Na quinta‑feira, 29 de julho de 2024, as ações das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos despencaram após a divulgação dos resultados trimestrais, gerando um forte impacto nas bolsas globais. O recuo foi impulsionado pelos investimentos recordes em inteligência artificial (IA) anunciados pelas companhias. O mercado agora questiona quando esses gastos poderão se transformar em lucro real.
Queda abrupta das ações das big techs
A Alphabet, controladora do Google, registrou uma queda de 12,64% em seu pregão, a maior queda diária desde a sua abertura de capital, em 2004. O resultado trimestral trouxe números elevados de investimento em infraestrutura de IA, além de projeções de novos gastos bilionários nos próximos meses.
De acordo com a consultoria Elos Ayta, a desvalorização fez a empresa perder US$ 493,9 bilhões em valor de mercado em um único dia, o que corresponde a quase 56% do total de capitalização das companhias listadas na bolsa brasileira, estimada em US$ 885 bilhões.
Esses números alarmaram investidores que temem que o ritmo de expansão das big techs esteja ultrapassando a capacidade de geração de receita imediata. A pressão sobre a Alphabet acabou desencadeando um efeito dominó nas ações de outras empresas do setor.
Pressão nos índices e nas fabricantes de chips
No fechamento da sexta‑feira, 30 de julho, o Nasdaq recuou 2,9%, ficando em 25.437 pontos, após atingir o menor nível em quase três meses. O S&P 500 caiu 1,8%, para 7.580 pontos, enquanto o Dow Jones perdeu 1,1%, encerrando em 51.770 pontos.
A Amazon também registrou queda, fechando em baixa de 1,49%, e a Alphabet encerrou o dia ainda em queda, embora menos acentuada que na véspera. O desempenho negativo se espalhou para as fabricantes de chips, que são fundamentais para a corrida da IA.
A Intel sofreu a maior desvalorização do pregão, com queda de 28,6%, a maior queda diária desde 1974. A empresa alertou que precisará consumir caixa neste ano devido à fraqueza do mercado de computadores pessoais, dificuldades na fabricação de chips e aos altos investimentos para ampliar sua capacidade produtiva.
Outras empresas do setor também sentiram o impacto: a Nvidia recuou 4,2%, a AMD perdeu 10,9% e o índice de semicondutores recuou 7,2%.
Impacto nos bilionários e no futuro dos investimentos em IA
A desvalorização das ações das big techs repercutiu diretamente no patrimônio dos maiores bilionários do mundo. Segundo o Bloomberg Billionaires Index, Larry Page e Sergey Brin, cofundadores do Google, viram suas fortunas combinadas reduzir em US$ 60,7 bilhões na quinta‑feira.
Jeff Bezos, fundador da Amazon, também foi afetado, com uma perda estimada de US$ 9,48 bilhões em seu patrimônio. Somadas, as perdas dos três empresários chegaram a US$ 70,18 bilhões, embora esses valores reflitam apenas a redução do valor de mercado de suas participações acionárias.
Os investimentos em IA das quatro maiores empresas norte‑americanas — Amazon, Meta, Microsoft e Alphabet — foram ampliados de US$ 113 bilhões para US$ 207 bilhões em apenas um ano. As previsões apontam para mais US$ 232 bilhões de investimentos no trimestre seguinte.
- Investimento atual (2024): US$ 207 bilhões
- Investimento previsto para o próximo trimestre: US$ 232 bilhões
- Projeção de gastos de capital até 2026: US$ 740 bilhões
Esses recursos são destinados principalmente à construção de centros de processamento de dados, à compra de chips de última geração e à expansão da infraestrutura necessária para treinar modelos avançados de IA.
Analistas alertam que, enquanto os gastos aumentam, os investidores exigem respostas claras sobre quando esses investimentos gerarão retorno sustentável. A falta de lucro imediato pode intensificar a volatilidade nas bolsas, especialmente se as empresas não apresentarem métricas de rentabilidade convincentes.
Em paralelo, o governo dos Estados Unidos e as próprias gigantes de tecnologia anunciaram um acordo de autorregulação da IA, liderado por figuras como Donald Trump. O objetivo é estabelecer diretrizes que evitem riscos éticos e de segurança, mas também pode criar um novo cenário regulatório que influenciará os custos operacionais das companhias.
O futuro da corrida pela IA ainda é incerto. Se as empresas conseguirem transformar seus investimentos em produtos rentáveis, a confiança dos investidores pode ser restabelecida, impulsionando novas valorizações. Caso contrário, a pressão sobre as ações e sobre os patrimônios dos fundadores pode se manter, gerando mais turbulência nos mercados globais.








