Na segunda‑feira, dia 14 de setembro, dois dos maiores institutos de pesquisa do Brasil, Quaest e Nexus, divulgaram novos levantamentos sobre a corrida presidencial. Os números mostram cenários diferentes, embora ambos apontem para um duelo equilibrado entre os principais candidatos. O estudo detalha as variações entre os resultados e analisa os fatores que podem gerar essas discrepâncias.
Primeiro turno: cenários divergentes
A Quaest indica que o candidato do PT tem 36% das intenções de voto, enquanto o representante do PL registra 31%. Já a Nexus apresenta 42% para o petista e 37% para o candidato de Flávio Bolsonaro. A diferença de cinco pontos percentuais a favor de Lula permanece constante, mas os números absolutos variam.
Um ponto de destaque é o percentual de eleitores indecisos. Na pesquisa da Quaest, 10% dos entrevistados ainda não definiram sua escolha, contra apenas 2% na Nexus. Essa divergência altera a interpretação do cenário de competitividade.
- Quaest – Primeiro turno: Lula 36%, Flávio Bolsonaro 31%, Augusto Cury 7%, Renan Santos 4%, Ronaldo Caiado 4%, Romeu Zema 1%, Indecisos 10%, Branco/nulo 7%.
- Nexus – Primeiro turno: Lula 42%, Flávio Bolsonaro 37%, Augusto Cury 6%, Ronaldo Caiado 5%, Renan Santos 2%, Romeu Zema 1%, Indecisos 2%, Branco/nulo 4%.
Esses números revelam que, apesar da vantagem percentual semelhante, a distribuição dos demais candidatos e dos eleitores indecisos difere substancialmente entre as duas pesquisas.
Segundo turno: empates dentro da margem de erro
No cenário de segundo turno, ambas as pesquisas apontam para um empate apertado, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Na Quaest, Flávio Bolsonaro aparece à frente de Lula pela primeira vez, com 42% contra 40%.
Já a Nexus mostra Lula com 47% e Flávio com 46%, indicando uma leve vantagem para o petista. Em ambas as análises, o número de eleitores que pretendem votar em branco ou nulo, ou que ainda não sabem, varia consideravelmente.
- Quaest – Segundo turno: Flávio Bolsonaro 42%, Lula 40%, Branco/nulo 13%, Indecisos 5%.
- Nexus – Segundo turno: Lula 47%, Flávio Bolsonaro 46%, Branco/nulo 6%, Não sabe/não respondeu 1%.
Esses resultados sugerem que, apesar de um possível empate, a composição dos eleitores ainda indecisos ou que optam por não votar pode ser decisiva para o resultado final.
Análise das discrepâncias regionais e demográficas
A divergência mais acentuada entre as duas pesquisas ocorre na região Sudeste, que concentra 42% do eleitorado nacional. Segundo a Nexus, Lula tem vantagem de cinco pontos (48% a 43%). Na Quaest, o candidato do PL lidera com 47% contra 31% de Lula, uma diferença de dezesseis pontos.
No Sul, a diferença também é marcante. A Nexus indica que Lula está 39 pontos atrás de Flávio (29% a 68%), enquanto a Quaest reduz essa lacuna para 22 pontos (52% a 30%).
Quando se analisam os eleitores mulheres, maioria do eleitorado, a Nexus registra 53% a favor de Lula contra 40% para Flávio. Já a Quaest aponta uma vantagem menor para o petista, 41% a 38%.
Entre os eleitores com ensino superior, a Nexus mostra vantagem de quatro pontos para Flávio (48% a 44%). A Quaest amplia essa vantagem para quinze pontos (49% a 34%).
Para quem ganha mais de cinco salários mínimos, a Nexus aponta vantagem de dois pontos para Flávio (48% a 46%). Na Quaest, a diferença sobe para treze pontos a favor de Flávio (47% a 34%).
Essas variações podem ser explicadas por diferentes pesos atribuídos a segmentos populacionais, como renda, escolaridade, gênero e região. Cada instituto utiliza bases de dados oficiais do IBGE e do TSE, mas aplica ponderações distintas.
Além disso, a metodologia de coleta – entrevistas presenciais, por telefone ou online – e a distribuição geográfica das amostras influenciam os resultados. Pequenas diferenças na escolha dos estratos podem gerar disparidades notáveis nos números finais.
É importante notar que, mesmo que as variações pareçam grandes em determinados grupos, elas podem se equilibrar quando se considera o eleitorado total. Contudo, em uma eleição competitiva, diferenças de poucos pontos em regiões-chave podem mudar o panorama nacional.
Os analistas ressaltam que a margem de erro, geralmente entre 2 e 3 pontos percentuais, deve ser considerada ao interpretar os dados. Quando duas pesquisas apresentam resultados dentro dessa margem, a conclusão mais segura é que o cenário está muito próximo.
Em resumo, as duas pesquisas confirmam a competitividade entre os principais candidatos, mas revelam que a composição dos eleitores indecisos, o peso dos grupos demográficos e a metodologia de coleta são fatores críticos para entender as diferenças.
Observadores políticos recomendam acompanhar novas rodadas de pesquisa nos próximos dias, pois mudanças nas estratégias de campanha e eventos externos podem alterar rapidamente a disposição dos eleitores.
Enquanto isso, partidos e candidatos devem focar em mobilizar seus eleitores base e conquistar os indecisos, especialmente nas regiões Sudeste e Sul, que podem ser decisivas para o resultado final.
O debate sobre a confiabilidade das pesquisas continuará, mas a transparência nas metodologias e a divulgação de margens de erro ajudam a manter a credibilidade dos institutos perante o público.
Em última análise, a corrida presidencial ainda está em aberto, e cada ponto percentual pode fazer diferença na disputa por um dos cargos mais importantes da democracia brasileira.








