Na última semana de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro intensificam a presença nas capitais gaúchas e paranaenses, buscando atrair eleitores que ainda não decidiram seu voto. Os comícios, programados para 11 e 12 de setembro, marcam a primeira visita de Lula a Porto Alegre desde março e o retorno de Flávio a Minas Gerais, estado decisivo nas eleições presidenciais.
O cenário dos eleitores indecisos no Sul
Rio Grande do Sul e Paraná aparecem entre os três estados com maior percentual de eleitores ainda em dúvida, superando a média nacional de 10%. Segundo a pesquisa da Quaest, cerca de 21 milhões de brasileiros ainda não definiram a preferência, e a maioria está concentrada no Sul e no Sudeste.
Em Rio Grande do Sul, a taxa de indecisão atinge 18%, enquanto a disputa entre Lula e Flávio permanece praticamente empatada: 28% para o petista contra 34% para o bolsonarista, dentro da margem de erro de três pontos. No Paraná, a situação é semelhante, com índices elevados de indecisão e margens apertadas entre os candidatos.
Esses números indicam que o eleitorado está cansado da polarização que domina o cenário político desde 2018. Guilherme Russo, diretor de inteligência da Quaest, destaca que “o eleitor está menos animado e mais crítico, buscando alternativas que ainda não se consolidaram”.
Estratégia de Lula no Sul
Lula escolheu duas cidades simbólicas para sua campanha: o Largo Glênio Peres, no Centro Histórico de Porto Alegre, e a Boca Maldita, em Curitiba. Ambos os locais são tradicionalmente associados a mobilizações populares e debates políticos, proporcionando visibilidade máxima.
O objetivo principal é reduzir a rejeição que atinge 54% dos entrevistados no Sul, segundo o Datafolha, e melhorar a percepção do governo em regiões onde o presidente tem sido historicamente menos aceito. A presença física, aliada a discursos que enfatizam políticas sociais e desenvolvimento econômico, busca reconquistar eleitores descontentes.
Além dos comícios, a equipe de campanha de Lula tem investido em visitas a sindicatos, associações de produtores rurais e lideranças comunitárias, tentando criar uma rede de apoio que possa transformar indecisos em eleitores efetivos.
Flávio Bolsonaro e a corrida em Minas Gerais
Na quarta-feira, 9 de setembro, Flávio Bolsonaro chegou a Juiz de Fora, relembrando o trajeto que seu pai, Jair Bolsonaro, percorreu antes do atentado a faca em 2018. O gesto tem forte carga simbólica, reforçando a ligação da família Bolsonaro com o estado.
Minas Gerais possui a segunda maior taxa de indecisão do país, 17%, e historicamente funciona como um “estado espelho”. Desde a década de 1950, o candidato que vence em Minas costuma levar o país à presidência, embora a margem de vitória tenha diminuído nas últimas eleições.
- 2002‑2006: vitória do PT com mais de 30 pontos percentuais.
- 2018: vitória de Jair Bolsonaro com margem reduzida.
- 2022: vitória de Lula por apenas 0,4 ponto percentual.
Especialistas, como o professor Fábio Vasconcellos, alertam que a tendência de estreitamento pode continuar, tornando o estado decisivo nesta eleição. Flávio, portanto, tem buscado reforçar sua presença em cidades-chave, como Juiz de Fora e Belo Horizonte, para captar o voto dos indecisos.
Impacto nas eleições presidenciais
Se os eleitores indecisos fossem tratados como um colégio eleitoral, eles formariam o segundo maior bloco do país, atrás apenas de São Paulo. Isso confere ao Sul e ao Sudeste um peso estratégico que ambas as campanhas não podem ignorar.
Os analistas apontam que a combinação de visitas presenciais, discursos focados em temas regionais (como agricultura no Sul e mineração em Minas) e a exploração de narrativas de mudança podem ser decisivas para mudar o equilíbrio da corrida.
Além disso, as redes sociais e a mídia digital continuam a amplificar mensagens de campanha, permitindo que candidatos alcancem eleitores que ainda não se decidiram, reforçando a importância de uma estratégia de comunicação integrada.
Em resumo, a reta final da campanha está marcada por uma corrida intensa pelos indecisos, que podem determinar o resultado final das eleições presidenciais. Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro apostam em presença física, simbolismo regional e mensagens direcionadas para transformar a incerteza em voto efetivo.








