A pesquisa de opinião pública realizada pela consultoria Quaest, divulgada nesta segunda‑feira (28 de setembro), indica que o ex‑presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro estão empatados em 42% das intenções de voto para um possível segundo turno das eleições presidenciais de 2026, conforme levantamento feito em todo o território nacional. Os números sugerem um empate técnico, já que a diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O estudo foi encomendado pelos veículos Globo e O Globo, e reflete a percepção dos eleitores entre os dias 24 e 27 de setembro.
Como foi conduzida a pesquisa
A Quaest entrevistou 2.004 pessoas com idade a partir de 16 anos, selecionadas de forma aleatória e representativa das cinco regiões do Brasil. Cada entrevistado foi contatado por telefone ou via aplicativo de mensagens, garantindo a presença de perfis socioeconômicos variados.
A margem de erro declarada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Isso significa que, estatisticamente, os resultados podem variar entre 40% e 44% para cada candidato, mantendo o caráter de empate técnico.
O número de registro da pesquisa é BR-06520/2026, o que permite sua rastreabilidade nos sistemas de transparência da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP). O relatório completo inclui ainda a distribuição das respostas por gênero, faixa etária e nível de escolaridade.
Cenários simulados para o segundo turno
Além da disputa direta entre Lula e Flávio Bolsonaro, a Quaest apresentou quatro cenários adicionais, simulando diferentes combinações de candidatos que poderiam chegar ao segundo turno. Os números foram divulgados em forma de tabelas, mas aqui resumimos os principais resultados:
- Lula x Flávio Bolsonaro: 42% para cada um, empate técnico.
- Lula x Carlos Caiado: Lula 39%, Caiado 35% (diferença dentro da margem de erro).
- Flávio Bolsonaro x Carlos Caiado: Flávio 38%, Caiado 37% (novo empate técnico).
- Lula x Simone Tebet: Lula 40%, Tebet 36% (diferença de quatro pontos, ainda acima da margem).
- Flávio Bolsonaro x Simone Tebet: Flávio 39%, Tebet 38% (empate quase exato).
Esses cenários demonstram a volatilidade do eleitorado brasileiro, onde pequenas variações nas preferências podem mudar o rumo da corrida eleitoral. A presença de candidatos de centro‑direita, como Caiado, e de centro‑esquerda, como Tebet, também evidencia a fragmentação dos blocos políticos.
Intenções de voto no primeiro turno e perfil dos eleitores
No primeiro turno, a mesma pesquisa mostrou Lula com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registrou 34%. Há uma semana, esses números eram 37% para Lula e 33% para Flávio, indicando um leve aumento para ambos os candidatos nas últimas 48 horas.
Entre os entrevistados que já haviam escolhido um candidato, 76% afirmaram que a decisão era definitiva, enquanto 23% declararam que ainda poderiam mudar de opinião. Apenas 1% não souberam responder ou deixaram a pergunta em branco.
A Quaest também mediu o grau de rejeição, perguntando aos eleitores quais candidatos eles conheciam mas não votariam. Nesse quesito, Flávio Bolsonaro registrou 28% de rejeição, enquanto Lula acumulou 22%, refletindo a polarização ainda presente no cenário político.
Os dados demográficos revelam que o apoio a Lula permanece mais forte entre eleitores com ensino superior completo e nas regiões Norte e Nordeste. Já Flávio Bolsonaro tem maior aceitação entre eleitores de classe média baixa, residentes no Sudeste e no Sul, e entre aqueles com ensino fundamental ou médio.
É importante notar que a pesquisa foi estimulada, ou seja, os entrevistados receberam a lista completa de candidatos antes de responder. Esse método costuma gerar resultados ligeiramente diferentes das pesquisas não estimuladas, pois reduz a taxa de respostas “não sei”.
Em termos de comportamento de voto, a maioria dos eleitores (cerca de 60%) afirmou que costuma acompanhar as notícias políticas diariamente, enquanto 25% relataram que só se informa quando há debates ou eventos de grande repercussão.
Por fim, a Quaest destacou que a proximidade dos resultados reforça a necessidade de campanhas mais intensas nos próximos meses, principalmente nas áreas onde a indecisão ainda é alta. Estratégias de comunicação digital, visitas a comunidades rurais e debates ao vivo podem ser decisivas para converter os eleitores ainda indecisos.








