Na manhã de sexta‑feira, 11 de junho, rebeldes hutis do Iêmen tomaram a ilha de Perim, localizada no estreito estratégico de Bab el‑Mandeb, e passaram a controlar a passagem marítima que liga o Oceano Índico ao Mar Vermelho. O grupo, apoiado pelo Irã, declarou que manterá a “livre navegação” apenas para embarcações que não pertençam à Arábia Saudita.
Tomada da ilha de Perim
O ataque à ilha foi precedido por uma retirada das forças governamentais iemenitas no dia anterior, conforme informado por um porta‑voz reconhecido internacionalmente. Os hutis chegaram à ilha a bordo de navios de transporte militar, consolidando rapidamente sua presença.
Segundo relatos da agência AFP, a tomada de Perim representa a conclusão da ofensiva iniciada na semana passada, que visava garantir o controle total da rota marítima de Bab el‑Mandeb. A ilha, situada no centro do estreito, possui instalações de apoio logístico que facilitam o monitoramento e a interdição de tráfego naval.
Embora o grupo tenha prometido respeitar a navegação para a maioria dos navios, os hutis deixaram claro que navios sauditas serão alvo de restrições. Essa postura já gera preocupação entre companhias de navegação e autoridades ocidentais.
Expansão ao longo da costa do Mar Vermelho
Além da ilha de Perim, os hutis já haviam capturado, no dia 10 de junho, o porto da cidade iemenita de Mocha, um ponto crucial para o comércio marítimo da região. A tomada de Mocha faz parte de uma estratégia maior de controle costeiro.
Outros alvos estratégicos reivindicados pelos rebeldes incluem:
- Cidade de Hays, que faz a interseção entre três províncias iemenitas.
- Acampamento militar Khalid ibn al‑Walid, a maior base das forças armadas da região.
- Vários pontos de vigilância ao longo da costa ocidental do Iêmen.
Essas conquistas ampliam a capacidade dos hutis de projetar poder sobre o Mar Vermelho, ameaçando rotas comerciais que transportam cerca de 8% do petróleo mundial.
A ofensiva também se insere no contexto da escalada de tensões entre o Irã e os Estados Unidos, que se intensificou após os ataques ao Estreito de Ormuz no início de fevereiro. O bloqueio do estreito de Ormuz por forças iranianas reduziu a capacidade de exportação de petróleo do Golfo, deslocando ainda mais o tráfego para Bab el‑Mandeb.
Implicações geopolíticas e econômicas
A captura de Perim e dos demais pontos costeiros representa um desafio direto para a Arábia Saudita e para os Estados Unidos, que dependem da livre circulação de energia no Oriente Médio. O controle iraniano, por meio dos hutis, pode facilitar uma pressão adicional sobre o bloqueio dos petroleiros iranianos no Golfo.
Um membro do gabinete político dos hutis tentou atenuar as preocupações globais ao afirmar que a liberdade de navegação no Mar Vermelho permanece segura e organizada. No entanto, analistas apontam que a presença militar dos hutis na região pode dificultar a aplicação de normas internacionais de navegação.
O estreito de Bab el‑Mandeb, antes responsável por cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo e gás, agora está sob risco de interrupções frequentes. Qualquer bloqueio parcial pode elevar os preços do petróleo e gerar volatilidade nos mercados financeiros.
Especialistas em segurança marítima alertam que a presença de drones e mísseis balísticos, já usados pelos hutis contra alvos sauditas, pode ser empregada contra embarcações comerciais. Essa possibilidade aumenta a necessidade de escoltas militares e de rotas alternativas.
Enquanto isso, a comunidade internacional observa com cautela as próximas movimentações. A Organização Marítima Internacional (IMO) ainda não emitiu recomendações específicas, mas sinalizou que monitorará de perto a situação.
Em resumo, a tomada da ilha de Perim pelos hutis marca um ponto de inflexão na guerra de proxy entre Irã e Estados Unidos, ao mesmo tempo em que coloca em risco uma das rotas mais críticas para o abastecimento energético global.








