Nas eleições gerais de 2026, a família Bolsonaro manteve presença no Legislativo brasileiro, apesar da derrota presidencial de Flávio Bolsonaro e sua fuga para os Estados Unidos. O resultado foi divulgado em todo o país no dia 4 de outubro, quando as urnas foram fechadas.
O fim do mandato de Flávio Bolsonaro e a ausência de foro privilegiado
Flávio Bolsonaro, candidato do PL à presidência, perdeu a disputa para Luiz Inácio Lula da Silva por cerca de 4,4 milhões de votos. Após a derrota, ele deixou o Brasil e se instalou nos Estados Unidos, onde publicou uma carta autoproclamando‑se “presidente eleito” e, em seguida, “líder do Brasil”.
Além da derrota eleitoral, Flávio enfrenta processos por lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas. As investigações, iniciadas em 2025, resultaram na perda do mandato parlamentar que ocupava desde 2023, retirando-lhe o foro privilegiado pela primeira vez desde seu ingresso na política, em 2003.
Sem mandato, Flávio não poderá mais exercer influência direta no Congresso, e sua ausência abre espaço para outros membros da família que foram eleitos nas mesmas eleições.
Michelle Bolsonaro: a primeira senadora da família no Distrito Federal
Michelle Bolsonaro, esposa do ex‑presidente Jair Bolsonaro, conquistou a primeira vaga ao Senado pelo Distrito Federal. Em sua estreia nas urnas, recebeu 938.496 votos, correspondentes a 29,05% dos votos válidos, garantindo a segunda cadeira para o DF.
Além de garantir seu próprio mandato, Michelle foi decisiva na eleição da aliada Bia Kicis, que ocupou a segunda vaga destinada ao Distrito Federal no Senado. A estratégia de campanha da família focou em mobilizar a base conservadora e em usar as redes sociais para ampliar a visibilidade.
- Votos de Michelle: 938.496
- Percentual: 29,05%
- Data da votação: 4 de outubro de 2026
O voto de Michelle será registrado em Brasília no próximo domingo, 4 de outubro, marcando a primeira vez que uma ex‑primeira‑dama assume um cargo senatorial.
Carlos Bolsonaro e o salto para o Senado de Santa Catarina
Carlos Bolsonaro, filho mais velho de Jair Bolsonaro, mudou seu título de eleitor do Rio de Janeiro para Santa Catarina e concorreu ao Senado pelo estado. Ele obteve 1.902.100 votos, o que representou 25,21% do total, garantindo a segunda vaga disponível.
O primeiro lugar ficou com Carol de Toni, também do PL, aliada da família. A vitória de Carlos foi impulsionada por uma campanha que combinou visitas a cidades estratégicas, presença em eventos conservadores e um forte discurso anti‑corrupção.
- Votos de Carlos: 1.902.100
- Percentual: 25,21%
- Posição: 2º colocado
Com a posse, Carlos passa a representar Santa Catarina no Senado, ampliando a presença da família em diferentes regiões do país.
Jair Renan e Renato Bolsonaro: a nova geração de deputados
Jair Renan Bolsonaro, filho mais novo de Jair Bolsonaro, foi eleito deputado federal por Santa Catarina, recebendo 131.555 votos, o quarto maior número de votos no estado. Até então, ele exercia a função de vereador em Balneário Camboriú.
Renato Bolsonaro, irmão mais novo de Jair, conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados por São Paulo com 379.312 votos, ficando em sexto lugar no ranking estadual. Renato tem histórico militar como capitão reformado do Exército e já disputou cargos municipais e estaduais nas décadas de 1990 e 2000.
- Jair Renan – Votos: 131.555 (SC)
- Renato – Votos: 379.312 (SP)
Ambos os jovens parlamentares prometem focar em pautas de segurança pública, apoio às famílias e defesa de valores conservadores, alinhando‑se à agenda política da família Bolsonaro.
Perspectivas para a família Bolsonaro no Legislativo a partir de 2027
Com Michelle no Senado do DF, Carlos no Senado de SC, Jair Renan e Renato na Câmara dos Deputados, a família Bolsonaro terá quatro representantes eleitos para o Congresso Nacional a partir de 2027. Essa presença garante continuidade de influência legislativa, mesmo com a ausência de Flávio e de Eduardo, que permanece nos Estados Unidos.
A estratégia da família tem sido diversificar a base geográfica, conquistando cadeiras em regiões distintas – Distrito Federal, Santa Catarina e São Paulo – e reforçar alianças com políticos locais, como Bia Kicis e Carol de Toni.
Analistas apontam que, embora o número de cargos seja menor que o esperado antes das eleições, a família ainda detém poder de negociação significativo, especialmente em comissões que tratam de segurança, defesa e políticas econômicas.
O futuro político de Jair Bolsonaro também permanece incerto. Mesmo sem mandato, ele continua ativo nas redes sociais e pode influenciar decisões partidárias e estratégias eleitorais para as próximas disputas.
Em resumo, a eleição de 2026 marcou o fim de um ciclo de mandatos amplos para Flávio e Eduardo, mas abriu espaço para uma nova geração de Bolsonaro que busca consolidar a presença familiar no Congresso, mantendo viva a agenda conservadora que tem mobilizado milhões de eleitores em todo o país.








