A pesquisa Quaest, divulgada nesta quinta‑feira (17) de setembro, trouxe o panorama das intenções de voto para o primeiro turno da eleição presidencial de 2026 no Brasil. O levantamento, realizado entre 17 e 20 de setembro, entrevistou 2.004 eleitores com idade a partir de 16 anos, cobrindo todas as regiões do país.
Panorama geral da corrida presidencial
Os números apontam o ex‑presidente Lula, do PT, como líder com 37% das preferências, seguido de perto por Flávio Bolsonaro, do PL, que acumula 33% das intenções de voto. A diferença de quatro pontos percentuais está dentro da margem de erro de dois pontos, o que indica um empate técnico no cenário de primeiro turno.
Em terceiro lugar, Augusto Cury, do Avante, aparece com 6% das respostas, enquanto Ronaldo Caiado, do PSD, registra 4%. Renan Santos, da Missão, tem 3% e Romeu Zema, do Novo, chega a 1%.
- Lula (PT) – 37%
- Flávio Bolsonaro (PL) – 33%
- Augusto Cury (Avante) – 6%
- Ronaldo Caiado (PSD) – 4%
- Renan Santos (Missão) – 3%
- Romeu Zema (Novo) – 1%
A margem de erro de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, permite que a disputa permaneça incerta até o fechamento das urnas.
Detalhes por segmento demográfico
Ao segmentar os dados por região, observa‑se que o Nordeste ainda favorece o candidato do PT, que lidera em quase todos os estados da região com margens superiores a 10 pontos. No Sudeste, o cenário é mais equilibrado, com Flávio Bolsonaro superando ligeiramente o ex‑presidente em São Paulo e Minas Gerais.
No Sul, a diferença entre os dois principais candidatos diminui, e a preferência por Lula se mantém, embora com menor expressividade. O Centro‑Oeste apresenta um cenário ainda mais apertado, com variações que dependem da renda e da escolaridade dos eleitores.
Em termos de gênero, as mulheres demonstram uma leve vantagem para o candidato do PT, enquanto os homens tendem a se inclinar mais para Flávio Bolsonaro. A diferença, porém, não ultrapassa um ponto percentual.
Quanto à idade, eleitores entre 18 e 29 anos mostram maior apoio a Flávio Bolsonaro, refletindo uma tendência de renovação política. Já os eleitores acima de 60 anos mantêm a preferência histórica por Lula.
Na análise de escolaridade, indivíduos com ensino superior completo favorecem o candidato do PT, enquanto aqueles com apenas o ensino fundamental tendem a apoiar o candidato do PL.
A renda também influencia o comportamento de voto: eleitores com renda familiar acima de 10 salários mínimos apresentam maior propensão a escolher Lula, ao passo que a faixa de 2 a 5 salários mínimos se mostra mais dividida.
Quando a pesquisa cruza religião e intenção de voto, observa‑se que eleitores católicos se inclinam ligeiramente para o PT, enquanto evangélicos demonstram maior apoio ao candidato do PL.
Por cor/raça, a população negra apresenta preferência mais forte por Lula, enquanto a população branca está mais equilibrada entre os dois principais candidatos.
Implicações para a segunda rodada
Com a margem de erro tão estreita, a disputa pode se estender para o segundo turno, caso nenhum candidato alcance a maioria absoluta. Nesse cenário, as alianças regionais e setoriais ganharão ainda mais relevância, já que pequenos grupos de eleitores podem decidir o resultado final.
Os candidatos que ficaram em terceiro e nas posições subsequentes – Cury, Caiado, Renan Santos e Zema – ainda podem exercer papel de “candidato de apoio”, direcionando seus eleitores para um dos dois principais. A negociação de pactos políticos, sobretudo nas regiões onde a disputa está mais apertada, será determinante.
Além disso, a campanha de mídia digital continuará a influenciar eleitores indecisos, sobretudo os jovens que ainda não definiram sua escolha. Estratégias de segmentação de mensagens, baseadas nos perfis demográficos revelados pela Quaest, devem ser intensificadas nas próximas semanas.
Por fim, a confiança dos eleitores nas instituições e a percepção de legitimidade do processo eleitoral permanecem altas, segundo a própria pesquisa, o que reduz o risco de questionamentos pós‑urna.








