O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, utilizou a rede social X para manifestar pesar pela derrota do senador Esperidião Amin nas eleições de 2026, realizadas em Santa Catarina. A publicação, feita no sábado, 10 de outubro, trouxe à tona uma comparação histórica com a derrota de Djalma Marinho em 1974, citando a frase do ex-presidente do Senado Jarbas Passarinho sobre a lógica e a irracionalidade dos movimentos populares.
Contexto da derrota nas urnas de 2026
Nas eleições gerais de 4 de outubro de 2026, a disputa por duas vagas ao Senado federal em Santa Catarina terminou com a vitória de Carol De Toni e Carlos Bolsonaro, ambos filiados ao Partido Liberal (PL). Esperidião Amin, candidato pelo Partido Progressista (PP), ficou em terceiro lugar, recebendo 1.233.034 votos, o que corresponde a 15,31% dos votos válidos. Essa perda marcou o fim de uma sequência de 16 anos em que o político ocupou cargos eletivos.
O resultado surpreendeu analistas que esperavam que a experiência e o reconhecimento de nome pudessem garantir ao ex-governador um retorno ao Senado. A campanha de Amin enfrentou forte concorrência, além de um cenário nacional de polarização que acabou beneficiando candidatos com maior apoio nas redes sociais e nas bases partidárias do PL.
A trajetória política de Esperidião Amin
Para entender a repercussão da derrota, é fundamental revisitar a longa carreira de Esperidião Amin, que se estende por quase seis décadas de serviço público. O político catarinense iniciou sua trajetória como prefeito de Florianópolis, cargo que ocupou em duas ocasiões distintas, antes de assumir a governadoria do estado aos 35 anos.
Em 1998, Amin foi eleito governador pela segunda vez, consolidando sua influência no cenário estadual. Sua passagem pelo Congresso Nacional também foi marcante, com três mandatos como deputado federal e duas eleições bem-sucedidas ao Senado da República.
- Prefeito de Florianópolis (duas vezes)
- Governador de Santa Catarina (1994‑1995 e 1999‑2002)
- Deputado federal (três mandatos)
- Senador da República (duas vezes)
- Presidente nacional do PP
- Candidato à Presidência da República em 1994
Durante seu período no Senado, Amin destacou-se por apoiar projetos de infraestrutura, como a construção de rodovias e a expansão de portos, além de iniciativas voltadas ao crédito para micro e pequenos empreendedores. Seu discurso sempre enfatizou a importância do desenvolvimento regional e da integração econômica entre os municípios catarinenses.
Além das funções executivas e legislativas, Amin também foi reconhecido por sua atuação em comissões temáticas, onde promoveu debates sobre energia renovável, turismo e proteção ambiental, temas de relevância para o estado que possui forte potencial turístico e de recursos naturais.
Repercussões e comentários de Gil Gilmar Mendes
Ao publicar sua mensagem, Gilmar Mendes citou a frase de Jarbas Passarinho: “Os movimentos populares têm sua lógica e sua irracionalidade”. O ministro ressaltou que, embora a lógica dos eleitores possa parecer imprevisível, ela reflete demandas sociais que nem sempre são capturadas pelos partidos tradicionais.
Em seu texto, Mendes destacou que poucos nomes marcaram tanto a política catarinense quanto Amin, enfatizando a idade avançada do político (78 anos) e sua contribuição ao longo de décadas. O ministro também apontou que, a partir de 2027, Santa Catarina perderá a experiência de um líder que, segundo ele, continuará a desempenhar um papel relevante, mesmo fora dos cargos eletivos.
Os comentários de Gilmar Mendes geraram debate nas redes sociais, com usuários divididos entre quem elogiou a homenagem ao histórico político e quem questionou a relevância de um magistrado comentar sobre questões eleitorais. Alguns analistas apontaram que a fala do ministro evidencia a tensão entre a elite política tradicional e as novas dinâmicas de voto popular.
O cenário político em Santa Catarina pós-eleição
Com a entrada de Carol De Toni e Carlos Bolsonaro no Senado, o panorama político catarinense passa por uma reconfiguração. Ambos os novos senadores são alinhados ao governo federal, o que pode influenciar a pauta de projetos federais destinados ao estado.
Especialistas apontam que a ausência de Amin pode abrir espaço para lideranças emergentes dentro do PP, que buscarão consolidar sua base e recuperar a representatividade perdida. Ao mesmo tempo, a população catarinense demonstra um crescente interesse por questões como segurança pública, desenvolvimento econômico sustentável e investimentos em educação, temas que deverão orientar a agenda dos novos representantes.
Enquanto isso, Gilmar Mendes permanece atento ao desenvolvimento da democracia brasileira, lembrando que a lógica dos movimentos populares, ainda que às vezes pareça irracional, é parte integrante do processo eleitoral. Sua mensagem serve como um lembrete de que a política deve estar em constante diálogo com a sociedade, reconhecendo tanto suas conquistas quanto seus desafios.








