta no Iêmen.








