Na noite de domingo, 20 de outubro, a residência que funciona como escritório de Milton Leite, ex‑vereador e ex‑presidente da Câmara de São Paulo, foi arrombada e subtraída de equipamentos eletrônicos. Os invasores deixaram R$ 19.261,00 em dinheiro sobre os móveis e levaram um disco rígido que continha dados importantes.
Detalhes do furto
O imóvel está localizado na Rua General Bráulio Guimarães, no Jardim Santo Amaro, zona sul da capital paulista. Segundo relatos de uma vizinha, a garagem foi aberta de dentro para fora, indicando que os criminosos possuíam conhecimento prévio do local.
Após arrombarem a porta, os indivíduos colocaram o dinheiro em pilhas sobre a mesa de trabalho e retiraram um HD de um servidor instalado na edícula. Uma televisão de tela plana foi temporariamente deslocada para o sofá, mas não foi levada.
Os suspeitos fugiram em um sedan branco, que foi capturado pelas câmeras de segurança dos vizinhos. As imagens mostram o veículo deixando a rua em alta velocidade, sem que a polícia tenha conseguido identificá‑lo.
- Valor deixado em espécie: R$ 19.261,00
- Itens subtraídos: HD, documentos, quatro cartões de crédito
- Objetos permanecidos: televisão
A polícia chegou ao local após a vizinha acionar a autoridade. Ao chegar, encontrou a casa revirada e registrou o furto como “furto à residência e localização ou apreensão de objetos”.
Investigação e vínculo com o PCC
O caso ganhou destaque porque Milton Leite está envolvido em uma operação que investiga a suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) nas empresas de transporte coletivo da cidade. Na quinta‑feira anterior, 17 de outubro, a Polícia Civil e o Ministério Público realizaram buscas em empresas ligadas ao ex‑vereador.
Segundo a investigação, a empresa Lesimo Sondagens, Projetos e Construções Ltda, cuja sede é o mesmo endereço, teria Milton Leite como principal sócio. A operação também aponta que Leite seria o proprietário oculto da Transwolff, companhia de transporte sob suspeita de servir como fachada para lavagem de dinheiro da facção criminosa.
Um mandado de prisão foi expedido contra Milton Leite, mas ele não foi encontrado em casa. No fim da tarde de sexta‑feira, 18 de outubro, ele se entregou à polícia e está atualmente detido em Mogi das Cruzes.
O furto ao escritório pode ser interpretado como tentativa de intimidar ou obter informações que comprometam a investigação. O HD subtraído poderia conter documentos internos, registros financeiros ou comunicações que auxiliem as autoridades.
Repercussões políticas e judiciais
A prisão de Milton Leite gerou debates intensos na Câmara Municipal e entre os partidos. Enquanto alguns parlamentares defendem a necessidade de combater a infiltração de organizações criminosas no setor de transportes, outros argumentam que a ação pode ser politicamente motivada.
O caso também reacendeu discussões sobre a segurança de escritórios residenciais, que muitas vezes não dispõem de sistemas de vigilância adequados. Especialistas em segurança recomendam a instalação de alarmes, monitoramento por câmeras e reforço de portas em ambientes que combinam funções residenciais e comerciais.
No âmbito judicial, o Ministério Público já solicitou medidas cautelares para apreensão de bens vinculados à Lesimo Sondagens e à Transwolff. A expectativa é que, ao longo das próximas semanas, sejam apresentados relatórios periciais do HD recuperado, caso a polícia consiga recuperá‑lo.
Reações da comunidade
Os moradores do Jardim Santo Amaro manifestaram preocupação após o incidente. Muitos relataram que o bairro já enfrentava um aumento de crimes contra residências nos últimos meses.
Em reunião com a polícia local, os representantes da comunidade pediram maior presença policial nas ruas e a instalação de câmeras de segurança em pontos estratégicos. A polícia, por sua vez, garantiu que intensificará as rondas noturnas e abrirá um canal direto de comunicação com os moradores.
Nas redes sociais, usuários comentaram que o caso evidencia a vulnerabilidade de figuras públicas que mantêm escritórios em domicílios. Alguns sugeriram que Milton Leite deveria ter transferido suas atividades para um endereço comercial, reduzindo o risco de ataques.
Enquanto isso, advogados de Milton Leite afirmam que o ex‑vereador tem direito à ampla defesa e que o processo judicial seguirá os trâmites legais, sem interferência de pressões externas.
O caso ainda está em fase de investigação, e a polícia continua buscando identificar os autores do furto. A recuperação do HD e a análise de seu conteúdo poderão oferecer novas pistas sobre a suposta ligação entre políticos e organizações criminosas.
Em resumo, o furto ao escritório de Milton Leite destaca a complexa interseção entre crime organizado, política e segurança urbana em São Paulo. A expectativa é que as autoridades utilizem todas as evidências disponíveis para esclarecer os fatos e garantir a justiça.








