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Ex-aluno de Guarulhos volta à escola como professor e conquista prêmio estadual

Renan Hideki Pereira Okado, de 24 anos, foi homenageado no primeiro Prêmio Professor Nota 1.000, promovido pelo Governo de São Paulo, após retornar à Escola Estadual Tomie Ohtake, em Guarulhos, como professor de geografia. O reconhecimento aconteceu em 2024 e celebra a trajetória de quem estudou na mesma instituição e hoje forma novas gerações.

Da sala de aula ao reconhecimento estadual

Renan nasceu em Toyota, no Japão, e chegou ao Brasil aos sete anos de idade. Em 2013, ingressou no 6º ano da então Escola Estadual Parque Continental Gleba I, conhecida popularmente como “Glebão”. Desde então, sua relação com a escola foi marcada por participação ativa em olimpíadas, projetos e liderança estudantil.

Durante o ensino fundamental, ele conquistou uma medalha na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) em 2015. Três anos depois, ao concluir o ensino médio, Renan foi eleito vice‑presidente do Grêmio Estudantil, demonstrando já seu interesse por gestão e engajamento comunitário.

Em 2018, participou da votação que definiu o novo nome da escola: Tomie Ohtake, artista nipo‑brasileira que representava suas raízes. Esse momento reforçou sua identificação com a cultura japonesa e com a história local.

Após o ensino médio, ele cursou licenciatura em geografia no Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e, em 2023, retornou à escola como docente. A escolha pela rede pública foi motivada pelo desejo de retribuir à comunidade tudo o que o ensino público lhe proporcionou.

O reconhecimento estadual chegou após a seleção dos mil professores com maior pontuação em critérios como frequência, avaliação de desempenho e resultados dos estudantes. Renan foi um dos 1.000 premiados, recebendo o título de Professor Nota 1.000.

Projetos inovadores que unem cultura japonesa e geografia

Na prática pedagógica, Renan aproveita sua vivência no bairro e sua origem japonesa para criar aulas mais próximas da realidade dos alunos. Ele ministra disciplinas eletivas que abordam artes, história e cultura do Japão, inserindo essas temáticas no Programa Ensino Integral (PEI).

  • Banzai! Uma introdução à cultura japonesa: os estudantes estudam história, economia e a relação entre Japão e Brasil, culminando com visita ao Museu Histórico da Imigração Japonesa, na Liberdade (São Paulo).
  • Mottainai: Ateliê de arte japonesa com materiais reaproveitados: projeto desenvolvido em 2026 que utiliza o conceito de “mottainai” (desperdício) para estimular a criação artística com materiais reciclados. A atividade inclui visita à Japan House, na Avenida Paulista.
  • Córrego (In)visível: Memórias, impactos e futuros possíveis no Parque Continental I: investigação da transformação da paisagem local após o aterro de um córrego em 2019. O projeto faz parte da Semana de Geografia da USP e envolve entrevistas com moradores, mapas temáticos e propostas de revitalização.

Essas iniciativas não apenas ampliam o repertório cultural dos estudantes, mas também fortalecem a conexão entre geografia física e social, mostrando como o ambiente urbano influencia a vida cotidiana.

Além das eletivas, Renan incorpora metodologias ativas, como aprendizagem baseada em projetos (PBL) e uso de tecnologias digitais, para tornar as aulas mais interativas. Ele costuma iniciar as lições com perguntas que relacionam o conteúdo ao cotidiano do bairro, estimulando a participação dos alunos.

Impacto na comunidade e futuro da educação

A experiência de ter estudado na mesma comunidade onde leciona gera empatia e credibilidade. Renan relata que os estudantes se sentem motivados ao perceber que alguém que compartilha a mesma história pode alcançar reconhecimento profissional.

Ele também observa um aumento do interesse dos jovens em seguir a carreira docente, principalmente nas áreas de geografia e artes. Esse efeito multiplicador contribui para a formação de novos profissionais comprometidos com a educação pública.

O professor destaca que a proximidade com o bairro permite adaptar o currículo às necessidades locais. Por exemplo, ao estudar a ocupação do solo no entorno da escola, os alunos analisam dados de cartografia urbana e propõem soluções para melhorar a mobilidade e a qualidade de vida.

Renan planeja expandir suas iniciativas para outras escolas da rede estadual, criando uma rede de professores que utilizam a cultura japonesa como ponte para o ensino de ciências humanas. Ele acredita que a interculturalidade pode ser um motor de inovação pedagógica.

Em entrevista, afirmou: “A opção pelo curso de licenciatura e pela rede pública vem do meu desejo de retribuir à comunidade tudo o que o ensino público me proporcionou. Trabalhar na escola em que estudei torna tudo ainda mais gratificante”.

Com o prêmio em mãos, Renan espera inspirar colegas a buscar excelência e a desenvolver projetos que dialoguem com a identidade dos estudantes. Seu exemplo demonstra que a trajetória de ex‑aluno pode se transformar em liderança educativa, reforçando a importância da valorização dos profissionais da educação.

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