As forças armadas dos Estados Unidos deixarão, até a próxima quarta‑feira, 30 de setembro, as últimas bases que mantêm no território iraquiano, encerrando mais de vinte anos de presença militar. A retirada ocorre em Bagdá, onde as instalações americanas estavam espalhadas desde a invasão de 2003, e marca o fim de um capítulo que moldou a política interna e externa do país.
Retirada das bases americanas
A decisão de retirar as tropas foi formalizada em 2024, durante a administração do presidente Joe Biden, mas foi efetivada sob o comando de Donald Trump. O cronograma estabeleceu que todas as unidades deveriam estar fora até o fim do dia 30, permitindo que a logística de evacuação fosse concluída em poucos dias.
Os militares americanos deixaram o Iraque pela primeira vez em 2011, após a chamada “Operação Liberação”. Três anos depois, em resposta ao avanço do Estado Islâmico, foram convidados novamente pelo governo iraquiano para retomar as operações contra o grupo extremista.
A presença contínua dos EUA foi justificada por questões de segurança, treinamento das forças iraquianas e apoio de inteligência. No entanto, a pressão interna de grupos políticos e a crescente hostilidade de milícias apoiadas por Teerã aceleraram o processo de saída.
Reações no Iraque e implicações regionais
Grupos armados alinhados ao Irã comemoraram a retirada como uma “vitória histórica”. Abu Mojtaba al‑Yasiri, comandante da Resistência Islâmica no Iraque, declarou que o movimento representa uma derrota “esmagadora para o projeto americano”.
Ao mesmo tempo, setores da sociedade iraquiana que dependem do suporte logístico e de inteligência dos EUA manifestaram preocupação. Eles temem que a ausência americana deixe um vácuo que pode ser preenchido por milícias xiitas e por forças iranianas.
Os principais receios dos analistas são:
- Ampliação da influência de grupos apoiados por Teerã nas decisões políticas de Bagdá;
- Redução da capacidade de coleta de inteligência contra redes terroristas;
- Possível aumento de ataques contra alvos civis e infraestrutura crítica;
- Desestímulo ao investimento estrangeiro devido à instabilidade percebida.
Além disso, a retirada pode reconfigurar a dinâmica de poder entre Washington e Teerã na região. O Iraque tem sido, nos últimos anos, um tabuleiro onde as duas potências projetam suas estratégias, e a saída dos EUA pode favorecer o fortalecimento da presença iraniana.
Desafios de segurança pós‑saída dos EUA
O Estado Islâmico, embora tenha perdido o controle territorial em 2019, ainda mantém células clandestinas que operam em áreas remotas. Autoridades de segurança iraquianas alertam que a perda de apoio americano em inteligência e operações com drones pode facilitar a reorganização desses grupos.
Sem o suporte logístico dos EUA, as forças iraquianas precisarão desenvolver rapidamente capacidades autônomas de vigilância aérea, análise de dados e resposta rápida. Isso exigirá investimentos significativos em tecnologia e treinamento, que ainda não foram totalmente assegurados.
O Curdistão iraquiano, que tem colaborado estreitamente com Washington, também sente o impacto. A região utilizou recursos americanos para monitorar fronteiras e combater o extremismo; a retirada pode obrigá‑la a buscar novas parcerias ou reforçar suas próprias estruturas de defesa.
Em resumo, o fim da presença militar dos Estados Unidos no Iraque abre um cenário de incertezas. Enquanto alguns celebram a retirada como um passo rumo à soberania plena, outros temem que a lacuna deixada seja preenchida por forças que não compartilham os mesmos princípios de estabilidade e direitos humanos.








