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Governadora de Nova York denuncia falhas na investigação de agressão sexual em Cornell

A governadora de Nova York, Kathy Hochul, criticou nesta sexta‑feira, 2 de outubro de 2024, a condução da investigação sobre um suposto estupro coletivo ocorrido na Universidade Cornell, nos Estados Unidos. Ela afirmou que a vítima foi “deixada na mão” pelas autoridades responsáveis, incluindo a polícia universitária e a promotoria local. Hochul garantiu que o caso será reavaliado para que todos os fatos sejam esclarecidos.

Reação da governadora e troca de responsabilidade

Um dia antes de fazer a declaração, Hochul anunciou que a procuradora‑geral do estado, Letitia James, assumirá a investigação como promotora especial. Essa mudança representa um afastamento da promotoria do condado de Tompkins, que havia encerrado o caso sem acusações criminais em 2024. Hochul enfatizou que não permitirá que o caso seja “varrido para debaixo do tapete”.

Durante a entrevista coletiva ao lado de James, a governadora também apontou falhas graves na atuação da polícia de Cornell. Segundo ela, as autoridades deveriam ter encaminhado à promotoria um relato detalhado de que uma estudante foi agredida sexualmente por cinco homens enquanto estava intoxicada em uma casa de fraternidade. Hochul questionou ainda a legislação estadual que trata de vítimas que consumiram álcool ou drogas de forma voluntária.

  • Nome da promotora especial: Letitia James
  • Autoridade anterior: Promotor do condado de Tompkins, Matthew Van Houten
  • Data da nova designação: 2 de outubro de 2024

Detalhes da acusação civil e da suposta agressão

A ação civil foi movida por uma ex‑aluna, identificada como Jane Doe, que processou sete estudantes, a própria Cornell, a fraternidade Chi Phi e outros envolvidos. O processo, apresentado em setembro de 2024, alega que a estudante, então com 20 anos, participou de uma festa na sede da fraternidade em outubro de 2024, consumiu álcool, cetamina e maconha, e ficou incapacitada antes de ser sexualmente agredida por horas.

Os advogados de dois dos acusados negaram as alegações, afirmando que seus clientes não tocaram na estudante nem consumiram drogas. A investigação criminal original, concluída em 2024, não encontrou provas suficientes para apresentar acusações, pois o relato inicial à polícia universitária não mencionava dopagem ou incapacidade de consentimento.

Van Houten, então promotor, declarou que as alegações da ação civil são “dramaticamente diferentes” do relato registrado pela polícia em 2024. Contudo, ele admitiu não ter visto o relato detalhado apresentado no processo civil, baseando sua decisão em uma declaração de um policial universitário.

Impactos na universidade e próximos passos da investigação

A reabertura do caso levou a mudanças imediatas dentro de Cornell. A instituição suspendeu por tempo indeterminado a unidade da fraternidade Chi Phi e anunciou uma investigação independente sobre a forma como lidou com as alegações da estudante. A universidade afirmou apoiar a reabertura da investigação criminal e revelou que sanções disciplinares internas já foram aplicadas, incluindo expulsões e suspensões.

Letitia James, agora responsável pela nova análise, afirmou que sua prioridade será a investigação criminal e que, no momento, não pretende focar na atuação do promotor local. Ela declarou que seguirá “onde os fatos nos levarem” e que, se houver elementos suficientes, apresentará o caso a um júri de instrução.

A governadora Hochul também ressaltou a necessidade de revisar a legislação estadual sobre consentimento em situações de intoxicação. Ela argumentou que, se alguém está intoxicado a ponto de não poder consentir, a escolha prévia de consumir álcool ou drogas não deve excluir a responsabilidade dos agressores.

Enquanto isso, a comunidade acadêmica de Cornell permanece dividida. Alguns estudantes e professores pedem maior transparência e responsabilização, enquanto outros defendem que a universidade já tomou medidas adequadas. O debate público tem se intensificado nas redes sociais, com hashtags como #CornellJustice e #ProtectSurvivors ganhando destaque.

Especialistas em direito criminal apontam que o caso pode servir de precedente para futuras investigações envolvendo agressões sexuais em ambientes universitários. Eles destacam a importância de protocolos claros entre a polícia universitária e as autoridades locais, bem como a necessidade de treinamento adequado para lidar com vítimas intoxicadas.

Em resumo, a intervenção de Kathy Hochul e a nomeação de Letitia James marcam um ponto de virada na forma como o caso será tratado. A expectativa agora é que a investigação seja conduzida com maior rigor, transparência e foco na proteção dos direitos da vítima, independentemente das circunstâncias que envolveram o consumo de substâncias.

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