Na noite de segunda‑feira, 19 de outubro de 2026, o programa GloboNews Debate recebeu os coordenadores das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para discutir os planos de ação nos últimos dias de disputa presidencial. Edinho Silva representou o petista, enquanto Rogério Marinho esteve ao lado do candidato de direita, trazendo à tona críticas, propostas e posicionamentos sobre temas como Bolsa Família, segurança pública, gastos do Estado e a ameaça de um golpe institucional.
Diferenciação de projetos e propostas de governo
Edinho Silva enfatizou que a estratégia de Lula será mostrar, de forma clara e direta, as divergências entre os projetos dos dois candidatos. O foco será destacar propostas para a saúde, a geração de empregos e o desenvolvimento tecnológico, apontando que o governo atual herdou um país com caixa quase vazio.
Ele citou medidas específicas, como a ampliação de programas que reduzem filas de cirurgias eletivas, a modernização do SUS e a retomada do salário‑mínimo ao ritmo da inflação. Segundo Edinho, “defender o fim da jornada seis por um” representa um compromisso com os direitos trabalhistas e a reposição das perdas nas aposentadorias.
Para reforçar a mensagem, a campanha pretende usar dados comparativos que evidenciem o crescimento do PIB nos últimos anos, a queda da taxa de desemprego e a expansão do acesso à internet nas áreas rurais.
- Saúde: redução de filas, investimento em tecnologia hospitalar;
- Emprego: programas de qualificação profissional e incentivos a pequenas empresas;
- Tecnologia: apoio a startups e centros de pesquisa.
Essas linhas de discurso buscam criar uma narrativa de continuidade e progresso, contrastando com a crítica de que o PT teria deixado o país em situação financeira precária.
Retórica sobre segurança e economia
Rogério Marinho, por sua vez, apontou que a campanha de Flávio Bolsonaro continuará a enfatizar os problemas cotidianos da população, como a sensação de insegurança nas grandes cidades e a deterioração da economia familiar.
Ele acusou o governo Lula de não tratar as finanças públicas com o devido respeito, alegando que a dívida pública aumentou de forma insustentável e que a inflação corrói o poder de compra dos trabalhadores.
Marinho também destacou que a população está mais endividada, citando índices de inadimplência que, segundo ele, atingiram níveis recordes nos últimos dois anos.
Para sustentar a argumentação, a equipe de Flávio pretende divulgar infográficos que mostrem a evolução dos indicadores de violência urbana, comparando taxas de homicídios, roubos e assaltos antes e depois da gestão atual.
- Segurança: aumento de investimentos em policiamento comunitário;
- Economia: propostas de redução de impostos sobre pequenos negócios;
- Finanças públicas: plano de contenção de gastos e revisão de contratos.
Essa abordagem visa criar um contraste direto entre a percepção de crise e a proposta de “renovação” que Flávio Bolsonaro apresenta aos eleitores.
Políticas sociais: Bolsa Família e programas de assistência
Um dos pontos mais acalorados foi a discussão sobre o Bolsa Família. Rogério Marinho negou que Flávio Bolsonaro pretenda retirar beneficiários que completarem dois anos de emprego formal, esclarecendo que a fala da assessora Daniella Marques foi distorcida.
Marinho explicou que a proposta da campanha é ampliar de 18 para 24 meses o período de transição para quem conseguir um emprego com carteira assinada, permitindo que o beneficiário continue recebendo o auxílio enquanto se estabiliza financeiramente.
Ele ressaltou que a medida busca incentivar a formalização e reduzir a vulnerabilidade dos trabalhadores, sem cortar benefícios essenciais.
Edinho Silva, ao responder, defendeu a importância do Bolsa Família como pilar da política de redução da pobreza, afirmando que o programa tem contribuído para a diminuição da fome e para a inclusão social.
Para reforçar a mensagem, a campanha de Lula pretende divulgar estudos de impacto que mostram a correlação entre a manutenção do programa e a queda nas taxas de mortalidade infantil, além de melhorias nos indicadores de educação básica.
Desafios e críticas na disputa eleitoral
Ambas as equipes reconheceram que a reta final da eleição traz desafios estratégicos, como a necessidade de mobilizar eleitores indecisos e combater desinformação nas redes sociais.
Edinho Silva apontou que o PT vai investir em campanhas digitais segmentadas, utilizando micro‑targeting para alcançar diferentes faixas etárias e regiões do país.
Já Rogério Marinho destacou a importância de alianças regionais e do apoio de lideranças locais, sobretudo nos estados onde a oposição ao governo tem maior força.
Além disso, os coordenadores discutiram a ameaça de um golpe institucional, tema que tem circulado em alguns círculos políticos. Ambos concordaram que a estabilidade democrática é essencial para a credibilidade das eleições, mas divergiram quanto às interpretações dos movimentos de contestação.
Para enfrentar a polarização, as duas campanhas pretendem lançar programas de debate ao vivo, convidando especialistas em direito constitucional e em ciência política para esclarecer dúvidas do eleitorado.
Em síntese, a entrevista no GloboNews Debate revelou uma disputa marcada por ataques mútuos, mas também por propostas concretas que buscam captar a atenção dos eleitores nos últimos dias de campanha. Enquanto Lula aposta na continuidade de políticas sociais e no fortalecimento da saúde pública, Flávio Bolsonaro foca na crítica ao modelo econômico atual, na ampliação da segurança e na reforma do Bolsa Família para incentivar a formalização do trabalho.








