A pesquisa nacional do Ipespe, divulgada neste sábado, 17 de outubro, traz um panorama atualizado da corrida entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o segundo turno da eleição presidencial. O levantamento, realizado entre os dias 13 e 15 de outubro, abrange 1.500 entrevistas telefônicas em todo o território brasileiro, buscando entender não apenas a intenção de voto, mas também a percepção dos eleitores sobre campanha, confiança e prioridades para o país.
Metodologia e abrangência da pesquisa
O instituto adotou um questionário extenso, dividido em blocos temáticos que permitem analisar diferentes dimensões do comportamento eleitoral. O primeiro bloco investiga a intenção de voto espontânea, ou seja, a resposta do entrevistado antes de receber qualquer estímulo ou menção aos nomes dos candidatos.
Em seguida, o segundo bloco apresenta os nomes de Flávio Bolsonaro e Lula de forma alternada, permitindo ao eleitor escolher entre voto direto, voto branco, nulo ou a opção “não sabe”. Essa abordagem estimula respostas mais reflexivas e reduz possíveis vieses de ordem.
Para medir o grau de comprometimento com a votação, os participantes foram convidados a avaliar, em uma escala de zero a dez, a probabilidade de comparecer às urnas no dia 25 de outubro. A pesquisa também coleta informações geográficas, perguntando se o eleitor mora perto ou longe do local de votação, o que ajuda a mapear possíveis desafios logísticos.
Além das intenções, a pesquisa inclui um bloco dedicado à rejeição e ao potencial de voto. Os entrevistados podem afirmar que votariam com certeza, que consideram a possibilidade de voto, que definitivamente não votariam ou que não conhecem suficientemente o candidato para decidir.
O que os eleitores avaliam: campanha, confiança e temas prioritários
Um dos diferenciais do estudo é a comparação da performance dos candidatos nos principais meios de comunicação. O Ipespe pergunta qual dos dois tem apresentado a melhor campanha na televisão, no rádio, nas redes sociais e nas entrevistas ao vivo. Também investiga quem tem sido mais comentado nas conversas de WhatsApp, um canal informal, mas extremamente influente na formação de opinião.
Para aferir a confiança do eleitorado, o questionário oferece três opções: confiar muito, confiar um pouco ou não confiar. As respostas são registradas separadamente para Lula e para Flávio Bolsonaro, permitindo analisar diferenças de percepção entre o presidente e o senador.
Os entrevistados ainda foram solicitados a indicar os dois temas que mais influenciarão sua escolha no segundo turno. As opções incluem:
- Corrupção e crise no Supremo Tribunal Federal (STF)
- Economia, emprego e preços elevados
- Violência e segurança pública
- Saúde e educação
- Ameaça aos benefícios e programas sociais
Outros tópicos presentes no questionário abordam políticas específicas, como aumento do Bolsa Família, fim das bets, fim da escala de trabalho 6 por 1, anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, soberania nacional, postura de Donald Trump e debate sobre religião.
O levantamento também explora o sentimento predominante dos eleitores em relação à eleição, oferecendo opções que vão de esperança, alegria, orgulho e entusiasmo até raiva, indignação, tristeza, medo, desânimo e cansaço. Essa medida ajuda a captar o clima emocional que pode influenciar a decisão de voto.
Expectativas e cenários para o segundo turno
Independentemente da intenção de voto, a pesquisa pergunta o que os eleitores esperam do próximo presidente. As alternativas são: continuar o trabalho atual, mudar apenas o que não está bom ou alterar totalmente a gestão. Essa pergunta revela o grau de insatisfação ou apoio ao status quo.
Outra questão avalia qual dos dois candidatos tem mais condições de promover as mudanças que o Brasil necessita. Essa percepção de capacidade de liderança pode ser decisiva em um cenário de polarização intensa.
A avaliação dos governos anteriores também está presente. Uma pergunta mede a aprovação ou desaprovação da forma como Lula administra o país atualmente, enquanto outra investiga a lembrança e a avaliação da gestão do ex‑presidente Jair Bolsonaro, baseada em informações que o entrevistado ouviu ou recorda.
O Ipespe ainda coleta dados sobre a percepção da situação econômica do país e as expectativas para o próximo ano, bem como sobre a condição econômica da família do entrevistado. Esses indicadores ajudam a correlacionar fatores macroeconômicos com a decisão de voto.
Por fim, o questionário inclui perguntas sobre o grau de interesse do eleitor na eleição e a lembrança do voto no primeiro turno de 2026. Essa última questão serve como um termômetro da memória política recente e pode indicar a estabilidade ou a volatilidade das preferências eleitorais.
Com um conjunto tão amplo de variáveis, a pesquisa do Ipespe oferece uma visão detalhada do cenário eleitoral brasileiro na reta final da campanha. Os resultados, que serão analisados por especialistas e divulgados em breve, prometem influenciar estratégias de campanha, decisões de mídia e, sobretudo, a compreensão do eleitorado sobre quem tem maior chance de conduzir o país nos próximos quatro anos.








