Na última semana, o Google começou a utilizar informações armazenadas em serviços como Gmail, Google Drive e Fotos para aprimorar a segmentação de anúncios personalizados. Essa mudança afeta usuários que optarem por compartilhar seus dados com outros produtos da empresa, como os recursos de inteligência artificial integrados à Busca. A nova política já está em vigor e pode ser vista nas configurações de conta do usuário.
Entendendo a nova política de uso de dados
O Google descreve a alteração como parte da expansão da Inteligência Personalizada, um recurso que conecta diferentes aplicativos da plataforma para gerar respostas mais contextualizadas. Quando o modo IA com Apps Conectados está ativado, ele pode analisar e‑mails ou fotos para responder a perguntas específicas do usuário. Por exemplo, uma reserva confirmada no Gmail pode ser usada para sugerir restaurantes próximos ao hotel reservado.
Apesar da integração, a empresa afirma que não compartilha o conteúdo bruto das mensagens, arquivos ou imagens com anunciantes. O que muda é que os algoritmos de publicidade passam a considerar esses dados ao definir quais anúncios serão exibidos. Identificadores pessoais como nome, endereço de e‑mail e categorias sensíveis (raça, religião, orientação sexual ou informações de saúde) continuam excluídos do processo.
Impactos nos anúncios e na privacidade dos usuários
Com a nova regra, o histórico de buscas e as interações em serviços como Maps, Shopping e Google Notícias podem influenciar a seleção de anúncios. Isso significa que, ao pesquisar um voo ou um hotel, o Google pode exibir promoções que correspondam ao seu histórico de reservas armazenado no Gmail. No entanto, o conteúdo exato das mensagens não é revelado a terceiros.
O aplicativo Gemini, que também utiliza inteligência artificial, ainda não exibe anúncios. Portanto, o uso do Gemini em conjunto com a Inteligência Personalizada não deve expor informações adicionais, desde que o usuário siga estritamente os termos de privacidade. Ainda assim, a possibilidade de cruzamento de dados levanta preocupações sobre a extensão da personalização e a transparência das práticas de coleta.
Como desativar a personalização e limpar seus dados
Os usuários que desejam impedir que seus dados alimentem o algoritmo de anúncios podem seguir alguns passos simples nas configurações do aplicativo Google, tanto em Android quanto em iOS, ou diretamente no site. Desconectar os aplicativos usados pelo recurso de personalização na Busca é o primeiro passo para limitar a coleta.
- Acesse o aplicativo Google e toque em Configurações > Busca > Inteligência Personalizada;
- Desative a opção Apps Conectados ou selecione Desconectar ao lado de cada serviço que não deseja compartilhar;
- Na mesma tela, localize Recomendações Personalizadas e desative a funcionalidade para todos os serviços de pesquisa.
Desativar essas opções impede novas consultas pelos recursos de personalização, mas não remove os dados já armazenados. Para excluir informações já coletadas, é necessário acessar a página Minha Atividade, selecionar Histórico dos serviços de pesquisa e remover manualmente os registros desejados ou optar por Desativar e excluir atividade.
É importante notar que, mesmo após a exclusão, alguns dados podem permanecer em caches temporários ou em backups de servidores por um período limitado. Por isso, revisar periodicamente as configurações de privacidade e limpar o histórico garante maior controle sobre o que é compartilhado com a plataforma.
Além das configurações de personalização, o usuário pode limitar o uso de dados nas preferências de anúncios globais do Google. Essa opção está disponível em Configurações de Anúncios dentro da conta Google, onde é possível desativar a personalização de anúncios em toda a rede.
- Visite Configurações de Anúncios;
- Desative a chave Personalização de anúncios;
- Salve as alterações para que os anúncios exibidos passem a ser genéricos, sem base em seu histórico.
Ao combinar a desativação da Inteligência Personalizada com a desativação da personalização de anúncios, o usuário reduz significativamente a quantidade de informação que o Google pode usar para segmentar publicidade. Essa estratégia é recomendada para quem prioriza a privacidade e deseja minimizar rastreamentos internos.
Recomendações finais para manter a privacidade digital
Manter a privacidade online requer atenção contínua às políticas das plataformas que utilizamos. O Google costuma atualizar seus termos de serviço, portanto, revisar as configurações a cada trimestre ajuda a garantir que as preferências estejam alinhadas com suas expectativas.
Outra prática útil é utilizar endereços de e‑mail alternativos para serviços que não exigem identidade real. Dessa forma, caso algum dado seja usado para anúncios, ele não está vinculado diretamente ao seu contato principal.
Além disso, habilitar a autenticação de dois fatores (2FA) protege a conta contra acessos não autorizados que poderiam expor informações sensíveis. A combinação de 2FA, revisão de permissões e limpeza periódica do histórico cria uma camada robusta de defesa contra a coleta excessiva de dados.
Por fim, fique atento às notificações de alterações nas políticas de privacidade do Google. Quando a empresa anuncia mudanças, costuma disponibilizar um resumo das novas práticas e links diretos para ajustar as configurações. Ler esses avisos e agir rapidamente pode evitar que mudanças automáticas afetem sua experiência sem seu consentimento.
Em resumo, a nova política de uso de dados do Gmail e Fotos para anúncios personalizados amplia a capacidade de segmentação da publicidade, mas oferece ao usuário ferramentas claras para controlar e excluir essas informações. Seguir os passos descritos acima garante que você mantenha o controle sobre seus dados e minimize a exposição indesejada.







