Na segunda‑feira, 14 de maio, a Subsecretaria de Acessibilidade e Inclusão, no bairro do Macedo, em Guarulhos, recebeu cerca de 30 pessoas – surdos, intérpretes e acompanhantes – para o Café com Surdos, um encontro voltado à socialização e à divulgação de serviços públicos. Mesmo com chuva e frio, o evento seguiu conforme o planejado. O objetivo foi criar um espaço de convivência, troca de experiências e orientação sobre direitos.
Objetivos e estrutura do Café com Surdos
O Café com Surdos foi idealizado pela Subsecretaria de Acessibilidade e Inclusão como parte da política municipal de direitos humanos. A proposta central era reunir diferentes atores – usuários, intérpretes, assistentes sociais e representantes de órgãos públicos – para fortalecer a rede de apoio ao público surdo.
Durante o encontro, foram apresentadas informações sobre serviços oferecidos pelo município, como atendimento em unidades de saúde, educação e assistência social. Cada participante recebeu material explicativo em texto e em Libras, garantindo a acessibilidade da comunicação.
A organização do evento contou com a participação da Central de Intermediação de Libras (CIL), do Programa Educacional Bilíngue para Surdos e do Centro de Apoio Técnico da Pessoa com Deficiência (CAT). Todos os setores apresentaram suas atribuições de forma clara e objetiva, permitindo que os presentes compreendessem como solicitar cada serviço.
Serviços de apoio oferecidos pela CIL e demais programas
A Central de Intermediação de Libras (CIL) desempenha um papel estratégico ao conectar o poder público com o cidadão surdo. A intérprete Lucimara Rodrigues explicou três modalidades de atendimento que a CIL disponibiliza, facilitando o acesso a serviços em diferentes situações.
- In loco: o usuário agenda a presença de um intérprete que se desloca até a unidade pública onde será realizado o atendimento.
- Presencial: o solicitante comparece à CIL e recebe apoio direto de um intérprete durante o atendimento em outra agência.
- Videochamada: o intérprete atua remotamente via plataforma digital, garantindo rapidez e comodidade.
Além da CIL, o Programa Educacional Bilíngue para Surdos, coordenado pelo professor Rafael Miguel, abrange quatro frentes principais: projetos com bebês surdos, classes bilíngues de ensino regular, inclusão de surdos no Ensino de Jovens e Adultos (EJA) e formação continuada de professores da rede municipal. Cada uma dessas ações visa garantir que a língua de sinais seja reconhecida como meio de instrução e comunicação.
O Centro de Apoio Técnico da Pessoa com Deficiência (CAT), representado pela assistente social Talita de Santana de Mattos e pela intérprete Mariane Ciccarelli Ribeiro França, explicou que o órgão atua como ponto de referência para denúncias de violação de direitos e casos de violência contra pessoas com deficiência. O serviço, executado pelo Instituto Jô Clemente, está instalado na Delegacia Seccional de Guarulhos, na Vila Camargos, e funciona como ponte entre a comunidade e a justiça.
Depoimentos e impacto na comunidade
Miriam Marques, 40 anos, moradora da Vila Flórida, participou do Café com Surdos acompanhada de sua intérprete de confiança. Surda de nascença, Miriam destacou a importância de saber que tem direito a um intérprete em atendimentos públicos sem precisar solicitar ajuda a terceiros. Ela elogiou a clareza das informações e a oportunidade de conhecer outros serviços que ainda desconhecia.
Outros participantes relataram que o encontro foi decisivo para entender como solicitar o apoio da CIL em situações de urgência, como consultas médicas ou processos administrativos. Muitos ressaltaram que a presença de intérpretes experientes ajudou a eliminar barreiras de comunicação que antes limitavam o acesso a direitos básicos.
O coordenador do Programa Educacional Bilíngue ressaltou que a divulgação de projetos bilíngues nas escolas tem aumentado a inclusão de crianças surdas desde a educação infantil, reduzindo o abandono escolar e promovendo melhor desempenho acadêmico. Ele destacou ainda que a formação continuada de professores tem sido essencial para criar ambientes de aprendizagem mais sensíveis às necessidades dos alunos.
Já a equipe do CAT enfatizou que a existência de um canal de denúncia especializado fortalece a proteção dos direitos das pessoas com deficiência. Eles citaram casos recentes em que a intervenção do CAT resultou em encaminhamentos rápidos para a polícia e para o Ministério Público, garantindo a responsabilização de agressores.
O evento também contou com um momento de socialização informal, onde os participantes puderam trocar contatos, formar grupos de apoio e planejar futuras ações conjuntas. A presença de intérpretes voluntários reforçou o espírito de solidariedade e mostrou que a comunidade surda tem recursos internos capazes de ampliar sua autonomia.
Para quem deseja aprofundar o conhecimento sobre os serviços citados, a Subsecretaria de Acessibilidade e Inclusão disponibiliza um canal de atendimento via WhatsApp e telefone (11) 2414‑3685. O endereço da secretaria é Rua Alberto Hinoto Bento, nº 49, no Macedo, onde é possível agendar visitas ou solicitar material informativo.
Em síntese, o Café com Surdos demonstrou que, mesmo diante de condições climáticas adversas, a vontade de construir uma sociedade mais inclusiva prevalece. A iniciativa reforça a necessidade de articulação entre diferentes órgãos públicos, organizações da sociedade civil e a própria comunidade surda, consolidando um modelo de atendimento que pode ser replicado em outras regiões.
Com a continuidade de encontros como este, espera‑se que mais cidadãos surdos conheçam seus direitos, utilizem os serviços disponíveis e participem ativamente das decisões que impactam suas vidas. A mensagem central do Café com Surdos foi clara: a acessibilidade não é privilégio, mas um direito garantido por lei, e sua efetivação depende da colaboração de todos os setores da sociedade.








