Um homem negro foi filmado sendo conduzido por uma corrente por um manifestante branco durante um ato de apoio ao senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República, na tarde de sábado, 24 de outubro, na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio de Janeiro.
As imagens, registradas por jornalistas da revista Fórum e do UOL, mostram o homem carregando adesivos do Partido dos Trabalhadores e segurando um tridente, enquanto o outro participante segura a corrente e profere ofensas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O episódio ocorreu pouco antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o domingo, 25 de outubro.
Contexto da mobilização
A manifestação reuniu apoiadores de Flávio Bolsonaro que percorreram trechos da orla e se concentraram na Praça do Ó, encerrando a campanha do candidato no Rio de Janeiro.
Entre os presentes estavam o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o governador eleito do Rio, Douglas Ruas (PL), que acompanharam o senador em percursos curtos pela orla antes do discurso final.
O clima era de celebração, com bandeiras, faixas e alto-falantes transmitindo músicas de campanha, mas também de tensão, já que a polarização política tem se intensificado nas semanas que antecedem o pleito.
Os organizadores divulgaram o evento nas redes sociais como um ato de “defesa da família e da moral”, ao mesmo tempo em que críticos alertavam para possíveis confrontos entre grupos opositores.
Detalhes do incidente
O vídeo gravado por Raphaël Bernard, publicado na revista Fórum, mostra o homem negro com adesivos que fazem referência ao PT e segurando um tridente, símbolo associado a movimentos de direita.
Ele aparece a poucos metros de um manifestante branco que segura firmemente uma corrente de metal, puxando o colega enquanto grita insultos dirigidos ao presidente Lula.
Em outra gravação feita pelo repórter Luís Adorno, para o UOL, o mesmo homem aparece usando uma máscara que cobre parte do rosto, dificultando a identificação completa.
Os principais elementos observados no registro visual podem ser resumidos da seguinte forma:
- Homem com adesivos do PT e tridente nas mãos
- Corrente de metal segurada por outro manifestante
- Gritos de ofensa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva
- Uso de máscara facial por parte da vítima
Esses detalhes alimentaram um intenso debate nas redes sociais, onde usuários questionaram se o ato configurava violência simbólica, racismo ou simplesmente uma encenação política.
Repercussões e respostas institucionais
O g1 entrou em contato com a Polícia Civil do Rio de Janeiro, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE‑RJ) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para solicitar esclarecimentos sobre a ocorrência.
Até o momento da publicação, nenhum dos órgãos havia emitido pronunciamento oficial, deixando a população em expectativa sobre possíveis investigações ou sanções.
Organizações de direitos humanos, como a Anistia Internacional e o Instituto de Defesa dos Direitos Humanos, cobraram uma apuração rápida e a responsabilização dos envolvidos, destacando o risco de normalização de práticas racistas em ambientes políticos.
Nas redes, a hashtag #AcorrentamentoPolítico ganhou tração, gerando milhares de menções que variavam entre condenações veementes e defesas do gesto como “liberdade de expressão”.
Alguns advogados especializados em direito eleitoral sugeriram que o caso poderia ser enquadrado como crime de incitação ao ódio, previsto na Lei nº 7.716/89, e que a Justiça Eleitoral poderia abrir processo por violação do princípio da igualdade.
Análise do impacto político
O incidente chegou a poucos dias do segundo turno, período crítico em que candidatos buscam consolidar bases e atrair eleitores indecisos.
A imagem de um homem negro acorrentado, ainda que em contexto de apoio a um candidato de direita, pode reforçar percepções de que o discurso polarizador está se traduzindo em atos de intimidação e discriminação.
Especialistas em ciência política apontam que episódios como este podem influenciar a opinião pública, sobretudo entre eleitores jovens que acompanham as notícias via redes sociais.
Para a campanha de Flávio Bolsonaro, a repercussão negativa pode representar um obstáculo na tentativa de ampliar sua base de apoio, especialmente em regiões onde questões raciais têm peso significativo.
Por outro lado, apoiadores do senador argumentam que a cobertura midiática exagerou o caso, tentando deslegitimar uma manifestação legítima de apoio.
Com o segundo turno se aproximando, a disputa promete se intensificar, e incidentes como este podem servir de alerta para partidos e candidatos sobre a necessidade de manter o debate dentro dos limites do respeito e da legalidade.








