Na segunda‑feira, 12 de outubro, o embaixador do Irã na Espanha, Reza Zabib, gerou surpresa durante a cerimônia de recepção no Palácio Real de Madri ao cumprimentar a rainha Letizia sem contato físico.
O gesto, que consistiu em juntar as mãos e inclinar levemente a cabeça, seguiu o protocolo cultural do diplomata e foi replicado diante da princesa Leonor e da infanta Sofía.
O cenário da cerimônia oficial
A tradição de receber autoridades estrangeiras no Palácio Real de Madri remonta ao século XIX, quando o protocolo real começou a formalizar cumprimentos, apertos de mão e reverências.
Na edição de 2024, o evento comemorou o Dia Nacional da Espanha, com a presença do rei Felipe VI, da rainha Letizia, dos herdeiros ao trono e de representantes de mais de cinquenta países.
Além dos discursos oficiais, a agenda incluiu uma série de fotografias, troca de cartões de visita e, claro, o cumprimento entre chefes de Estado e seus representantes.
Costumes religiosos e sociais que influenciam o protocolo iraniano
No Irã, a prática de evitar o contato físico entre homens e mulheres em contextos formais está profundamente enraizada nas interpretações da lei islâmica.
Essa regra se aplica tanto a cidadãos quanto a diplomatas, que são instruídos a observar o respeito cultural ao representar seu país no exterior.
Para garantir que o protocolo seja cumprido, a Embaixada do Irã costuma enviar notas ao Ministério das Relações Exteriores do país anfitrião, explicando a forma de saudação adotada.
- Juntar as mãos (“Namaz”) como sinal de respeito.
- Inclinar a cabeça ligeiramente, sem inclinar o corpo inteiro.
- Evitar apertos de mão, abraços ou beijos no rosto.
- Manter distância física de aproximadamente um metro.
Essas diretrizes são reforçadas durante o treinamento dos diplomatas, que recebem orientações específicas sobre como conduzir encontros com autoridades de diferentes gêneros.
Histórico de incidentes semelhantes
O caso de Reza Zabib não é isolado. Seu antecessor, Hassan Ghashghavi, também adotou a mesma postura ao cumprimentar a família real espanhola em eventos de 2021 e 2022.
Em ambas as ocasiões, a rainha Letizia respondeu com um leve aceno de cabeça, mantendo a compostura e evitando qualquer constrangimento público.
Relatos de outros países, como a Arábia Saudita e o Qatar, mostram que diplomatas de nações que seguem normas de segregação de gênero costumam aplicar estratégias semelhantes em cerimônias ocidentais.
Em alguns casos, os anfitriões optam por adaptar o protocolo, oferecendo alternativas como a saudação verbal ou o gesto de inclinar a cabeça, para preservar a etiqueta diplomática.
Repercussão na mídia e nas redes sociais
Imediatamente após a transmissão ao vivo da cerimônia, usuários de Twitter, Instagram e TikTok comentaram sobre o gesto, dividindo opiniões entre respeito à diversidade cultural e críticas ao que consideraram um “desrespeito” ao protocolo espanhol.
Especialistas em relações internacionais apontaram que a situação evidencia a necessidade de maior flexibilidade nos protocolos, sobretudo em um mundo cada vez mais multicultural.
Por outro lado, alguns analistas defendem que a manutenção de costumes religiosos não deve ser comprometida, ressaltando que a diplomacia também serve para proteger identidades culturais.
O Ministério das Relações Exteriores da Espanha emitiu um comunicado breve, afirmando que “o respeito mútuo entre nações é a base de nossas interações oficiais” e que “o protocolo real está preparado para acomodar diferentes formas de saudação”.
Implicações para a diplomacia futuro‑próxima
O episódio levanta questões sobre como os protocolos diplomáticos podem evoluir para incluir uma gama maior de práticas culturais sem gerar mal‑entendidos.
Alguns países já iniciaram projetos piloto que permitem a escolha do tipo de cumprimento, desde o tradicional aperto de mão até gestos simbólicos como o que foi observado.
Além disso, as escolas de formação diplomática estão incorporando módulos de sensibilidade cultural, para que futuros embaixadores estejam preparados a lidar com situações semelhantes de forma proativa.
Em última análise, o caso reforça a importância de um diálogo aberto entre as equipes de protocolo das casas reais e as missões diplomáticas, buscando soluções que preservem tanto o respeito cultural quanto a etiqueta internacional.
Conclusão: entre tradição e adaptação
O gesto de Reza Zabib, embora tenha causado estranhamento em alguns observadores, demonstra como a diplomacia contemporânea deve equilibrar tradição e adaptação.
Ao reconhecer e respeitar as diferenças, tanto anfitriões quanto convidados podem transformar momentos potencialmente constrangedores em oportunidades de aprendizado mútuo.
Com a crescente interconexão global, episódios como este provavelmente se tornarão mais frequentes, exigindo respostas diplomáticas que priorizem o entendimento cultural acima de formalismos rígidos.








