Em 15 de outubro de 2026, o Departamento de Estado dos Estados Unidos enviou uma carta a uma congressista americana afirmando que o governo de Donald Trump apoia o direito dos brasileiros de escolher seus representantes em eleições livres e justas. A mensagem foi assinada na quinta‑feira e também abordou sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Carta oficial do Departamento de Estado
A correspondência chegou como resposta a uma solicitação feita em setembro por 31 deputados dos EUA, que exigiam que a Casa Branca respeitasse o calendário eleitoral brasileiro. Na carta original, os parlamentares acusavam o governo Trump de tentar interferir nas eleições por meio de medidas econômicas, políticas e diplomáticas.
O documento de Washington destacou que os Estados Unidos continuam comprometidos com a realização de eleições livres e justas no Brasil, reforçando a intenção de manter relações diplomáticas com o próximo governo eleito. Além disso, o texto sublinhou que as decisões de sanção foram tomadas com base em critérios legais e regulatórios vigentes.
Para ilustrar as acusações feitas pelos deputados americanos, a carta listou as supostas formas de interferência:
- Pressão econômica através de ameaças de sanções comerciais;
- Manobras políticas que visavam influenciar candidatos;
- Ações diplomáticas que poderiam isolar o Brasil em fóruns internacionais.
O Departamento de Estado, porém, contestou cada ponto, afirmando que nenhuma medida foi adotada com o objetivo de manipular o pleito brasileiro.
Sanções contra o ministro Alexandre de Moraes
Um dos focos da carta foi a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Em julho de 2025, o governo dos EUA havia anunciado a sanção baseada em documentos que apontavam graves violações de direitos humanos.
Segundo a administração Trump, Moraes teria abusado de sua autoridade ao autorizar prisões preventivas injustificadas e ao comprometer a liberdade de expressão. O texto também acusou o ministro de promover uma campanha direcionada para silenciar críticos políticos, exigindo que plataformas digitais, inclusive empresas americanas, bloqueassem contas que publicavam manifestações protegidas.
A medida gerou controvérsia no Brasil, mas o nome de Moraes foi retirado da lista de sancionados em dezembro de 2025, após revisões internas nos EUA. Ainda assim, a carta de outubro de 2026 reafirmou que a decisão original foi tomada com base em evidências sólidas.
O comunicado ressaltou ainda que a retirada posterior não anulou a avaliação inicial de que houve violação de direitos fundamentais, mantendo a posição de que o Brasil deve garantir o devido processo legal a todos os seus cidadãos.
Classificação do PCC e do CV como organizações terroristas
Outro ponto central da mensagem foi a defesa da classificação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas. O governo Trump argumentou que ambas as facções são responsáveis por uma série de ataques violentos contra autoridades e civis, representando ameaça à segurança regional e aos interesses dos Estados Unidos.
Segundo a carta, as atividades do PCC e do CV incluem tráfico de drogas, extorsão, assassinatos e atentados contra infraestruturas críticas. Essas ações, segundo Washington, justificam a designação de grupos terroristas e permitem a aplicação de sanções econômicas e restrições de viagem.
O documento ainda destacou que a classificação tem apoio de agências de inteligência americanas, que monitoram a expansão das redes criminosas para além das fronteiras brasileiras, especialmente em rotas de tráfico que atingem o Caribe e a América do Norte.
Ao mesmo tempo, a carta reconheceu que a cooperação entre Brasil e EUA em segurança pública permanece essencial, e que o combate ao crime organizado deve ser conduzido dentro do marco do respeito aos direitos humanos.
Reações de parlamentares norte‑americanos
No dia 24 de setembro, os 31 deputados que enviaram a primeira carta ao secretário de Estado Marco Rubio acusaram o governo Trump de pressionar instituições brasileiras e colocar em risco a parceria estratégica entre os dois países. Eles exigiam que os EUA reconhecessem e aceitassem o resultado das eleições marcadas para outubro.
Cinco dias depois, três senadores democratas solicitaram garantias a Rubio de que o governo norte‑americano aceitaria o desfecho eleitoral brasileiro, expressando preocupação com possíveis tentativas de interferência.
Após o primeiro turno, em 6 de outubro, um novo grupo de 12 deputados enviou outra carta, desta vez de três páginas, reiterando as acusações de interferência e pedindo transparência nas ações do Departamento de Estado.
Essas trocas diplomáticas intensificaram o debate interno nos EUA sobre a postura do país em relação à soberania eleitoral do Brasil. Analistas políticos apontam que o episódio pode influenciar a agenda legislativa sobre sanções e políticas externas nos próximos meses.
Entretanto, o Departamento de Estado manteve sua posição, afirmando que continuará a observar o processo eleitoral brasileiro e a apoiar o próximo governo eleito, desde que este respeite os princípios democráticos e os direitos humanos reconhecidos internacionalmente.
Em resumo, a carta de outubro de 2026 reforça a mensagem de que os Estados Unidos, sob a administração Trump, pretendem equilibrar apoio à democracia brasileira com a aplicação de sanções contra indivíduos e organizações que, segundo Washington, violam normas internacionais de direitos humanos e segurança.








