Roberto Menescal, aos 89 anos, lança o EP “Pure Bossa Remixes” com seis DJs que reinterpretam clássicos da bossa nova. O disco saiu em 27 de outubro de 2026, sob a gravadora Universal Music, e já está nas pistas de clubes e nas playlists digitais. A iniciativa mostra como a música brasileira pode dialogar com a produção eletrônica contemporânea.
Um ano de produção intensa
O lançamento encerra um ciclo de projetos que começou em janeiro, quando Menescal produziu o álbum “Bossa Sempre Nova”. Nesse trabalho, a popstar Luísa Sonza gravou standards da bossa com arranjos orquestrais comandados pelo mestre e por Toquinho. A sequência de lançamentos demonstra que o violonista ainda tem energia para criar e experimentar.
Além do álbum, o artista participou de sessões de estúdio, entrevistas e eventos culturais, reforçando sua presença na mídia. A estratégia de combinar nomes da nova geração com a tradição consolidou a imagem de Menescal como ponte entre passado e futuro.
Os seis remixers e suas abordagens
O EP conta com seis faixas, cada uma assinada por um DJ ou produtor distinto. A escolha dos nomes reflete diferentes vertentes da música eletrônica, do house ao afro‑beat, passando pelo funk carioca.
- Gui Boratto abre o disco com um remix de “Você”, trazendo sintetizadores dos anos 80 e a voz de Mariana de Moraes.
- DJ Marlboro fecha a obra com outra versão de “Você”, trazendo a batida pesada que marcou o funk de 1989.
- Diogo Strausz reimagina “Balansamba” com texturas de deep house e samples da gravação original.
- Nicola Conte oferece um Afro‑bossa rework de “A Morte de um Deus de Sal”, conectando a bossa à raiz africana.
- Tata Ogan transforma “Nós e o Mar” em um groove percussivo que mescla tambores e sintetizadores.
- DJ Spinna leva “Rio” para o universo do funk, soul e rap norte‑americano, criando uma travessia sonora.
Essas interpretações mantêm a melodia e a poesia das composições originais, mas adicionam camadas rítmicas que convidam o público a dançar.
Como a bossa nova se adapta ao eletrônico
Remixar clássicos da bossa não é novidade; a prática começou nos anos 1990 com projetos como BossaCucaNova. No entanto, o EP de Menescal demonstra que a fórmula ainda funciona quando há respeito pela estrutura harmônica.
Os arranjos preservam acordes típicos da bossa, como o uso de acordes maiores com sétimas menores, enquanto os beats eletrônicos criam um contraste que realça a leveza das vozes. Essa dualidade gera um som ao mesmo tempo nostálgico e futurista.
Um ponto de destaque é a forma como o remix de Nicola Conte enfatiza a ligação histórica entre a bossa e a música africana. O produtor insere percussões de origem africana, reforçando a ideia de que a bossa tem raízes globais.
Já o trabalho de DJ Spinna demonstra que a bossa pode atravessar oceanos, encontrando ressonância nas batidas do funk americano. O resultado é uma pista de dança que ainda permite ouvir a delicadeza da melodia original.
Expectativas para o próximo aniversário
O EP funciona como um aperitivo para a celebração dos 90 anos de Menescal, prevista para 25 de outubro de 2027. Organizações culturais já anunciam shows, exposições e masterclasses que contarão com a presença do mestre.
Especialistas apontam que a combinação de tradição e inovação pode inspirar novos projetos de remix no Brasil, estimulando jovens produtores a revisitar o repertório clássico.
Enquanto isso, os fãs podem desfrutar das faixas nas plataformas de streaming, onde o EP já acumula milhões de reproduções em poucas semanas. A resposta positiva indica que a bossa nova continua viva, adaptável e pronta para novas ondas sonoras.








