Home / Saúde / Hospitais de Gaza forçam compartilhamento de incubadoras entre bebês prematuros

Hospitais de Gaza forçam compartilhamento de incubadoras entre bebês prematuros

Em maio de 2024, hospitais da Faixa de Gaza relataram que bebês prematuros estão sendo acomodados dois ou três a uma mesma incubadora, devido à escassez crítica de equipamentos. A situação ocorre principalmente na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Complexo Médico Nasser, em Khan Yunis, no sul da região.

Condições críticas nas UTIN de Gaza

Os recém‑nascidos chegam ao hospital ainda conectados a monitores, mas são forçados a dividir o espaço de uma única incubadora. Em alguns casos, três bebês ocupam simultaneamente o mesmo equipamento, o que eleva o risco de infecção cruzada e dificulta a vigilância individual.

Os profissionais de saúde explicam que a superlotação impede a realização de intervenções rápidas, como ajustes de temperatura ou administração de medicamentos específicos. Cada minuto conta para a sobrevivência de um prematuro, e a falta de espaço reduz drasticamente a margem de erro.

Além da falta de incubadoras, a unidade sofre com interrupções frequentes de energia elétrica. Geradores são acionados, mas o combustível escasso impede o funcionamento contínuo, comprometendo o fornecimento de oxigênio e o controle de temperatura.

O abastecimento de água potável também está comprometido, o que afeta a higienização dos equipamentos e aumenta o risco de contaminação bacteriana. Os enfermeiros precisam improvisar com soluções de limpeza menos eficazes, colocando a saúde dos bebês em risco adicional.

Os relatos de médicos palestinos indicam que a escassez de oxigênio medicinal é constante. Concentradores de oxigênio, que produzem ar enriquecido para pacientes com insuficiência respiratória, foram danificados ou não chegam ao território devido ao bloqueio.

Para tentar amenizar a situação, a equipe utiliza

  • cobertores térmicos improvisados,
  • ventiladores portáteis e
  • monitoramento remoto via celular.

Essas medidas são paliativas e não substituem a tecnologia adequada de uma incubadora moderna.

Os pais são informados de que o compartilhamento pode reduzir a taxa de sobrevivência, mas não há alternativas viáveis. Muitos descrevem a cena como “um pesadelo”, ao verem seus filhos lutando lado a lado em um espaço tão limitado.

Impacto da guerra no atendimento neonatal

A escalada do conflito entre Israel e Hamas, iniciada em outubro de 2023, destruiu ou danificou vários hospitais e redes de saúde em Gaza. Estruturas essenciais, como laboratórios e salas de cirurgia, foram atingidas, deixando um vácuo de serviços críticos.

As restrições impostas por Israel à entrada de mercadorias dificultam ainda mais a reposição de suprimentos médicos. Medicamentos, sondas de alimentação e peças de reposição para equipamentos de suporte vital chegam em quantidades insuficientes ou com atrasos de semanas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou em maio que a falta de dispositivos ortopédicos, concentradores de oxigênio e até mesmo materiais de laboratório compromete o tratamento de pacientes de todas as idades, inclusive os neonatos.

Segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), cerca de 70% dos recém‑nascidos atendidos nas UTIN são prematuros ou apresentam baixo peso ao nascer. Esse índice elevado reflete o aumento de partos prematuros provocado pelo estresse, pela má nutrição materna e pela falta de cuidados pré‑natal.

Um relatório da ONU, publicado em junho, apontou que a escassez de alimentos e a falta de medicamentos têm impactado diretamente as gestações. Mulheres grávidas enfrentam desnutrição, anemia e infecções que aumentam a probabilidade de partos prematuros.

Os médicos relatam que, ao tentar transferir bebês para outras unidades, encontram portas fechadas: os hospitais vizinhos também operam em capacidade máxima. A rede de referência está colapsada, o que obriga a equipe do Complexo Nasser a manter os recém‑nascidos na mesma unidade, mesmo quando o risco de superlotação é evidente.

Casos graves ilustram a gravidade da situação. No final de agosto, uma menina nasceu com inversão da aorta e da artéria pulmonar, uma cardiopatia congênita que exige cirurgia de emergência. O Hospital Naser não dispõe de espaço ou de equipe especializada para realizar o procedimento.

A tutora da criança explicou à imprensa que o bebê foi mantido na incubadora por apenas uma semana antes de ser devolvido à família, devido à “falta de espaço”. O relatório de alta indicou que a transferência era impossível, pois “não há absolutamente nenhum tratamento possível” no hospital.

Além da falta de leitos, a destruição de infraestrutura civil – como redes de água e energia – agrava o cenário. Sem eletricidade estável, os monitores de frequência cardíaca e os respiradores falham, expondo os bebês a riscos que seriam evitáveis em condições normais.

Mesmo diante desse caos, a comunidade médica demonstra resiliência extraordinária. Enfermeiros, médicos e técnicos trabalham em turnos exaustivos, improvisando soluções e mantendo a esperança viva para cada pequeno paciente.

Iniciativas e esperança para os recém‑nascidos

Organizações internacionais têm buscado mitigar a crise. O UNICEF enviou quase 100 incubadoras para seis hospitais de Gaza desde outubro de 2023, reforçando a capacidade de atendimento neonatal.

Toby Fricker, oficial de comunicação do UNICEF para os territórios palestinos, afirmou que o funcionamento das UTIN “só está acontecendo graças à resiliência dos médicos e dos pacientes”. Ele destacou que as incubadoras entregues ainda precisam de manutenção e energia constante.

Além das incubadoras, a ajuda humanitária inclui

  1. suprimentos de oxigênio medicinal,
  2. kits de higiene neonatal,
  3. treinamento rápido para equipes locais,
  4. geradores de energia de emergência.

Cada item representa um passo importante para reduzir a mortalidade infantil.

Histórias de sucesso surgem mesmo em meio ao sofrimento. Thaer Harzallah contou que seu filho, nascido com uma doença das células vermelhas do sangue, passou um mês na unidade neonatal e hoje está curado, permitindo que a família deixe o hospital com esperança renovada.

Esses casos demonstram que, apesar das limitações, a criatividade médica pode salvar vidas. Profissionais utilizam técnicas de ventilação não invasiva com equipamentos improvisados e monitoram a saturação de oxigênio com dispositivos portáteis.

Entretanto, a necessidade de apoio continua urgente. A comunidade internacional é convocada a acelerar a entrega de equipamentos críticos, garantir corredores humanitários seguros e pressionar por um cessar‑fogo que permita a reconstrução das instalações de saúde.

Especialistas recomendam que, enquanto a situação de bloqueio persiste, sejam criados protocolos de triagem que priorizem os casos mais críticos e que haja um sistema de telemedicina para suporte remoto de especialistas internacionais.

Em síntese, a crise neonatal em Gaza representa um alerta global sobre as consequências humanitárias de conflitos prolongados. Cada bebê que sobrevive é testemunho da dedicação incansável de profissionais que, mesmo sem recursos adequados, lutam contra a adversidade.

O futuro dos recém‑nascidos depende de ações coordenadas, do fluxo contínuo de suprimentos e da restauração das infraestruturas essenciais. Até que isso aconteça, a esperança permanece ancorada na coragem dos médicos, enfermeiros e famílias que não desistem de lutar por cada vida.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

loader-image
Guarulhos, BR
5:44 am, set 17, 2026
temperature icon 10°C
Névoa
1024 mb
Hora
6:00 am
temperature icon
10°/10°°C 0.01 mm 36% 12 Km/h 94% 1026 mb 0 cm
9:00 am
temperature icon
11°/12°°C 0.01 mm 30% 12 Km/h 89% 1026 mb 0 cm
12:00 pm
temperature icon
12°/12°°C 0.02 mm 29% 13 Km/h 86% 1025 mb 0 cm
3:00 pm
temperature icon
12°/12°°C 0.01 mm 30% 14 Km/h 88% 1024 mb 0 cm
6:00 pm
temperature icon
11°/11°°C 0.01 mm 37% 12 Km/h 94% 1025 mb 0 cm
9:00 pm
temperature icon
11°/11°°C 0 mm 38% 12 Km/h 95% 1026 mb 0 cm
12:00 am
temperature icon
11°/11°°C 0 mm 36% 11 Km/h 95% 1024 mb 0 cm
3:00 am
temperature icon
11°/11°°C 0.02 mm 32% 12 Km/h 90% 1024 mb 0 cm