Na manhã desta quinta‑feira, 8 de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) reiterou seu posicionamento sobre o fim da reeleição e afirmou que, caso seja eleito presidente, a mudança já deveria valer para o seu mandato. A declaração foi feita em Brasília, logo após o apoio oficial do Podemos ao seu projeto.
Contexto político e declarações recentes
Flávio Bolsonaro, que também é candidato à Presidência da República, destacou que a duração do seu futuro mandato – quatro ou cinco anos – será definida pelo processo legislativo, mas que a regra deve ser aplicada a ele imediatamente. “O Congresso vai definir, mas tem de valer para o meu mandato”, afirmou ao conversar com jornalistas.
Além disso, o senador ressaltou que não pretende alterar a lei que impede parentes de até segundo grau de ocupar a mesma posição presidencial. Essa postura foi reforçada em entrevista concedida na quarta‑feira, 7 de outubro, pelo presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, que sugeriu que Jair Bolsonaro poderia se tornar um forte candidato em 2030 caso Flávio seja eleito em 2027.
Propostas de alteração constitucional
Atualmente, a Constituição Federal estabelece que parentes até o segundo grau de um presidente em exercício ficam inelegíveis para cargos executivos, exceto quando já ocupam mandato e buscam reeleição. Flávio Bolsonaro manifestou interesse em promover mudanças nesse texto, embora ainda não tenha detalhado quais artigos seriam alterados ou o método para tal reforma.
Ele explicou que a intenção seria modernizar a Constituição, tornando‑a mais flexível para futuras gerações de políticos. “Se eu for eleito em 2027, a partir de 2030 nenhum parente meu vai ser candidato”, afirmou, tentando tranquilizar críticos que temiam um viés autoritário.
- Revisão do artigo que trata da inelegibilidade de parentes;
- Possível extensão da duração do mandato presidencial;
- Definição clara de critérios para alterações constitucionais.
Essas propostas, ainda em fase de concepção, geram debates intensos entre juristas, parlamentares e a sociedade civil, que questionam o impacto de eventuais mudanças no equilíbrio de poderes.
Reação dos partidos e da sociedade
O apoio do Podemos ao discurso de Flávio Bolsonaro foi visto como um sinal de alinhamento ideológico, mas também provocou críticas de opositores que consideram a medida um retrocesso democrático. Diversos partidos de centro e esquerda denunciaram a intenção de criar um “clã político” que poderia perpetuar o poder familiar.
Organizações não‑governamentais e especialistas em direito constitucional alertaram para os riscos de concentrar poder nas mãos de um único grupo familiar. Eles argumentam que a vedação atual protege a alternância no poder e impede a formação de dinastias políticas.
Entretanto, alguns analistas conservadores defendem que a flexibilização das regras poderia facilitar a continuidade de projetos de governo, evitando rupturas abruptas a cada eleição.
Implicações para o futuro da sucessão presidencial
Se a proposta de Flávio Bolsonaro for aprovada, o cenário político brasileiro poderia mudar significativamente. A possibilidade de um mandato mais longo ou a revisão da inelegibilidade de parentes abriria espaço para que membros da mesma família concorram a cargos executivos em sequência, algo ainda inexistente na história recente do país.
Essa perspectiva alimenta discussões sobre a necessidade de reformas institucionais mais amplas, que incluam não apenas a sucessão presidencial, mas também o papel do Congresso na aprovação de emendas constitucionais.
Ao mesmo tempo, a declaração de que “sempre respeitará a política” busca mitigar temores de autoritarismo, embora críticos apontem que palavras não substituem ações concretas e transparentes.
O debate está longe de se encerrar, e as próximas sessões do Congresso prometem ser palco de intensas negociações, audiências públicas e, possivelmente, protestos nas ruas das capitais.








