No sábado, 26 de maio, em São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo, o candidato à Presidência Fernando Haddad criticou publicamente o senador Flávio Bolsonaro por não prestar contas do financiamento do filme ‘Dark Horse’. O discurso aconteceu durante uma caminhada ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que reuniu milhares de eleitores. Haddad apontou supostas ligações do senador com esquemas de corrupção e questionou sua elegibilidade para a disputa presidencial.
Financiamento do filme ‘Dark Horse’ e as dúvidas sobre a origem dos recursos
O longa‑metragem ‘Dark Horse’ narra a trajetória do ex‑presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, e está sob investigação no Supremo Tribunal Federal e no Ministério Público de São Paulo. As investigações giram em torno da suposta utilização de recursos públicos por parte da produtora Karina da Gama, da Go UP Entertainment e do Instituto Conhecer Brasil, controlado exclusivamente por Flávio Bolsonaro.
Segundo Haddad, o dinheiro que permitiu a produção veio do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e ainda não foi apresentado nenhum comprovante de origem ou destino. “Ele não presta conta do filme porque ele não presta mesmo”, afirmou o petista, reforçando a necessidade de transparência nas contas públicas.
Os órgãos investigativos buscaram entender como foram movimentados os recursos, se houve desvio de verbas públicas e qual o papel de cada empresa envolvida na cadeia produtiva. Até o momento, a defesa de Flávio Bolsonaro alega que os aportes foram de origem privada e que não há indícios de irregularidades.
- Banco Master – representado por Daniel Vorcaro
- Produtora Karina da Gama
- Go UP Entertainment
- Instituto Conhecer Brasil (ICB)
- Senador Flávio Bolsonaro – proprietário único do ICB
A caminhada ao lado de Lula em São Miguel Paulista
A manifestação contou com a presença de Lula, Haddad, o vice‑presidente Geraldo Alckmin e candidatas ao Senado como Simone Tebet e Marina Silva. O clima era de campanha intensa, com discursos voltados para a defesa da democracia e a crítica aos adversários. Haddad utilizou o momento para reforçar a mensagem de que o PT não tolera a falta de prestação de contas.
Durante a caminhada, o candidato do PT destacou a importância de combater a impunidade e de garantir que recursos públicos sejam usados exclusivamente para benefício da população. Ele também elogiou a proibição de empresas de apostas (bets) e do popular “Jogo do Tigrinho”, apresentando‑as como medidas de justiça tributária.
Ao final do evento, a multidão respondeu com aplausos e cantos, mostrando apoio tanto ao presidente Lula quanto ao discurso de Haddad, que buscou conectar a luta contra a corrupção com a agenda econômica do governo.
Conexões apontadas por Haddad entre Flávio Bolsonaro e outros escândalos
No discurso, Haddad enumerou nomes que, segundo ele, mantêm relações próximas com Flávio Bolsonaro, sugerindo um padrão de envolvimento em casos controversos. Ele citou o empresário Willer Tomaz, ligado ao INSS, o banqueiro Daniel Vorcaro, o líder de milícia Adriano da Nóbrega e o ex‑deputado João Rodrigo Queiroz, conhecido por seu papel nas “rachadinhas”.
“No INSS ele tem esse tal de Willer, no Master ele tem o Vorcaro, nas milícias ele tem o Adriano e nas rachadinhas o Queiroz. Ele está sempre enrolado com alguma coisa perigosa”, disse Haddad, reforçando a ideia de que Flávio Bolsonaro está cercado por figuras questionáveis.
- Willer Tomaz – empresário ligado ao INSS
- Daniel Vorcaro – dono do Banco Master
- Adriano da Nóbrega – líder de milícia
- João Rodrigo Queiroz – investigado por “rachadinhas”
Haddad ainda alertou que, apesar das acusações, Flávio Bolsonaro pretende concorrer à Presidência da República. “Desse pernambucano aqui, nós não vamos deixar”, afirmou, indicando que a campanha do PT buscará impedir que o senador alcance o cargo máximo do país.
Reação de outros candidatos e implicações para a campanha
Além de Haddad, o governador Tarcísio de Freitas, do partido Republicanos, foi mencionado como adversário na disputa pelo governo de São Paulo. Haddad sugeriu que a vitória de Lula nas eleições de 4 de outubro poderia “mandar o Tarcísio para Brasília ou para o Rio de Janeiro, onde ele preferir”, indicando uma estratégia de consolidação de poder.
Alckmin, Tebet e Marina Silva, presentes na caminhada, reforçaram a mensagem de combate à impunidade e ao uso indevido de recursos. Eles elogiaram a política de taxação sobre bancos, bilionários e operadores de apostas, destacando que a medida beneficia 141 mil ricos que passam a pagar impostos, ao mesmo tempo em que alivia a carga tributária de 15 milhões de brasileiros que ganham até R$ 5 mil.
Haddad concluiu que a proibição das apostas e a “justiça tributária” são vitórias para a população, mas que os “riquinhos” que se opõem a essas medidas agora enfrentam um novo problema: a perda de receitas provenientes das bets. Ele advertiu que Flávio e Tarcísio defendem interesses que contrariam a agenda de combate à desigualdade.
O discurso de Haddad, ao mesmo tempo que criticou Flávio Bolsonaro, também serviu para mobilizar a base petista e reforçar a narrativa de que o PT está comprometido com a transparência, a justiça social e a defesa da democracia. As próximas semanas deverão trazer mais confrontos verbais entre os candidatos, enquanto a corrida eleitoral se intensifica.








