O iFood revelou nesta quarta‑feira, 16 de junho, que vai canalizar R$ 24 bilhões para o mercado brasileiro até o final de março de 2027. O aporte representa um aumento de 41% em relação ao período anterior e reforça a estratégia de expansão da plataforma de entregas. O anúncio foi feito em entrevista concedida ao veículo Reuters, que destacou a ênfase da companhia em tecnologia e inteligência artificial.
Investimento e metas financeiras
O montante total será distribuído em várias frentes, mas a maior parte está voltada para o fortalecimento dos negócios centrais da empresa. Segundo o presidente Diego Barreto, o objetivo é transformar o iFood de um serviço de entrega de restaurantes em um conglomerado de múltiplas fontes de receita. Até o final de 2024, a empresa espera que cerca de 40% dos seus ganhos provêm de áreas que vão além do delivery tradicional.
Além do crescimento orgânico, a companhia pretende ampliar sua presença em serviços de logística, pagamentos digitais e marketplaces de produtos. Essa diversificação visa reduzir a dependência de um único segmento e criar um ecossistema mais resiliente, capaz de enfrentar a concorrência crescente no setor.
- Expansão de serviços de entrega de itens de conveniência;
- Desenvolvimento de soluções de pagamento integrado;
- Ampliação de parcerias com varejistas e produtores locais;
- Investimento em infraestrutura de logística de última milha.
Foco em tecnologia e inteligência artificial
Dos R$ 24 bilhões, mais de R$ 2 bilhões serão dedicados exclusivamente a tecnologia e inovação. Esse bloco inclui a evolução de agentes de inteligência artificial, bem como o desenvolvimento de um modelo generativo criado em parceria com a Prosus, controladora europeia da empresa.
Barreto ressaltou que, apesar da competição acirrada, a capacidade de inovar coloca o iFood em um patamar diferenciado. A empresa pretende usar IA para otimizar rotas de entrega, melhorar a experiência do usuário e personalizar recomendações de restaurantes e produtos.
Entre as iniciativas previstas, estão:
- Implementação de assistentes virtuais para suporte ao cliente;
- Uso de algoritmos preditivos para antecipar demandas regionais;
- Automação de processos internos, como gestão de estoque e triagem de pedidos;
- Criação de ferramentas de análise de dados para parceiros comerciais.
Impactos no ecossistema e futuro do iFood
Com 15 anos de atuação no Brasil, o iFood já registra mais de 180 milhões de pedidos mensais e mantém cerca de 600 mil entregadores cadastrados. O novo investimento deve acelerar ainda mais essa trajetória, consolidando o iFood como a principal plataforma de serviços on‑demand do país.
Ao diversificar suas fontes de receita, a empresa busca reduzir a vulnerabilidade a flutuações sazonais e a pressões regulatórias. O fortalecimento do ecossistema também traz benefícios para pequenos negócios, que ganham acesso a ferramentas digitais avançadas e a um público mais amplo.
Em entrevista, Diego Barreto afirmou que a estratégia não se resume a “competir”, mas a “construir”. Ele acredita que a inovação contínua permite ao iFood manter a liderança de mercado, ao mesmo tempo em que cria novas oportunidades de crescimento para parceiros e entregadores.
O compromisso de investimento até 2027 sinaliza confiança na estabilidade econômica do Brasil e na capacidade de consumo digital da população. Analistas do setor apontam que o volume de capital destinado a IA e tecnologia pode posicionar o iFood à frente de concorrentes internacionais que ainda não atingiram esse nível de integração.
Em síntese, o plano de R$ 24 bilhões visa não apenas ampliar a presença da empresa, mas também transformar a forma como os consumidores e comerciantes interagem no ambiente digital. A expectativa é que, nos próximos anos, o iFood seja reconhecido como um hub de serviços integrados, onde entrega, pagamento, marketplace e suporte inteligente convergem em uma única experiência fluida.








