Um estudo recente do Gartner revelou que apenas 3% das organizações conseguiram transformar os investimentos em inteligência artificial (IA) em ganhos financeiros concretos, apesar de um aumento significativo nos gastos com a tecnologia nos últimos anos. Os dados, coletados em 2024, mostram que a maioria das empresas ainda não atingiu as metas de redução de custos e aumento de produtividade esperadas. A pesquisa abrangeu mais de 300 diretores de recursos humanos e 1.865 trabalhadores de diferentes setores, oferecendo um panorama amplo sobre o cenário brasileiro e global.
Investimentos em IA continuam em alta
Segundo o relatório, 85% das companhias planejam ampliar seus orçamentos de IA até 2027, indicando um otimismo persistente entre os executivos. Esse otimismo, porém, contrasta com a realidade dos resultados, já que 38% das empresas já gastaram mais do que o previsto inicialmente. O aumento de investimentos tem sido impulsionado por promessas de automação, análise preditiva e melhoria da experiência do cliente.
Os números refletem uma tendência global: organizações de todos os portes estão alocando recursos para plataformas de aprendizado de máquina, chatbots avançados e ferramentas de análise de dados. Contudo, a simples alocação de verba não garante retorno, e muitos gestores ainda carecem de métricas claras para avaliar o desempenho das iniciativas de IA.
- 77% dos executivos acreditam que a IA aumentará a produtividade.
- 85% pretendem elevar os investimentos nos próximos três anos.
- 38% já ultrapassaram o orçamento previsto para projetos de IA.
Desalinhamento interno e falta de consenso
Um dos principais obstáculos apontados pelo Gartner foi a ausência de um acordo interno sobre onde a IA gera valor real. Em uma pesquisa realizada em julho com 297 diretores de recursos humanos, 78% admitiram que suas equipes não estavam alinhadas quanto aos benefícios esperados da tecnologia.
Esse desalinhamento costuma se traduzir em projetos fragmentados, onde diferentes departamentos adotam soluções sem integração, gerando redundâncias e desperdício de recursos. A falta de um plano estratégico unificado dificulta a mensuração de resultados e compromete a escalabilidade das iniciativas.
- 78% dos líderes não concordam sobre as áreas de maior impacto da IA.
- Mais de 80% das empresas não registraram ganhos de produtividade, conforme estudo do Tecnoblog.
- Somente 21% do tempo liberado foi direcionado a atividades inovadoras.
Complexidade dos custos e modelos de cobrança
Outro ponto crítico destacado pelos executivos é a dificuldade de entender e prever os gastos associados às ferramentas de IA. Muitos provedores utilizam modelos de cobrança baseados no consumo de tokens, o que pode gerar despesas inesperadas e dificultar o planejamento financeiro.
Além disso, a variabilidade no uso de APIs, treinamento de modelos personalizados e necessidade de infraestrutura de nuvem eleva a complexidade dos custos operacionais. Sem uma governança de custos robusta, as empresas correm o risco de ultrapassar seus orçamentos rapidamente.
- Modelos de cobrança por token dificultam a previsão de despesas.
- Infraestrutura de nuvem e treinamento de modelos aumentam os custos fixos.
- Falta de ferramentas de monitoramento financeiro para IA.
Do tempo livre à inovação: o grande desafio
Embora a IA consiga automatizar tarefas rotineiras e liberar parte da capacidade dos colaboradores, transformar esse tempo em inovação ainda é um desafio. O Gartner constatou que apenas 21% do tempo economizado foi redirecionado para projetos considerados estratégicos, como desenvolvimento de novos produtos ou serviços.
A diretora sênior de análise do Gartner, CV Viverito, enfatiza que a chave está em reconfigurar funções e criar uma cultura que aproveite o tempo ganho para gerar valor adicional. Isso requer treinamento, mudança de mindset e, sobretudo, um plano claro de como o tempo livre será utilizado.
- Automatização libera capacidade, mas falta direcionamento estratégico.
- Investimento em capacitação é essencial para transformar produtividade em inovação.
- Redesenho de funções deve considerar as novas ferramentas de IA.
Para enfrentar esses obstáculos, a consultoria recomenda concentrar os investimentos nas áreas onde a IA realmente pode gerar valor mensurável, distribuir conhecimento sobre a tecnologia entre diferentes equipes e redesenhar processos de trabalho. Essa abordagem visa criar um ecossistema interno onde a IA seja vista como um habilitador estratégico, e não apenas como um custo adicional.
Em síntese, o panorama atual mostra que, apesar do entusiasmo e dos investimentos crescentes, a maioria das empresas ainda está nos estágios iniciais de maturidade em IA. O caminho para transformar gastos em resultados tangíveis passa por alinhamento interno, governança de custos e foco em inovação efetiva.








