Imagens de satélite capturadas entre julho e outubro de 2024 mostraram um iate de 80 metros atracado nas águas de Wonsan, na Coreia do Norte, pertencente ao líder Kim Jong Un. O navio, equipado com uma piscina de 50 metros e toboáguas, funciona como um centro de lazer exclusivo para a família Kim. A descoberta foi divulgada pela BBC, que analisou as fotografias para mapear a movimentação da embarcação.
O iate e suas características extravagantes
O casco do iate mede aproximadamente 80 metros de comprimento, o que o coloca entre as embarcações mais imponentes do mundo. No convés principal, uma piscina de cinquenta metros de extensão domina a paisagem, permitindo que vários convidados nadem simultaneamente.
Em uma das extremidades da piscina, foram instalados toboáguas de diferentes inclinações, criando um parque aquático privado no alto-mar. Além da área de banho, o navio dispõe de cabines de luxo, salas de estar com vista panorâmica e um heliponto para deslocamentos rápidos.
- Comprimento: 80 metros
- Piscina: 50 metros de comprimento
- Toboáguas: 2 unidades
- Cabines de luxo: 12 unidades
- Heliponto: 1 unidade
O custo estimado para construir um iate com essas especificações varia entre dezenas e mais de cem milhões de dólares, o que equivale a centenas de milhões de reais.
Movimentações reveladas pelas imagens de satélite
Após um longo período de manutenção em um estaleiro de Wonsan, o iate foi deslocado no início de julho para a península de Kalma, uma faixa costeira leste da cidade. Essa região abriga a residência de praia usada por Kim Jong Un e sua família, um local que raramente aparece em reportagens oficiais.
As imagens mostram que o navio permanece ancorado próximo à casa de praia durante o verão, sendo utilizado para atividades recreativas. Quando o inverno se aproxima, o iate volta ao estaleiro para proteção contra as condições climáticas adversas.
Especialistas como Ri Jong Ho, ex-funcionário do Escritório 39, confirmaram que essas movimentações coincidem com ausências de Kim em aparições públicas, sugerindo que o líder aproveita o navio como refúgio privado.
O contexto do luxo da elite norte-coreana
Embora a Coreia do Norte seja classificada como um dos países mais pobres do mundo, a elite governante mantém um padrão de vida extremamente opulento. O Escritório 39, responsável por captar e gerir recursos financeiros externos, financia projetos de alto custo, como iates, propriedades e veículos de luxo.
Desertores que serviram em unidades de segurança da família Kim relataram que casas de praia em Wonsan funcionam como verdadeiros resorts, com piscinas, quadras esportivas e até mesmo atividades como esqui aquático.
Essas instalações são mantidas em segredo, pois o regime controla rigidamente a informação que chega ao público interno e externo.
Implicações políticas e humanitárias
A existência de um iate tão luxuoso evidencia a disparidade entre a elite e a população norte-coreana, que enfrenta escassez de alimentos, trabalho forçado e violações sistemáticas dos direitos humanos. Segundo relatórios da ONU de 2025, cerca de 40% da população sofre de desnutrição crônica.
Ao mesmo tempo, o gasto de recursos em projetos de lazer para a liderança contrasta com o orçamento militar, que continua a receber apoio internacional apesar das sanções.
Analistas internacionais apontam que a visibilidade dessas extravagâncias pode aumentar a pressão diplomática sobre o regime, ao mostrar que a riqueza concentrada nas mãos de poucos alimenta ainda mais o isolamento do país.
Entretanto, o governo norte-coreano costuma apresentar essas viagens como “inspeções oficiais” ou “visitas de orientação”, evitando qualquer menção a férias ou lazer.
O iate, conhecido informalmente como “Princess”, tem dimensões menores que o modelo observado nas imagens, mas ainda assim representa um investimento multimilionário. Enquanto o “Princess” foi avaliado em cerca de US$ 7 milhões, o novo iate pode ultrapassar a marca dos US$ 100 milhões.
Essa discrepância reforça a ideia de que a liderança busca constantemente atualizar seus bens de luxo, acompanhando tendências globais de ostentação.
Para a comunidade internacional, a descoberta serve como mais um indicativo de que o regime norte-coreano prioriza o conforto da elite em detrimento do bem‑estar da população.
Organizações de direitos humanos recomendam que as sanções sejam direcionadas também aos indivíduos que administram esses fundos, a fim de limitar a capacidade do governo de financiar projetos de luxo.
Em suma, as imagens de satélite não apenas revelam um iate com piscina e toboáguas, mas também expõem a profunda desigualdade que permeia a sociedade norte‑coreana.








