Um viajante de 45 anos foi preso no aeroporto de Colônia/Bonn, na Alemanha, ao ser encontrado com 37 cobras venenosas e 55 lagartos escondidos em sua bagagem. A apreensão ocorreu na manhã de 16 de outubro de 2024, após agentes da alfândega realizarem um controle de rotina. O caso ganhou destaque nacional por envolver um número incomum de animais exóticos e pela suspeita de tráfico comercial.
A descoberta na alfândega
Os agentes da alfândega notaram o comportamento nervoso do passageiro durante o procedimento de embarque e, após um exame toxicológico que apontou consumo de cocaína, decidiram revistar sua mala. Dentro de frascos de xampu, cremes, meias e recipientes plásticos, encontraram mais de 90 répteis vivos, todos provenientes do México.
Jens Ahland, porta‑voz da autoridade aduaneira, explicou que a equipe está habituada a encontrar objetos proibidos, mas nunca havia registrado a captura de tantas cobras venenosas em um único caso. “É angustiante ver o que algumas pessoas fazem com os animais por pura ganância”, afirmou.
Detalhes dos répteis apreendidos
Entre as espécies encontradas estavam víboras, cascavéis, iguanas‑de‑espinhos, salamandras e lagartos‑sem‑pata. Muitas dessas criaturas estão listadas como ameaçadas de extinção e são protegidas por convenções internacionais.
- Víbora de cascavel (Crotalus spp.)
- Serpente coral (Micrurus spp.)
- Iguana-de-espinhos (Ctenosaura spp.)
- Salamandra mexicana (Ambystoma mexicanum)
- Lagarto-sem-pata (Bipes biporus)
Os répteis foram imediatamente entregues a veterinários da cidade de Colônia, que iniciaram o atendimento de emergência. Apesar dos esforços, cerca de 30 animais não resistiram ao estresse da viagem, morrendo por falta de alimento e pelas condições inadequadas de transporte.
Os sobreviventes foram encaminhados para um serpentário próximo a Braunschweig, onde receberão cuidados especializados e serão monitorados para eventual reabilitação ou liberação controlada.
Consequências para o suspeito e a legislação
Durante o interrogatório, o mexicano alegou que pretendia passar férias na Alemanha e que estava transportando os répteis como um favor a um conhecido brasileiro. A polícia federal alemã, no entanto, considerou o caso como contrabando comercial e negou sua permanência no país.
Ele foi devolvido a Istambul no dia seguinte à sua detenção e um inquérito foi aberto contra ele por violação das leis de proteção à fauna e por tráfico internacional de espécies silvestres.
A legislação alemã prevê multas pesadas e penas de prisão para quem for pego contrabandeando animais protegidos. Em 2023, as autoridades aduaneiras apreenderam quase 57 mil animais e plantas protegidos em todo o território, sendo mais de 90% dos casos detectados em encomendas postais ou nos aeroportos.
Impacto do tráfico de animais na Alemanha
O caso evidencia um problema crescente: o comércio ilegal de animais exóticos, que movimenta milhares de euros e coloca em risco a biodiversidade global. Os répteis capturados poderiam ser vendidos a colecionadores ou a estabelecimentos que os utilizam em rituais ou como objetos de curiosidade.
Especialistas alertam que a demanda por espécies raras alimenta redes criminosas que operam em múltiplas fronteiras. A Alemanha, como um hub logístico europeu, tem se tornado um ponto de passagem frequente para esses contrabandos.
Organizações ambientais reforçam a necessidade de maior fiscalização, treinamento especializado para agentes de fronteira e campanhas de conscientização junto ao público viajante. Cada animal que sobrevive a uma viagem clandestina representa um risco à saúde humana, ao bem‑estar animal e ao equilíbrio dos ecossistemas de origem.
Em resposta ao incidente, a alfândega de Colônia intensificou os procedimentos de inspeção em bagagens que contenham itens de higiene pessoal, além de ampliar a cooperação com autoridades mexicanas para rastrear a origem dos répteis e desmantelar possíveis rotas de tráfico.








