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Flávio Bolsonaro lidera entre eleitores independentes e se aproxima de Lula no segundo turno, aponta pesquisa Quaest

Uma pesquisa da Quaest divulgada nesta segunda‑feira (14) revelou que, entre eleitores independentes, Flávio Bolsonaro (PL) tem 36% das intenções de voto contra 26% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um possível segundo turno. O levantamento foi realizado entre os dias 10 e 13 de setembro, com entrevistas em todo o país. Os resultados mostram ainda que 29% dos entrevistados pretendem votar em branco, anular a cédula ou não comparecer às urnas.

Contexto da pesquisa e metodologia

A Quaest conduziu o levantamento com 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, utilizando amostragem probabilística e ponderação por região, sexo e faixa etária. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Para os recortes por identificação política, a margem de erro aumenta para quatro pontos percentuais.

A pesquisa foi encomendada pela Globo em parceria com o jornal O Globo, e os dados foram registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR‑03607/2026. O período de campo coincidiu com a intensificação das campanhas eleitorais, o que pode ter influenciado as respostas dos eleitores.

Desempenho dos candidatos entre eleitores independentes

Entre os eleitores que se declaram independentes, Flávio Bolsonaro obteve 36% das intenções de voto, superando Lula, que ficou com 26%. A diferença de dez pontos indica uma vantagem clara para o senador, embora a margem de erro de quatro pontos permita alguma variação nos números finais.

Na pesquisa anterior, divulgada em 7 de setembro, a diferença entre os dois candidatos era de apenas quatro pontos, com 32% para Flávio e 28% para Lula. O aumento de quatro pontos para Flávio entre as duas pesquisas sugere um ganho de apoio dentro desse segmento específico.

Além dos votos expressos, 29% dos independentes declararam que não votarão, anularão o voto ou escolherão o branco, o que pode ser decisivo em um segundo turno apertado.

Análise dos resultados gerais e margens de erro

Quando o conjunto total de eleitores entrevistados é considerado, a disputa se mostra ainda mais equilibrada. Flávio Bolsonaro registra 42% das intenções de voto, enquanto Lula tem 40%, configurando um empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Os resultados foram segmentados por identificação política, revelando variações nas preferências:

  • Lulista: margem de erro de 5 pontos percentuais para mais ou para menos.
  • Esquerda não Lulista: margem de erro de 6 pontos percentuais.
  • Independente: margem de erro de 4 pontos percentuais.
  • Direita não Bolsonarista: margem de erro de 5 pontos percentuais.
  • Bolsonarista: margem de erro de 6 pontos percentuais.

Essas faixas indicam que, embora Flávio tenha vantagem entre os independentes, seu desempenho entre os eleitores de direita tradicionalmente bolsonarista ainda apresenta volatilidade. Da mesma forma, Lula mantém força entre os eleitores de esquerda, mas enfrenta desafios para atrair o centro‑moderado.

Implicações para o segundo turno

Os analistas apontam que o voto dos eleitores independentes pode ser decisivo para definir o vencedor no segundo turno. A vantagem de dez pontos de Flávio nesse grupo pode compensar eventuais perdas entre os bolsonaristas mais rígidos, que ainda não se mostraram totalmente alinhados ao seu candidato.

Por outro lado, a proximidade dos números gerais (42% x 40%) indica que a campanha de Lula ainda tem capacidade de mobilizar eleitores tradicionais e de conquistar parte dos indecisos, especialmente se conseguir ampliar sua mensagem de unidade nacional.

Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), enfatizou que “a intenção de voto entre os independentes consolida uma vantagem para o senador do PL e reforça a importância do voto desse grupo para o resultado eleitoral”. Essa observação destaca o papel estratégico dos eleitores que não se identificam com os blocos tradicionais.

Em termos de estratégia de campanha, os candidatos deverão focar em mensagens que dialoguem com o centro político, oferecendo propostas que transcendam a polarização partidária. O uso de plataformas digitais, debates ao vivo e visitas a regiões com alta concentração de eleitores indecisos pode ser decisivo para mudar a dinâmica da corrida.

Por fim, a pesquisa Quaest serve como um termômetro da opinião pública a poucos dias do segundo turno, mas os números ainda podem sofrer alterações até a data da votação, especialmente diante de possíveis escândalos, alianças inesperadas ou mudanças no cenário econômico.

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