O primeiro caça Gripen E fabricado fora da Suécia realizou seu voo inaugural na manhã de terça‑feira, 6 de junho, no aeródromo da Embraer em Gavião Peixoto, São Paulo. A aeronave decolou às 10h21 sob o comando do piloto‑chefe de testes da Saab, Jakob Högberg, marcando o início da fase de aceitação da produção.
Detalhes do voo inaugural
O teste foi conduzido para validar os sistemas críticos do vetor, como os controles de voo fly‑by‑wire e os módulos de navegação avançada. A missão também avaliou o desempenho dos motores Eurojet EJ200 em regime de decolagem e subida. Cada parâmetro foi registrado em tempo real por engenheiros de ambas as empresas.
Os engenheiros da Embraer coordenaram a operação, contando com o apoio técnico da Saab em áreas de software e integração de sensores. A colaboração permitiu ajustes finos no software de missão, garantindo que o caça cumpra os requisitos da Força Aérea Brasileira.
Durante o voo, foram realizados três trechos de teste:
- Teste de estabilidade em alta velocidade;
- Verificação da resposta dos sistemas de armamento simulado;
- Checagem da comunicação com a rede de controle terrestre.
Os resultados preliminares indicaram que todos os sistemas operaram dentro dos limites estabelecidos, permitindo a progressão para a próxima fase de certificação.
Tecnologia e transferência de conhecimento
O programa Gripen no Brasil inclui um robusto plano de transferência de tecnologia, previsto no acordo bilateral entre Saab e o governo brasileiro. Essa iniciativa visa capacitar a cadeia produtiva nacional em processos de fabricação de caças supersônicos.
As instalações de Gavião Peixoto abrigam a única linha de produção ativa de caças da América do Sul, integrando fornecedores locais a uma rede global de suprimentos sueca. Componentes como fuselagem de fibra de carbono, sistemas eletrônicos e motores são montados no país.
Além da produção, o projeto contempla treinamento avançado de engenheiros e técnicos brasileiros. Cursos especializados cobrem desde a inspeção de materiais composites até a calibração de radares AESA.
Essa transferência de know‑how tem impacto direto na autonomia estratégica do Brasil, reduzindo a dependência de importações e fortalecendo a indústria aeroespacial nacional.
Próximos passos e integração à FAB
Com a conclusão bem‑sucedida do voo inaugural, a próxima etapa será a campanha de ensaios de aceitação, que inclui testes de armamento real e missões de longo alcance. Ao término, a aeronave receberá a certificação de aeronavegabilidade.
Após a homologação, o caça será oficialmente incorporado à Força Aérea Brasileira e transferido para a Base Aérea de Anápolis, em Goiás. Lá, ele integrará o Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), que já opera dez unidades Gripen em serviço ativo.
O lote inicial compreende quinze unidades produzidas no Brasil, com previsão de entrega completa até 2029. Cada aeronave deverá contribuir para a renovação do parque aéreo de defesa nacional.
Além da capacidade de superioridade aérea, o Gripen E traz recursos avançados de guerra eletrônica, capacidade de operar em ambientes de alta densidade de ameaças e interoperabilidade com sistemas aliados da OTAN.
O governo brasileiro destacou que a aquisição reforça a soberania nacional e amplia a presença do país em missões de patrulha e defesa de espaço aéreo.
Especialistas apontam que a combinação de produção local e suporte técnico contínuo cria um ecossistema sustentável para manutenção e upgrades futuros, garantindo a longevidade da frota.
O sucesso do voo inaugural também impulsiona a confiança de investidores no setor aeroespacial brasileiro, estimulando novos projetos de pesquisa e desenvolvimento em parceria com universidades e centros de inovação.
Em síntese, a decolagem do primeiro Gripen E nacional marca um marco histórico para a aviação militar do Brasil, sinalizando um futuro de maior autonomia e capacidade tecnológica.








