Em agosto de 2026, o Brasil registrou a criação de 165.827 empregos formais com carteira assinada, conforme dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O levantamento foi publicado na terça‑feira, dia 29, e reflete a dinâmica do mercado de trabalho no país. O aumento representa um avanço em relação ao mesmo período do ano anterior, sinalizando tendências positivas para a economia.
Crescimento dos empregos formais em números
O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontou que, ao longo dos primeiros oito meses de 2026, foram gerados 1.134.033 mil empregos formais. Esse volume, embora ainda 25,2% inferior ao registrado no mesmo intervalo de 2025, demonstra a resiliência do setor produtivo diante de desafios macroeconômicos. Nos últimos 12 meses, o saldo acumulado foi positivo, com 887,7 mil vagas criadas, o que corresponde a um crescimento de 1,87%.
O estoque total de vínculos formais chegou a 48,24 milhões, evidenciando a amplitude do mercado de trabalho registrado. Comparado a agosto de 2025, quando foram criados 154.827 mil empregos, o aumento de 11 mil vagas representa uma alta de 1,02% no número de contratações formais.
Setores que lideram a geração de vagas
O setor de Serviços manteve o protagonismo na criação de empregos, destacando três subáreas que contribuíram significativamente para o resultado de agosto.
- Educação: 25,4 mil novos postos, impulsionados por demandas de ensino básico e superior.
- Saúde e serviços sociais: 19,1 mil vagas, refletindo a expansão de hospitais, clínicas e programas de assistência social.
- Transporte, armazenagem e correio: 16,8 mil oportunidades, alimentadas pelo aumento do comércio eletrônico e da logística interna.
Outros segmentos, como comércio varejista, construção civil e tecnologia da informação, também apresentaram crescimento, embora em menor escala. Esses números reforçam a importância do setor de serviços como motor de geração de empregos no país.
Distribuição regional das novas contratações
As vagas criadas em agosto foram distribuídas por 24 das 27 unidades federativas, indicando uma cobertura geográfica ampla. Em termos absolutos, os estados que lideraram o ranking foram São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco.
- São Paulo: maior número de contratações, consolidando sua posição como polo econômico nacional.
- Rio de Janeiro: destaque nas áreas de serviços e energia.
- Pernambuco: crescimento relevante nos setores de educação e saúde.
Quando analisamos a taxa de crescimento relativa, a Paraíba, o Amapá e o Rio Grande do Norte registraram os maiores aumentos percentuais, sinalizando oportunidades emergentes em regiões tradicionalmente menos favorecidas.
Salário médio de admissão e comparativos
O salário médio real de admissão em agosto foi de R$ 2.410,74, apresentando uma queda marginal de 0,03% em relação a julho. Em comparação com agosto de 2025, o valor subiu 1,02%, indicando uma leve valorização real dos salários de entrada.
Quando se confronta o dado com o mesmo mês do ano anterior, observa‑se um aumento de R$ 24,31, já que o salário médio em agosto de 2025 foi de R$ 2.386,43. Essa elevação reflete, em parte, ajustes inflacionários e a maior qualificação exigida em algumas vagas.
Contexto do desemprego e diferença entre Caged e PNAD
É importante distinguir os números do Caged, que contabilizam apenas trabalhadores formais com carteira assinada, dos indicadores de desemprego divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da PNAD Contínua. Enquanto o Caged foca em contratações formais, a PNAD mede a taxa de desemprego na população ativa.
Segundo a PNAD, a taxa de desemprego no trimestre encerrado em agosto de 2026 foi de 5,3%, representando queda de 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre anterior e ao mesmo período de 2025, quando a taxa era de 5,6%.
Essa redução indica um cenário de melhora nas condições de trabalho, embora os números do Caged e da PNAD não sejam diretamente comparáveis devido à diferença de abrangência – o primeiro exclui o setor informal, que ainda representa uma parcela significativa da força de trabalho brasileira.
Em síntese, os dados de agosto de 2026 revelam um mercado de trabalho em expansão, com destaque para o setor de serviços, distribuição mais equilibrada entre regiões e modestos ganhos salariais. A continuidade desse ritmo dependerá de fatores como política econômica, investimento em capacitação profissional e estabilidade macro‑fiscal.







